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domingo, 16 de março de 2014

A Esperança


Maciço da Serra da Estrela  -  Portugal

Haverá esperança para os meus sucessores, meus descendentes e minha herança genética após tão amarga provação de Deus - ou dos deuses celestiais - que nos pungiram com tamanha erradicação da face da Terra? Poderei ainda acreditar que meus antepassados me velarão o sono e as preces de um futuro a enunciar, proclamando-me merecedora na continuação da Humanidade?

Tempo Presente: Ano 3000 d. C.
Está frio. Mas suporta-se razoavelmente esse frio. A nova era glacial e diluviana parece já ter passado, a bem de todos nós, os poucos que restaram do meu povo...da minha cidade, do meu país e pior, do meu mundo! Para trás ficou apenas a memória do que foi um dia o meu lindo planeta azul em toda a sua magnificente pujança e brilho de oceanos, rios, planícies e pradarias verdejantes. O Grande Dilúvio arrogou-se de tal forma que poucos puderam sobreviver e, quem a menos de 1600 metros de altitude não se tivesse mantido fora nas grandes águas de enxurrada e assomos terrestres, aí terá perecido, aí para sempre se terá calado e punido com a própria morte, cruel e não beneditina de sua sorte.
O ar é limpo. Já não rarefeito e aflitivo de se respirar em maior oxigenação e todos - os que restam - podemos finalmente inspirar o ténue vento em brisa gelada que se faz sentir em todos os poros da nossa pele. Agora o tempo é de paz, mas já houve tempos de guerrilha, saque e caos generalizado, não que o tivesse assistido mas pelo que me foi contado pelos sábio-mor que me educou, assim como às restantes centenas de crianças que, resgatadas em cidades capsulares, nos foi dado haver o conhecimento de nossos infelizes antecessores e, progenitores que faleceram por nós. Já houve árvores, abetos gigantes e demais vegetação que hoje só recordamos através de livros que se salvaram das cheias e quanto aos animais, nada restou. Um ou outro cão que se perfilou em cimo de montanha e pássaros - poucos - que, não tendo onde pousar e que comer, procuraram outras paragens. Tenho 20 anos, sou mulher adulta e sinto-me criança, sinto-me perdida pelo que não tenho eira nem beira que me sustente, a não ser a parca cabana de parcos haveres no cimo da serra para onde me destinaram o perfil em continuação, multiplicação e reprodução vigentes com o meu par, um parceiro que inicialmente me escolheram mas eu levei a melhor, preterindo esse por aquele que viria a corresponder aos meus ideais, de alma e coração. E é por ele que espero agora, vendo o azul do Céu acoplar-se ao desta terra em cume ascendente que me faz ouvir a voz dos céus em luminosos e mornos raios de Sol que me dita a esperança. Uma nova era vai começar, acredito. Ainda que me doa tanto pelo que o meu mundo perdeu pela ganância e obesidade amorfa de uma Humanidade em declínio que não de uma evolução, pelo que os deuses determinaram na nossa extinção em massa.

Tempo Passado
Observámos os livros, os documentos deixados e salvos por uma resquícia e estranha tomada de posição de uns quantos sábios - os que nos criaram e velaram o sono em dias e noites agitados desde o Grande Dilúvio - reiterando-se anciãos protectores e guardiães sepulcrais desta horda de biblioteca ambulante até às montanhas. Sabe-se que no Tibete muitos mais foram guardados, tanto em Lassa como nas montanhas circundantes e que, pelos seus mais de 1800 metros de altitude, estes podem estar exímia e perfeitamente resguardados pela intempérie e mesmo pelos fogos dos malditos três dias de escuridão na Terra.
O meu sábio-mor contou-me que se viu uma extensa cruz vermelha nos céus (em todos os céus da Terra) e que mesmo, para além das outras religiões sem símbolos de cruz - o que poderia apelar ou clamar a um cristianismo globalizante na Terra - esta se desvanecer nesses locais, dando lugar a um sinal capcioso de relâmpago aberto, raio de luz incandescente e mortal, a quem o registasse ou observasse mais a peito, mais a olho nu, ficando de imediato cego. Uns cegaram, outros paralisaram, outros ainda - levados por uma espécie de epidemia cutânea generalizada - criaram pústulas no corpo como se leprosos fossem, rebentando de angústia e de sofrimento, tentando arrancar a própria pele com as unhas que se iam desfazendo à medida que as chagas proliferavam em toda sua excrescência humana. O pânico e o horror foram a única ordem estabelecida no planeta e, no meio da devassa, dos gritos horrendos dos pustulados e, da imensa cratera de mortos-vivos em que a Humanidade se transformara, apenas restaria a oclusão de uns quantos - poucos...muito poucos - que os deuses deixaram viver em preces e orações, clemências, súplicas e vivências quotidianas. Mas, ainda assim, escorraçados das suas vidas anteriores como carraças deitadas por terra em lugares inóspitos do planeta. Mas salvaram as crianças! Eu fui uma delas, uma das poucas privilegiadas que os deuses e, o meu Deus, me anunciou em continuação e multiplicação em prol de uma certa benemerência dos deuses estelares dos Anunnaki até ao Reticulli. Dizem que não são o inimigo mas sim o próprio Homem que se debateu até ao fim dos tempos com essa mácula sem honra e sem glória de se ter deixado erradicar do planeta Terra por vias da sua ignomínia em hegemonia e nepotismo sobre outros.

