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sexta-feira, 11 de julho de 2014

A Pedra Fálica


Linga Hindu - Templo de Mahabalipuram - Tamil Nadu               Índia

Será efectivamente - como reportam os mui antigos textos védicos - a forma em representação do Céu e da Terra, no princípio criador da vida? As pedras lisas em forma de ovo ou de falo insinuarão em si essa verdadeira representação também da auto-existência do deus Shiva? Que divindades de pedra são então estas, veneradas por toda a Índia, numa intensa e crente veemência por todos os fiéis?

A Divindade na Pedra
Desde a Idade do Ferro (a partir de cerca de 1400 a. C.) que se pensava que essas pedras enigmáticas caídas do Céu - os meteoritos - eram rodeadas por uma aura sagrada. Afinal, vinham directamente da Morada dos Deuses! Acreditava-se que, a divindade estava presente nas pedras nuas do Céu.

Pedras Admiráveis
A ideia da imagem transcendente de Deus na pedra é um tema que se conservou ao longo de vários séculos. Quando, no século II a. C., os Romanos foram a Pessinus (actual Ballihisar), na Ásia Menor, procurar a imagem da Deusa-Mãe aí adorada, deram com uma pedra que se dizia ter caído do Céu.
O único ídolo do tempo do paganismo Árabe que o Islão integrou, foi a «Har al-Aswad (Pedra Negra) - o meteorito emparedado na Caaba de Meca.
Na Antiguidade, no santuário de Afrodite em Palea Pafos, (actual Kouklia) - no Chipre - a presença da divindade era adorada numa pedra nua e negra.

Os Santos na Pedra
No tempo do despertar do espírito científico da Renascença, existem ainda curiosos remanescentes desta fé no Ocidente.
Na sua célebre obra "Mundus Subterraneus" (uma história natural do Mundo e do Cosmos, abrangendo os conhecimentos mais recentes da ciência da época), o padre jesuíta Athanasius Kircher (1601-1680) mostra formações de pedra representando figuras de santos e símbolos cristãos, supostamente encontrados por acaso.

A Forma do Início - O Princípio da Vida
Os Indianos ainda hoje adoram os seus deuses em pedras nuas, normalmente de forma oval ou cónica. Fala-se de um «Svayambhu murti», (uma imagem existente por si só).
Na "História da Criação" de Manu - o antepassado do ser humano - o Svayambhu é descrito como a causa primeira e inexplicável: o que é por si mesmo, gerado por Brama. Ou seja, as coisas do Mundo dos Fenómenos existem por si só, pois encerram em si a força das ideias.
As pedras representam o «Hiranyagarbha» (Ovo de Ouro), que nos antigos textos védicos é a forma do início - que contém o Céu e a Terra e, simultaneamente representa o princípio da vida!

A Pedra de Shiva
Os Svayambhu-lingas têm um significado especial. As pedras lisas em forma de ovo ou de falo, normalmente encontradas nos rios sagrados, são consideradas representações auto-existentes do deus Shiva. Estas pedras são transformadas em lingas - nas cerimónias especiais - e passam a constituir a morada do deus Shiva.
Enquanto representação artística, «o Linga» é um falo estilizado coroado de chamas, cujo núcleo contém Shiva.

O Yagannatha de Puri
Os Indianos veneram os seus deuses não só na pedra mas também noutros materiais em bruto. Existe em Puri um importante culto do deus Vishnu - Senhor do Mundo - (Yagannatha), adorado no seu santuário na forma de uma simples estrutura de madeira. Segundo a lenda, o rei Indradyumna de Avanti, encontrou numa floresta perto de Puri - onde o «deus Azul» Vishnu era adorado - um bloco de madeira no qual o arquitecto celeste Vishvakarma modelou três deuses: Yagannatha, Balabhadra e Subhadra.
Estas divindades são representadas hoje, por simples estacas de madeira com cepos a fazer de braços e um torso sem pernas. Os olhos e a boca são pintados a cores.

À semelhança das colunas-linga - as chamadas pedras-cobras - representam Shiva, o deus supremo dos Hindus. O símbolo da fertilidade é frequentemente pintado com pontos vermelhos - sinais da casta mais elevada, os Brâmanes - e, ao mesmo tempo, expressão de uma religiosidade profunda.
Em frente do templo e inserido neste - no templo de Mahabalipuram, no Sul da Índia - encontram-se os referidos lingas (falos) na representação do deus Shiva. Quem o templo visite, sentirá a sua energia presente em que, mesmo para os ocidentais, reverterá em respeito e compenetração do que hipoteticamente nos sugestiona também ser, a efectiva representação da criação ou princípio da vida - imbuído nestes lingas.
Pela Humanidade em poder de princípio, seguimento e continuação desse tão magnânimo poder criador, assim desejamos em venerável consideração que assim se possa eternizar em cultura e, conhecimento! Que assim seja então! Por todos nós, Humanidade!