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quarta-feira, 26 de março de 2014

A Sumptuosa Estela


Estela F - Ruínas de Quiriguá - Região Oriental da Guatemala           América Central

Quem terá auxiliado com instrumentos de precisão e utilização na pedra, os artistas Maias, sabendo-se que foram realizadas essas esculturas sem a ajuda de quaisquer ferramentas de metal? Terão os visitantes das estrelas aí cingido seus conhecimentos superiores de construção, escultura e arquitectura estelares nestas maravilhosas e surpreendentes estelas de Quiriguá?

O Segredo das Estelas de Quiriguá
Entre os mais enigmáticos testemunhos da cultura Maia contam-se as ruínas de Quiriguá, no vale do rio Montagua, na região oriental da Guatemala. Estão situadas no meio de extensas plantações de bananeiras e, integram actualmente a lista de monumentos que a UNESCO considera Património da Humanidade.
Da antiga e grandiosa estrutura da cidade, pouco restou para além de alguns templos. Aquilo que torna Quiriguá tão interessante são as enormes estelas de arenito, artisticamente trabalhadas, e os grandes blocos de pedra ornamentados que sobreviveram à passagem do tempo.

História Antiga Desconhecida
Já no Período Pré-Clássico Final (c. 250 a. C.-300 d. C.) na região em redor de Quiriguá deveria estar habitada por um povo conhecido como Putun Maya, mas sobre a história antiga de Quiriguá pouco se sabe.
Os conhecimentos actuais acerca da história política da época são resultado do costume que os soberanos Maias tinham de registar os seus nomes e feitos, bem como as datas de acontecimentos políticos e jubileus, em estelas, em altares e nos revestimentos das construções. Os avanços na decifração de «glifos Maias» feitos nas últimas décadas permitiram entretanto obter traduções das inscrições bastante exactas e fiéis.
Sabemos hoje que Quiriguá estava estreitamente ligada a Copán - um importante centro Maia bastante próximo - situado nas actuais Honduras. Enquanto Copán, com as suas estelas de aspecto barroco, é de certo um dos mais notáveis testemunhos urbanos da civilização Maia, Quiriguá permanece injustamente ainda pouco conhecido, muito embora as suas esculturas de pedra se contem sem qualquer sombra de dúvida entre as mais consumadas obras da escultura Maia em pedra.

Sob o Domínio de Copán
Até ao século VII d. C., a cidade esteve sob a influência da poderosa Copán. É possível até que fosse a partir de Copán que Quiriguá fosse governada. Quiriguá deverá ter-se revestido para Copán de grande interesse, dada a sua situação geográfica, que lhe permitia controlar uma importante rota comercial no rio Montagua entre a costa das Caraíbas e as regiões do interior. Para além disso, a região em redor de Quiruguá era rica em poderosas pedras de jade, muito apreciado e valorizado em toda a América Central.
A extracção e o comércio do jade terão com certeza contribuído em grande parte para a prosperidade de Copán. Ainda em 563, Fumo Imix Deus K - o soberano de Copán (628-695) - festeja numa inscrição no altar L de Quiriguá o seu domínio sobre essa mesma cidade.
Menos de um século mais tarde acontece algo inesperado: a pequena cidade vassala de Quiriguá, ao longo de séculos mantida sob o domínio da poderosa cidade vizinha, derrota o Rei de Copán. Que terá sucedido?

