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terça-feira, 1 de julho de 2014

A Casta Sacerdotal


Templo de Meenakshi em Madurai                                  Índia

Considerados os eleitos no Hinduísmo - os Brâmanes - celebrando ritos especiais que representam a comunicação com o divino, serão desta forma, os emissários de Deus ou os arautos na Terra de uma ou mais mensagens dos céus em ensinamentos e seus conhecimentos? Serão eles a estrada mental que une o Céu à Terra em palavra, sabedoria e seguimento...?

Vedas e Upanixadas (II)
A casta sacerdotal dos Brâmanes acrescentou mais tarde aos Vedas outras instruções que regulavam a aplicação prática do seu conteúdo. Estes textos, chamados Brahmanas, contêm preceitos para os rituais, comentários filosóficos e inúmeras lendas e contos.
Existem também nos Vedas suplementos sobre cultos e ritos, proibidos aos não iniciados. Estes escritos ocultos chamam-se «Aranyaka» porque só podiam estudar-se individualmente no isolamento da floresta (Aranya).

Atman e Brahman
A cosmovisão mágica dos Vedas e Brahmanas, foi superada na etapa seguinte da literatura védica. Pela primeira vez elaborou-se filosoficamente o conceito da identidade do «Eu individual» (Atman) e da causa primitiva, da suprema totalidade divina (Brahman). Este grupo de obras de conteúdo místico, chama-se Upanixadas e teve origem por volta de 800-600 a. C. A palavra quer dizer aproximadamente «sentar-se junto de alguém» e significa sentar-se aos pés de um Mestre (Guru) para ouvir os seus ensinamentos secretos. A influência dos Upanixadas não deve ser subestimada.
Estes escritos não só marcaram decisivamente o pensamento indiano como, além disso, influenciaram a Filosofia Helenística. Muitas das suas ideias chegaram por este caminho ao pensamento místico do Ocidente.

As Grandes Epopeias
Os Vedas acabaram com os Upanixadas. Seguiu-se-lhes a literatura épica, que, apesar de conter personagens mortais, manteve o tom moralista dos Upanixadas. As obras épicas mais importantes chamam-se Mahabharata e Ramayana, nas quais os antigos deuses védicos desapareceram quase por completo.
As divindades mais importantes são agora Brama, o criador, Vishnu, o protector, e Shiva o destruidor. Tal como o sistema religioso hindu é multifacetado, também as características dos deuses são apenas aproximações à sua essência multiforme.

O Mahabharata
A autoria dos 106 mil versos do Mahabharata é atribuída ao sábio místico Vyasa, mas entre o século V e o II a. C., vários autores deram o seu contributo para esta obra, a mais extensa da Literatura Mundial. Sobretudo os romances de Damayanti (o Rei possuído por um demónio que abandona a sua esposa Nala por amor e para a proteger de si próprio) e, o maravilhoso poema da fiel Savitri (que se entrega tão sinceramente ao deus da Morte Yama que este lhe devolve o marido morto) - tornando-se assim em contos populares sobre a fidelidade conjugal. A história principal do Mahabharata conta a luta entre duas famílias do ramo Bharata, os maldosos Kaurava e os virtuosos Pandava.
A guerra inflama-se por causa da partilha do reino do cego Dhritarashtra. Nesta história existe uma secção filosófica importante, o Bhagavad-Gita («Cântico do Sublime»), em cujo ponto central se encontra a adoração do deus Crishna, uma encarnação de Vishnu.

O Ramayana
O lendário santo e poeta Valmiki, é considerado o autor da narrativa épica mais antiga da literatura sânscrita, o Ramayana («A Vida de Rama»).
Rama, é outra encarnação do deus Vishnu. Os contos, que giram em volta do rapto da sua esposa Sita - pelo Rei dos Demónios Ravana - são de tal modo ricos que, o Ravayana e o Mahabharata, se tornam as mais importantes colectâneas de todos os géneros da Literatura Indiana.

Cerimónias Rituais
Os ritos desempenham um papel muito especial no culto dos Brâmanes, uma vez que representam a comunicação com o divino. Na vida dos Hindus, são omnipresentes e intransponíveis na sua totalidade e, multiplicidade. As imagens divinas ocupam neles um lugar muito especial: não simbolizam apenas o local onde o divino se manifesta: na sua adoração, o fiel estabelece um contacto pessoal com a divindade. Por isso, a adoração das imagens divinas pelos Brâmanes, obedece assim a um ritual tão complexo no santuário familiar como no templo.
Esta cerimónia ritual chamada «Puja» - realizada diariamente em torno da imagem divina - inclui uma sequência de práticas, orações, cânticos, abluções e purificações - por exemplo, com incenso.

Conceitos do Hinduísmo
Atarvaveda - Um dos Livros Sagrados Hindus. Foi escrito por volta de 900 a. C. e contém fórmulas mágicas.
Atman - Assim se chama no Hinduísmo o «Verdadeiro eu», que pode descrever-se da seguinte forma: quando o ser humano se despe da sua vontade, pensamento, sentimento, etc., atinge uma centelha do seu eu, que nunca pode ser modificado.
Brahman - Se Atman é o «Verdadeiro eu» do Homem, Brahman é o seu equivalente relativamente ao Universo. No fim, Atman e Brahman têm a mesma natureza.
Brama - Um deus, considerado o criador do Céu e da Terra.
Karma - O peso simbólico dos actos passados, que o espírito adquire em cada nova encarnação. O Karma é mau ou bom. O mau, pode sempre ser melhorado.
Drama - Com este conceito, os Hindus descrevem «o que constitui o verdadeiro ser». Significa moral, ética, organização e Leis do Universo. E ainda, os princípios da Religião.
Moksha - A Libertação de todas as vidas, objectivos e culpas anteriores. Relativamente à Reencarnação, indica o esforço para viver a vida actual livre do peso anterior.
Samsara - Os Hindus acreditam que o Espírito do ser humano renasce continuamente num corpo novo, logo que o antigo morre. Samsara significa a «Roda da Reencarnação».
Vishnu - Um deus que, segundo o Hinduísmo, criou o Universo - separando o Céu da Terra. Do seu umbigo brotou uma flor de Lótus, da qual nasceu Brama - o criador do Céu e da Terra.
Shiva - Uma das principais divindades hindus. É adorado como deus do Ascetismo e, deus do Falo.

Os templos hindus - como o de Meenakshi em Madurai - testemunham a diversidade do Mundo divino. Entre os deuses mais conhecidos encontram-se Brama, Vishnu, Shiva, Crishna e Ganesha, sendo Crishna uma encarnação de Vishnu. Ganesha - um deus de barriga grande, filho de Shiva - é o deus da sabedoria e, da Astúcia! Todos divindades, todos oradores e proclamadores das leis divinas, das Leis do Universo.
Em futuro próximo e, a bem das gerações a cumprir, só nos restará clamar e seguir esses mesmos ensinamentos em beneplácito e beatitude universal, do muito que a Humanidade ainda tem por compor e, descobrir. A bem desta Humanidade que todos somos em parte integrante e envolvente, assim seja então!