O Tempo Futuro
O meu futuro é hoje! Sou eu que o faço, ainda que pouco me sobre para tal. Possuo um quintal onde tenho umas sementes que crescem pouco mas que dia-a-dia me vão dando a esperança de com elas, poder fazer um matagal de sementeiras e legumes frescos para que não sofra uma espécie de igual escorbuto como os marinheiros quinhentistas de séculos há muito para trás deixados. É tudo racionado mas frutuoso, pois os rios e os mares estão lenta mas gradualmente a serem puxados para trás em seus leitos próprios de antes do Grande Dilúvio. Ficou um cheiro a morte, a mar seco e selvagem, a podre! O sábio-mor disse-me que tinham de incinerar tudo à sua passagem para a não proliferação de doenças e pandemias. Que levou muito tempo a tudo ir ao lugar mas que havia esperança para que o planeta Terra voltasse a ressurgir das cinzas e, de toda a sua inclemente sorte ou destino dos céus em civilizações superiores mas ainda assim traiçoeiras também que não quiseram legitimar os povos da Terra em inquirição ou sequer absolvição de todos os seus pecados. E arrasaram tudo! Para que...se começasse tudo de novo! E é essa esperança que «eles», os das estrelas, os da grande esfera celestial nos admitem, se acaso tivermos aprendido a grande lição de vida de que o planeta em que vivemos e habitamos não é nosso, apenas nos é emprestado em nosso escasso tempo de vida humana. Daí não haver animais, tanto em sustento como em domesticação ou sequer para ensejo de auxílio laboral doméstico, rural ou outros. Temos de ser nós, seres humanos, a soerguer tudo de novo sem lamentos, quebrantos ou sevícias individuais em cilícios futuros do que já sabemos não poder interferir com as forças do Universo que nos regem! Temos de respeitar. Temos de seguir em frente! O amanhã é hoje!

Tempo Presente
Estou feliz. Tenho o amor que escolhi do meu lado. É trabalhador, árduo e esforçado. Penso que representa o melhor do ser humano em perseverança, correcção e um certo dinamismo empreendedor nestes novos tempos que vão correndo em pouco ócio e muita labuta. Já temos um pequeno jardim de flores silvestres e agrestes mas de uma beleza única em todo o seu pouco potencial de flora existente. Tem cor, tem vida e isso é o melhor que se pode almejar nestes difíceis tempos de reconstrução de um lugar, um pequeno sítio nosso, uma pequena enseada ou uma pequena parcela de terreno mesmo que encrespada e escarpada na montanha quase estéril de vida. Escolhi a Serra da Estrela - após os cuidados, educação e crescimento na Estremadura da extinta Ibéria na Península de igual nome - em que pouco ficou do litoral conhecido e muito das águas em vértice maligno sobre territórios inundados, à semelhança da Atlântida perdida ou Lemúria inalcançável! Mas resistimos. E mesmo a 1600 metros de altitude em que o ar se come de tão puro ser e, os poucos recursos que possuímos se nos envolverem como filhos em regaço, termos tudo para ser felizes. O Sol nasce todos os dias, a água potável abunda e tenta-se reter em resíduos e recipientes próprios para a continuação de rega e consumos domésticos que nesta época tem outro valor e mesmo outra simbologia em divina e tentacular magia do que temos de fazer e desenvolver em novos artifícios deste novo mundo.
Estou sentada numa cadeira esconsa de madeira que oscila e por vezes me desequilibra a harmonia perfeita da visualização desta maravilhosa serra - designada anteriormente por Serra da Estrela - em que aconchego o meu filho ainda no útero, ainda em mim e lhe prometo que um dia ele vai correr mundo e vai ser senhor de tudo em liberdade e esperança. E vai ajudar a reconstruir a nossa amada Terra, sendo crente, sendo piedoso, sendo merecedor enfim de toda a magnificente vida que Deus nos deixou viver em continuação no planeta. E vai ser grande! Vai ser maior que os deuses...tão maior que «eles» o engrandecerão e vénias lhe farão, pois que é descendente do deus Enki e da amada Ninmah, obstinando-se sempre e eternamente a maus seguidores de Alalu, corroborando com Anu, herdeiro dinástico dos vindos para a Terra de Nibiru.
E eu, Aleunam de meu nome vou ser a tua maior admiradora, por mim e teu pai Siul, que orgulhosamente em pranto de alegria e de incomensurável glória de teus dias, te enunciaremos como fiel sucessor desse povo na Terra e, pelo qual, nós te defendemos e fomos salvos para que visses a luz do dia deste novo mundo em nova era planetária de uma só gente, uma só Terra finalmente em paz nos homens de boa vontade! E essa, é a grande esperança de todos nós...que o ser humano singre, que o ser humano se salve até das suas própria limitações - obsoletas e instituídas idiossincrasias - e possa finalmente descobrir a felicidade na esperança de uma vida melhor, mental e física, presciente e espiritual, divina e celestial! E por tudo isso, eu - tua mãe - te consagro a divina obra do Senhor em Deus do Universo em seguimento, continuidade e sacramento pelos povos na Terra! Assim seja então! Por todos nós, Humanidade!