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segunda-feira, 24 de março de 2014

A Noção do Além


Museu de Popol Vuh - escultura em pedra                         Guatemala

A busca da imortalidade, ainda que passando pelo mundo inferior, terá levado estes povos a acreditar nessa meta paradisíaca da vida eterna à semelhança de Hunahpú e Ixbalanqué que foram deificados ao superar a morte? Que forças superiores ou vindas das estrelas seriam essas que ainda hoje há quem as venere e tente alcançar, sentindo conhecimentos e energias infinitas de inteligências do Espaço em visitas e reconhecimento?

Os Livros do Sacerdote-Jaguar
Para além do Popol Vuh, também o Chilam Balam se afigura de grande interesse para a nossa compreensão do povo Maia. Chilam Balam quer dizer exactamente «Intérprete do Jaguar» e, as obras agrupadas sob este título constituem os chamados «Livros do Sacerdote-Jaguar», colectâneas de textos na língua Maia Iucateca, mas escritas no alfabeto latino. Foram coligidos nos séculos XVII e XVIII a partir de diversas fontes, o que poderá explicar a sua pouca fiabilidade e as contradições de que enferma, já que têm origem em textos preexistentes de épocas diversas - tanto antes como depois da chegada dos Espanhóis. Para além disso, a própria veracidade das fontes também não foi confirmada pelos escrivães das aldeias, gente simples, responsáveis pela sua fixação por escrito.
Apenas cerca de uma dúzia dos outrora numerosos livros que compunham o Chilam Balam chegaram até aos nossos dias. Recebem o nome das aldeias em que foram registados por escrito e conservados. O mais importante e um dos mais abrangentes deste conjunto de textos é o Chilam Balam de Chumayel. Também nesta obra é narrado um mito da criação, segundo o qual o mundo que existia antes deste foi destruído por um dilúvio, tendo o presente mundo resultado do facto de terem sido plantadas árvores divinas nos cantos e, no centro do Universo, nas quais estavam pousados os pássaros do destino.
Os 4 cantos do mundo são o esquema que serve de base para a orem cósmica. A eles correspondem simbolicamente cores, ventos e até variedades de milho. Quatro divindades, «os bacabs», suportam os cantos do mundo. Esta configuração básica do mundo numa forma quadrada é espelhada pelos Maias nas pirâmides que constroem, tornando-se estas assim uma expressão visível da ordem cósmica que os rege.

Noções do Além
Da leitura do Popol Vuh, dos livros do Chilam Balam e dos códices dos Maias, consegue-se então perceber o quanto a crença na continuação da existência numa vida após a morte se encontrava enraizada neste povo.
O tratamento da questão da morte desempenhava um papel preponderante no seu quotidiano e nos seus ritos. Ao contemplar-se as construções dos Maias, reconhece-se sem grande esforço o destaque que é dao a este tema e, a importância que deve ter assumido na sua sociedade. Já o biblioclasta Diego de Landa refere no século XVI, o costume indígena de encher a boca dos mortos com milho triturado e com pedaços de jade, para servir de moeda de troca no Além e aí nuca lhes falte de comida.
Daí se percebe de que, o Além dos Maias não era uma região abstracta, mas apenas um outro tipo de vida, na qual também se tinha de comer e beber, sendo mesmo necessário ter dinheiro para obter comida. Para os que permaneciam vivos, aqueles que morriam mantinham-se vivos enquanto seus antepassados.
Os Soberanos e os Sacerdotes podiam ainda em vida deambular entre esses dois mundos, o Aquém e o Além, mas após a sua morte não deixavam - tal como todos os outros seres humanos - de ter de atravessar o mundo inferior, mas podiam - tal como os míticos gémeos Hunahpú e Ixbalanqué - ser deificados ao superar a morte.

Os Códices dos Maias
Com a incineração de livros Maias pelos missionários quinhentistas, desapareceu assim a possibilidade de se obter um conhecimento aprofundado desta cultura. A magnitude daquilo que o mundo perdeu pode ser avaliada mediante a leitura dos 4 códices que sobreviveram. Três deles são designados pelo local onde se encontram, a saber, Dresden, Paris e Madrid. E um quarto, o de Grolier, leva o nome de um local onde pela primeira vez foi exposto, o «Grolier Club», em Nova Iorque.
Os manuscritos consistem em folhas de casca de figueira, misturada com amibo e batida até ficar lisa, tendo as páginas sido dobradas como o fole de um acordeão. Sobre a camada de cal aplicada por cima, foram desenhadas imagens e caracteres gráficos. Nos códices são narrados mitos, explicadas noções religiosas, o Calendário Maia, relações astrológicas e vaticínios.
Das representações de numerosos deuses pôde ser decifrado o Panteão Maia nos seus traços mais gerais - embora se mantenha pouco claro o significado de algumas figuras divinas.

Nestas figuras divinas, as quais se mantém ainda hoje uma dúvida existencial, do que eventualmente poderão ter sido em revelia ao que se supõe de meras figuras representativas desse Além. Seriam astronautas ancestrais, sendo igualmente civilizações estelares que lhes difundiriam a questão da imortalidade e da suposta viagem estelar após as suas vidas terrenas? Seriam deuses à sua semelhança em exterior camuflado como o que se vê na figura inicial representando um viajante espacial de armadura de fato correspondente, nada igual ou similar aos seu povo Maia? Para além da visibilidade facial (coberta por um capacete de cariz espacial como os astronautas actuais) em que se deslumbra um nariz afilado e feições caucasianas, tangível de povos nórdicos - nada correspondente às dos Maias, de cor avermelhada e rostos salientes, bojudos.
Certezas não as há (ainda...) mas já se começa a elaborar algumas teses a nível mundial sobre esta e outras mais criteriosas figuras de pedra, talhadas e esculpidas em demonstrações visíveis - e por demais evidentes - da influência destes eventuais visitantes do Espaço em crença e seguimento religioso nestes povos da América Central e Sul do extenso continente. E mesmo, noutros pontos do globo. Assim ter ocorrido, só urge acrescentar de que essa noção do Além ainda hoje - na actualidade - nos faz de igual forma questionar e mesmo insinuar, se não teriam razão de facto os Maias, sobre tão liminar questão sobre o Aquém (mundo inferior) e o Além (as estrelas) e todo um poder imortal, assim que se deixasse solo terrestre em morte anunciada...sendo deificados como todos o desejaríamos um dia, mais que não fosse, em busca de uma certa harmonia, equilíbrio e paz eterna que todos almejamos possuir um dia. Nem que seja nesse dito Além!
Pois que assim possa ser em arrogo futuro do que nos observa e guia como seus iguais! A bem das nossas eternas almas, assim seja então!