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quarta-feira, 12 de março de 2014

A Maravilha do Mundo


Representação figurativa dos Jardins Suspensos da Babilónia na Mesopotâmia  -  Iraque

Uma das sete maravilhas da Antiguidade - e do mundo - os Jardins Suspensos de Semíramis, sendo o local mais sagrado de toda a Mesopotâmia, terá sido erigido na sua magnificente cidade com a ajuda dos deuses? E sendo Eridu (cidade próxima) consagrada a Enki - o deus da Água, da Sabedoria e da Magia - não terá sido assim um vinculo de deuses na Terra em construções exuberantes e que ainda hoje nos enaltecem na grandeza anunciada?

Zigurates - Próximo Oriente
Mesopotâmia, que designa uma região situada entre dois rios, foi o nome atribuído pelos Gregos á região entre o Tigre e o Eufrates, onde actualmente fica o Iraque. No quarto milénio antes da Era Cristã, os Sumérios migraram para as regiões mais a sul deste fértil território, trazendo consigo ideias revolucionárias que viriam a transformar o aspecto do mundo. Nos seus desígnios religiosos e, ideológicos, teve outrora origem uma das mais antigas culturas da Humanidade. Reflexos disso são ainda hoje visíveis nas gigantescas torres fustigadas pelas areias, às quais já a Bíblia fazia referência.
Quem é que ainda não ouviu falar da lendária Torre de Babel, que provocou a ira de Deus? A ousadia de tal construção foi punida com a criação de várias línguas distintas, pelo que desde então os humanos apenas se conseguem entender com grandes limitações.

Maravilha da Antiguidade
Uma das sete maravilhas da Antiguidade - os Jardins Suspensos de Semíramis - estava situada na região da Mesopotâmia, na Babilónia. Não muito longe daí ficava Eridu. Foi em 1946 que os arqueólogos Fuad Safar e Seton Lloyd, da Autoridade Iraquiana para os monumentos da Antiguidade, foram atraídos pelos segredos escondidos debaixo da pedra desta antiga cidade babilónica.
Este terá sido outrora o local mais sagrado de toda a Mesopotâmia e, é considerado a primeira cidade do mundo. Tal como pode ser lido em placas de argila com 4000 anos, Eridu foi consagrada a Enki, o deus da Água, da Sabedoria e da Magia. Antes das escavações levadas a cabo no século XX, apenas um zigurate parcialmente encoberto - um antigo templo em forma de torre - deixava adivinhar que outrora aí havia existido uma construção de grande imponência. Num minucioso e aturado trabalho de investigação, Safar e Lloyd, que queriam descobrir mais acerca desta cultura que se escondia debaixo da terra ali depositada pelo tempo, conseguiram trazer à luz do dia verdadeiras relíquias com milhares de anos. Pazada após pazada, foram recuperando tijolos partidos com os quais em tempos bíblicos, o zigurate terá sido construído.

A Aventura da Investigação
Mas os investigadores não se ficaram por aí. De repente encontraram paredes de uma época anterior. À medida que iam escavando e atingiam estratos de terra mais recuados no tempo, encontravam santuários cada vez mais antigos, sobre os quais ao longo dos tempos haviam sido construídos outros.
No final da sua escavação, Safar e Lloyd haviam conseguido desenterrar 18 templos sobrepostos, cada um deles construído sobre a estrutura do anterior. As fundações do aglomerado na proximidade do templo chegavam até ao sexto milénio antes da Era Cristã. Quer isto dizer que, já antes dos Sumérios, houve povos que estabeleceram em Eridu um centro de culto pré-histórico. Pertenciam à chamada cultura Ubaid, que por volta de 5900 a. C. se estabeleceu na Ásia Menor.
Assim sendo, Eridu pode ser considerada uma das mais antigas cidades do mundo, consagradas a um deus. A continuidade que se pode constatar no estilo dos templos escavados e, diversos restos de espinhas encontrados no local - conservados pelo clima seco e possivelmente resultantes de peixes sacrificados - servem para os historiadores de prova que em Eridu era efectivamente adorado Enki, deus da Sabedoria, mas também deus das Águas.

