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quinta-feira, 3 de abril de 2014

A Sociedade Secreta


Símbolos da Maçonaria ou de Lojas Maçónicas

Que sociedades secretas são estas que, através da expressão e processos de revelação e, iluminação, se tenta transmitir aos seus seguidores e iniciados os variados conhecimentos esotéricos? E que sabedoria secreta é esta que desde a Antiguidade se arroga sobre as acções de culto em cadência de graus, numa espiritualidade individual, jamais partilhada com outro alguém?

"Ninguém pode nem vai saber
 O que confiamos uns aos outros.
 Pois foi com base no silêncio e na confiança
 Que o Templo foi erigido!"
                                                                     Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)

Sociedades Secretas
As civilizações com menor grau de evolução e mais ligados à Natureza, por exemplo os Aborígenes Australianos, atribuem às associações de carácter secreto uma importante função social. Estas associações assumem um papel central na vida da comunidade e, nelas, são aceites exclusivamente homens! Talvez se trate de um resquício de um comportamento tendente a contrariar os cultos que em tempos arcaicos estavam organizados segundo uma lógica matriarcal. Como sinal de pertença a uma associação secreta, o iniciado possui determinadas máscaras que representam o espírito de um antepassado e que, são usadas em situações de celebração de rituais.

A Sociedade de Pitágoras
Nas culturas ocidentais formaram-se sociedades secretas com vista à transmissão de conhecimentos esotéricos. Uma vez que este tipo de conhecimento pretende revelar os segredos do mundo e, da existência, de acordo com a teoria esotérica não pode ser aprendido, mas apenas ser tornado acessível no plano da experiência pessoal, através de ritos e de símbolos. Essas sociedades secretas existiram desde os remotos tempos da Antiguidade. Particularmente conhecida era a sociedade secreta de Pitágoras (c. 570-480 a. C.), na qual apenas os alunos mais avançados eram iniciados em todos os segredos pitagóricos. O seu símbolo característico era o Pentagrama.

Os Pedreiros-Livres
As associações de canteiros da Idade Média, que se reuniam em cabanas de madeira «lodges» (em inglês, palavra que deu origem às «lojas» maçónicas) junto às igrejas e catedrais que se encontravam em construção, possuíam uma série de símbolos, tais como o martelo, o compasso, o esquadro, o pentagrama de Pitágoras, dois triângulos inseridos um no outro, etc. Estas associações deram no século XVIII lugar às sociedades secretas dos pedreiros-livres. Organizavam-se em lojas e deram uma nova interpretação moral e, simbólica, às ferramentas e funções do ofício de pedreiro: entendiam-se a si mesmos como pedreiros livres que construíam o «Templo da Humanidade» e que, ambicionavam instaurar uma mentalidade cosmopolita. A Grande Loja de londres foi fundada em 1717 por Theofil Desaguliers, James Andersen e George Payne.

Transmissão de Conhecimentos Secretos
As associações de pedreiros-livres obtiveram a sua aparência esotérica, mediante complexas acções simbólicas e rituais, reservadas em exclusivo aos membros. Ao ser iniciado, o aspirante é conduzido através dos diversos graus do processo de revelação e, iluminação. O que aqui se almeja já não é a vivência de experiências místicas - como se pretendia nas iniciações aos mistérios na Antiguidade - mas sim, a transmissão de conhecimentos esotéricos. Só nos graus mais elevados, como é o caso do rito escocês, é que esta «sabedoria secreta» é transmitida. A vivência pessoal das acções de culto em cada um dos graus, através das quais os conteúdos esotéricos vão sendo transmitidos, constitui o segredo dos pedreiros-livres.
Esta experiência pessoal, com a qual se ambiciona a união espiritual de todos os Irmãos pertencentes à associação, é individual e impossível de ser partilhada com mais alguém!

Cagliostro - O Arquifeiticeiro
Muitas personagens suspeitas e duvidosas sentiram-se atraídas pelos ritos secretos e, ensinamentos da Maçonaria. Fundaram a sua própria associação secreta e anunciaram não apenas a transmissão de conhecimentos secretos, prometendo também conceder poderes ocultos aos seus adeptos.
Um antigo ajudante de apotecário de Palermo, chamado Giuseppe Balsamo mas conhecido como conde Alessandro Cagliostro (1743-1795), tornou-se particularmente conhecido. Fundou um sistema egípcio da Maçonaria, que através de ritos fantásticos exerceu uma enorme atracção sobre os seus contemporâneos e finalmente, acabaria por dar substância ao paradigma de embusteiro e, feiticeiro intriguista, que sabe manipular a imbecilidade das pessoas em proveito próprio.

As Promessas de Cagliostro
Cagliostro prometia aos seus apoiantes a «perfeição através de um renascimento físico e moral». Esta, era obtida mediante uma clausura de 40 dias num quarto isolado, a sujeição a um jejum rigoroso e, a administração de algumas gotas de uma tintura misteriosa que o próprio grão-mestre Cagliostro fornecia.
No 33.º dia apareciam os sete primeiros anjos criados por Deus e, sobre um pergaminho com uma preparação especial, estes deixariam impresso o seu sinete. No 40.º dia, os escolhidos receberiam da mão dos anjos uma figura geométrica e nesse momento a sua inteligência e, juízo, tornar-se-iam incomensuráveis.

Ao longo dos tempos a imaginação fértil, alada a uma misticidade e sabedoria secreta que muitos apelavam e clamavam em si, fez com que estas sociedades secretas se ramificassem exponencialmente - até aos dias de hoje! Promessas vãs em associação e organização esotéricas ou simplesmente a pertença de conhecimentos que dizem ter e obter nas diversas celebrações rituais ao longo dos séculos, o certo é que mesmo na actualidade estas nos induzem num certo mistério - e por vezes receio - de algo estranho se revelar sobre nós. Embuste ou verdade são fronteiras e mesmo barreiras que muitos de nós ainda não alcançámos, seja em vertentes maçónicas - ou outras - de filosofias ou ideologias contrárias ao que até aqui nos regiam e, seduziam. Estando em pleno século XXI, o Homem tem a necessidade de saber mais, de se alongar em conhecimentos e, de se autenticar mais sapiente e mais evolutivo, nessa consciência de não ser só um mero corpo destituído de alma ou razão mas, podendo cair nas falsas promessas de trapaceiros e mentirosos, esses novos raciocínios e presciências poderem efectivamente não serem correctos ou exactos. Seja como for, haverá ainda muito a aprender, a consciencializar e a reestruturar em novas e duradouras mentalidades, a verdadeira essência humana em corpo, mente e alma todas numa só consistência!
A bem de todo esse conhecimento e de toda uma só verdade, assim possa continuar a ser! A bem da Humanidade!