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quinta-feira, 27 de março de 2014

A Misteriosa Luzia


Crânio e Reconstituição Facial de Luzia                              Brasil

Terá havido de facto esse intercâmbio cultural e de vivência após travessias oceânicas, registadas em descobertas cranianas de faces mistas entre a Europa e a Ásia? E outras, remontando a África e à Austrália? Havendo esta relação genética entre todos estes achados, não será de supor que o mundo de outrora possa ter sido mais fluente e dinâmico entre si nas relações oceânicas que aí terão havido?

O Papel da Análise Genética
A questão das rotas migratórias irá com certeza no decurso das próximas décadas obter respostas mais concretas - fornecidas não por arqueólogos, investigadores de campo ou outros aventureiros, mas sim pelos laboratórios das Ciências Naturais. De momento, os cientistas andam a investigar o ADN de múmias pré-colombianas, podendo assim eventualmente vir  a ser confirmadas ligações a outros povos com base na Biologia. Deste modo poderão ser validados quaisquer parentescos com populações geograficamente distantes. Se forem encontrados marcadores genéticos correspondentes aos de um povo distante, poder-se-ão tirar mais conclusões em relação à história da colonização da América do Sul. Assim sendo, a análise do ADN de «Juanita», uma múmia encontrada no meio do gelo dos Andes por Johan Reinhard, revela semelhanças com outros habitantes primitivos da América, mas também com os habitantes da Formosa e da Coreia. Tal parece fundamentar a tese de que os habitantes primordiais da América terão vindo da Ásia.

Viagens Marítimas ou Migrações?
Os resultados das investigações genéticas não são ainda sólidos para se distinguir se uma determinada etnia se terá expandido para outros territórios por intermédio de uma colonização de base marítima ou, em resultado de uma migração ocorrida ao longo do tempo, há mais de 10 mil anos, através do estreito de Bering. Ao analisar-se o ADN da medula de múmias com 1500 anos - encontradas no Norte do Chile - foram descobertos vestígios de um vírus bastante comum em certos povos dos Andes.
Esse mesmo vírus fora ainda encontrado num pequeno grupo de pessoas da região sudoeste do Japão. Não é de pôr de parte a hipótese de ter havido uma presença deste grupo populacional japonês no espaço andino, transportado para o território americano pelos seus barcos e, com a ajuda da corrente Kuroshio - uma corrente que flui ao longo das costas da Formosa e do Japão - de ocidente para oriente.
É também possível que a origem do vírus remontasse a povos paleomongólicos, que poderiam ter-se separado em dois grupos há mais de 10 mil anos e migrado, uns para o Japão e outros para a América do Sul, através do estreito de Bering. Neste caso, porém, há que aceitar que estes grupos se teriam mantido unidos, fixando-se e estabelecendo-se em territórios pelos quais tiveram obrigatoriamente de passar. A quantidade de ADN analisado de que os cientistas dispõem é reduzida, mas um dia terão já o suficiente para se traçar um plano de migração dos povos, podendo-se então afirmar quais os povos que após o período glacial terão atravessado o Oceano Pacífico de barco.
Em relação aos locais onde se verificam surpreendentes coincidências a nível dos avanços culturais com povos da região oriental da Ásia - como é o caso da cultura de Valdivia, no Equador e dos Olmecas no México - parece ser certo que o contacto se estabeleceu por via marítima.

O Segredo de «Luzia»
Um crânio feminino encontrado no Brasil há quase 25 anos, o «Luzia», constitui o mais antigo achado humano no Continente Americano. Tem 11.500 anos - mais antigo que os testemunhos da cultura de Clovis, da América do Norte - considerada pelos investigadores norte-americanos, a mais antiga do continente.
De acordo com Ricardo Ventura Santos, um paleontólogo da Universidade do Rio de Janeiro, baseadas nas mais modernas técnicas, as origens desta mulher remontam a África ou, aos habitantes primitivos da Austrália. Ventura santos acredita que os antepassados de «Luzia» terão sido aborígenes australianos, que há 15.000 anos atravessaram o Oceano Pacífico rumo à América. Trata-se de uma tese ousada - tanto mais se pensarmos que é a opinião corrente do meio académico que nessa época não existia nenhuma civilização capaz de fabricar barcos para uma viagem tão longa.

O Enigma dos Olmecas
As estátuas pertencentes à mais antiga civilização da América Central, os Olmecas, patentes sobretudo no sítio arqueológico da La Venta, constituem para os cientistas um verdadeiro enigma. Esta cultura desenvolveu-se há cerca de 3000 anos na região oriental do México. Entre as suas características artísticas mais marcantes contam-se as enormes cabeças de pedra esculpidas a partir de blocos de basalto. Estas enormes esculturas, mas também as pequenas cabaças de barro dos Olmecas, evidenciam traços fisionómicos que permitem conjecturar se já há 3000 anos não teria havido algum contacto entre a África e a América Central. Também nas gigantescas máscaras de estuque do templo Maia de Lamanai, em Belize, se encontram elementos deste singular estilo de representação escultórica da fisionomia. Outros há, porém, que vêem nestas figuras - e sobretudo nos potes de cerâmica dos Olmecas - os traços fisionómcos dos povos asiáticos.

O Gene Esclarecedor
Através de estudos em que o material genético de grupos étnicos é analisado, tem-se reunido indícios de que povos da região oriental da Ásia - sobretudo os Chineses e os Japoneses - terão atravessado o Pacífico de barco e, se terão fixado tanto na América Central como na América do Norte e do Sul.
Determinadas características genéticas coincidentes foram encontradas apenas e, precisamente, nestas regiões. Se se devessem a uma migração ocorrida através do estreito de Bering, seria de esperar que se encontrassem também nos povos da América do Norte. Coincidências destas foram também registadas na América do Norte mas apenas em três etnias, nomeadamente nos Navajos (do Sudeste dos actuais EUA), nos Chamorro (de Guam, uma ilha do Pacífico actualmente pertencente aos EUA) e nos Blackfeet (da região norte do Estado de Montana).
Os investigadores detectaram a presença de um tipo único de gene retroviral «JCV», que de resto só ocorre na China e no Japão. Também aqui parece certo que a migração se tenha dado a partir da região oriental da Ásia, por barco e através do Pacífico.

Por todas estas pesquisas, investigações e estudos científicos se resume de que talvez o mundo de outrora não tivesse sido um enigma nem sequer assim tão grande em dimensão e oclusão, no que estes povos remeteram em miscegenação e culturas multiraciais. Mais haverá por certo que deixaremos para os entendidos e investigadores, que a seu tempo em tecnologias futuras nos elucidarão de toda a origem e proeminência do ser humano na Terra e, seus laços fecundos em herança e descendência. A bem do conhecimento e da cultura global, assim seja então!