A Revolta Contra Copán
Em 725, o Rei Uaxaclahun Ubak K`awil, que significa exactamente «18 Coelho», veio a Quiriguá para aí assistir á entronização do Rei Cauac Céu. A visita de um rei a uma pequena cidade do seu reino era algo bastante incomum: é possível que, dada a crescente preponderância que Quiriguá vinha assumindo, o rei tenha querido colocar um parente seu no comando do poder dessa cidade, para assim manter a sua influência. Do Rei Cauac Céu, pouco se sabe, para além do facto de 13 anos após a sua entronização ter feito Uaxaclahun Ubak K`awil, o Rei de Copán prisioneiro, não tardando a mandar matá-lo ritualmente.
Aquilo que aconteceu para que tal pudesse vir a suceder permanece por esclarecer. Talvez Quiriguá tenha ousado desafiar à outra cidade maior a hegemonia sobre toda a região; talvez tenha havido combates, mas pouco mais se pode fazer para além de especular.
Nessa altura havia dois centros de poder no grande reino Maia: Tikal e Calakmul. Provavelmente, Copán era um dos sequazes do poder de Calakmul, ao passo que Quiriguá alinhava por Tikal. Talvez o soberano de Tikal estivesse interessado em ficar com a influente cidade de Copán sob o seu domínio, forçando assim Quiriguá a desafiá-la e, a atacá-la. Só com a retaguarda assim coberta poderia o Rei Cauac Céu ousar revoltar-se contra a supremacia da poderosa Copán. Fossem quais fossem as razões que conduziram a esta surpreendente vitória, não há dúvida que ela abriu caminho a um período de grande prosperidade da cidade de Quiriguá, o qual se faz notar nas enormes e sumptuosas estelas.
Influente centro administrativo e palco de importantes actividades cerimoniais, este local dominou o comércio com toda a costa do mar das Caraíbas e, as regiões vizinhas das terras altas e terras baixas. O apogeu de Quiriguá viveu-se ainda ao longo de todo o reinado de Cauac Céu, que durou 60 anos, bem como no subsequente, o reinado do seu filho Céu Xul e, no que a este último se seguiu, o reinado de Jade Céu, que derrubou Céu Xul por volta de 800.

A Produção das Estelas
As estelas reflectem o elevado grau de consciência do valor que a cidade de Quiriguá teve ao longo de uma época áurea que durou todo um século. Para se fazer jus aos feitos extraordinários dos artistas Maias, dever-se-à ter em conta de que estas esculturas de arenito avermelhado foram realizadas sem a ajuda de quaisquer ferramentas de metal. Os únicos instrumentos à sua disposição foram cinzéis de pedra, percutidos por maços de pedra ou de madeira. Os grandes blocos de pedra eram extraídos e cortados em colinas de arenito, situadas a cerca de 4 quilómetros de distância, de onde eram transportados em cima de jangadas através de canais de irrigação até Quiriguá. O arenito de Quiriguá é bastante mais duro do que a pedra calcária da qual é feita a maioria das restantes construções Maias. Por essa mesma razão, os detalhes não foram nas estelas tão trabalhados do ponto de vista ornamental como acontece em Copán, mas apesar de tudo os escultores conseguiram obter surpreendentes efeitos naturalistas e, aqui e ali, até algumas representações de grande valor.

Mas tudo nos deixa inquiridores sobre a verdadeira dimensão de transporte, condução e construção destas sumptuosas estelas, uma vez que, não teria sido nada fácil toda essa sequência em parcos haveres, parcos meios de transporte em singelas e mui primitivas jangadas, nas quais se chega a duvidar da consistência em arremesso e locomoção marítimas (nesses tais canais de irrigação) em equilíbrio e, sustentação. Os blocos de pedra imensos de tonelagem enorme sob esteiras de troncos de madeira. Terá efectivamente sido mesmo assim? Não terão havido ajuda e supervisão estelar em conhecimentos, elevação e edificação destas estelas e blocos incomensuráveis em toda a sua magnitude de peso e fortificação? Deixemos no ar as muitas perguntas que ainda hoje se põem, perante tamanha suspeição e alguma polémica gerada em torno destas mesmas existenciais dúvidas. Talvez algo superior e vindo do exterior lhes tivesse augurado algo de maior e de grande valor em conhecimentos e técnicas nunca vistas à época. Quem o saberá?
Que se investigue, se questione e se elabore a verdade, pois só isso importa! A bem de todos!