Vestígios de Ur na Areia
"É perfeitamente inimaginável que alguma vez esta terra selvagem tenha sido habitada...", comentaria então o arqueólogo britânico Leonard Woolley (1880-1960) ao contemplar as ruínas da cidade de Ur, que tal como a cidade de Babilónia, se encontram no Sul da Mesopotâmia. Quando em 1922 Woolley dirigiu uma expedição científica Anglo-Americana com investigadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) à Suméria, julgou ter encontrado em Ur o local de nascimento do patriarca bíblico Abraão. Com particular cuidado e, ao longo de extensos 12 anos, a sua equipa de investigadores foi pondo a descoberto os vestígios daquela cultura perdida. Pelo caminho, os arqueólogos depararam com túmulos de reis e residências de sacerdotisas, com muralhas de circunvalação, uma câmara do tesouro e um santuário erigido a Nanna, o deus Sumério da Lua, bem como com aquilo que restava de um zigurate de proporções imponentes.
Woolley verificou ainda de que, os reis de Ur e todos os seus sucessores até ao século VI a. C., aquando do reinado do Rei babilónico Nabucodonosor II (605-562 a. C.), sempre procederam a obras de renovação de edifícios religiosos e, profanos.

Zigurates
Durante cerca de 2000 anos, os povos da Mesopotâmia dedicaram-se à construção de enormes torres constituídas por plataformas sobrepostas, cujo tamanho decresce com a altura e, no alto das quais, era erigido um templo. Na sua maior parte, estas torres erguem-se a 45 metros de altura e, os degraus, conduzem simbolicamente ao cosmos, reunindo assim o Céu e a Terra.
Era no lugar mais alto destas antigas construções feitas de tijolos e juncos, que a divindade aparecia aos fiéis. As torres em degraus de Eridu começaram por ter proporções mais moderadas, mas a técnica de construção em plataformas  sobrepostas, deixa entrever as gigantescas Torres-Templos que se seguiram.

A Maravilha do Mundo
No século II a. C. o fenício Antípatro de Sídon escreveu «As Sete Maravilhas do Mundo», que ainda hoje são objecto de numerosos trabalhos literários e, históricos.
Na Mesopotâmia, não foram quaisquer ruínas que entusiasmaram o autor, mas antes os maravilhoso Jardins Suspensos da Babilónia. Sete plataformas em socalcos, suportadas por largas lajes de pedra, terão sido dispostas sobre uma estrutura abobadada, chegando a atingir uma altura de 22,5 metros. Tijolos cozidos, pez, junco e uma camada de chumbo serviam de impermeabilização e, cada socalco, tinha três metros de altura de terra, de tal modo que mesmo árvores de grande porte pudessem desenvolver as suas raízes.
Um sistema de irrigação fornecia a água necessária para manter os jardins frescos e verdejantes. o criador destes jardins artificiais foi Nabucodonosor que, para agradar à sua mulher Semíramis, trazia espécies botânicas das paragens por onde as suas expedições militares passavam.

Só nos resta acrescentar em contemplação e total admiração sobre estas maravilhas da Antiguidade e, do Mundo, que talvez muito tenhamos a aprender com estas antigas civilizações em espaços urbanos e mesmo rurais em edificações compostas de vegetação e arbórea imposição de vivência conjunta entre o Homem e, a Natureza. O que, nos leva a pensar na actualidade, o quanto estes povos terão sido de facto desenvolvidos e de mente aberta nessa coexistência de ecossistema perfeito. Ou quase. Daí as muitas questões que se insurgem sobre a mediação extraterrestre ou do foro estelar em determinação arquitectónica - e outras - naquilo que se já referiu em construção e edificação maravilhosas de sobreposição e, ascensão aos céus. Virados ao cosmos, virados ás estrelas! Lamenta-se então guerras e supostas destruições no momento, pelo tanto que ainda se desconhece e estará porventura resguardado nesses solos iraquianos. Que a paz impere e que novas investigações proliferem para que à luz se detenham essas novas e muitas descobertas desejadas por todos nós. Que assim seja!