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terça-feira, 8 de abril de 2014

A Alma do Mundo


Estátua consagrada a Giordano Bruno - Monge Dominicano - Filósofo do Renascimento
Praça «Campo dei Fiori»                     Roma-itália            

Estaria assim tão errado - ou inversamente, tão próximo - na concepção da Ciência moderna e da Filosofia, o mui avançado para a sua época, Giordano Bruno? Subversivo ou visionário na crença da imensidade das almas conscientes e, independentes, num todo único como alma do mundo? E como chegou este à célebre conclusão da existência de outras «terras» em redor do Sol, de outros seres vivos nesses outros mundos?

Os Mundos Infinitos de Giordano Bruno
As esperanças de uma renovação religiosa terminaram a 17 de Fevereiro de 1600, quando Giordano Bruno encontrou uma morte dilacerante nas chamas da fogueira. A Inquisição havia emitido o seu veredicto e, após sete longos anos em que Bruno permaneceu encarcerado, cumpriu a sentença. Mas que fizera afinal este filósofo de 52 anos assim de tão subversivo?
Giordano Bruno desenvolvera corajosamente uma visão do Universo bastante arriscada para a época em que vivia. Ele considerava que, cada alma individual, ambicionava alcançar «a mais bela instância do pensamento e da evolução intelectual, os quais são conciliáveis com a sua própria natureza, sendo que, toda a imensidade das almas conscientes e independentes, se funde num todo gigantesco - uma espécie de alma do mundo»!

O Filósofo do Renascimento
Giordano Bruno nasceu em 1548 em Nola, perto de Nápoles. Ingressou na Ordem dos Dominicanos, estudou e por fim revolucionou todo o conhecimento até então aceite como válido acerca da existência humana com a sua teoria heliocêntrica - que concebia o Universo como estando o Sol e não a Terra no centro do sistema dos mundos - para além de pressupor também a imensidão e, infinidade do Universo, e a grande quantidade e igual valor dos vários sistemas de mundos.
Tudo isto eram assim afirmações que punham em causa e que - consequentemente - abalavam, e atacavam a concepção do mundo até então sustentada pelas autoridades teológicas, religiosas e políticas. Foi obrigado a fugir (1576) e deu aulas nas Universidades de Genebra, de Paris, de Oxford e de Wittenberg.
Em 1591, em Veneza (Itália), foi vítima de uma acusação apresentada ao Tribunal da Inquisição.
A Filosofia panteísta e cósmica de G. Bruno sustenta que o mundo é Deus, que o mundo envolvente é o modo de Deus existir. Assim, não foi por intermédio da Criação de Deus que o mundo começou a existir. Deus está em tudo, é o somatório de todo o mundo, tal como o mundo acaba por ser um desdobramento das múltiplas facetas da sua própria existência divina.

Centelha Divina ou Alma do Mundo?
As afirmações de Giordano Bruno eram polémicas. Para este espírito, um dos mais significativos da sua época, o cosmos era constituído por uma infinidade de mundos. Cada um destes mundos, defendia ele, era formado por pequenas partículas, «as mónadas». Bruno socorreu-se de conceitos já formulados por filósofos gregos como Euclides (427-348/47 a. C.). Os mundos seriam assim compostos de uma «infinidade de mónadas», cada uma das quais ambicionava atingir a sua própria perfeição.
Giordano Bruno chega então assim e, surpreendentemente próximo, de terrenos que a Física Quântica moderna explorou. Também o estudioso alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) continuou a desenvolver estas ideias na sua teoria das «mónadas». De acordo com ela, a realidade é atravessada por uma matéria anímica - uma espécie de átomos espirituais - que a compõem.
Mais tarde, Giordano Bruno foi acusado de que a sua obra estava eivada de elementos antigos então provenientes da magia. Ainda assim, o russo Alexander Koyré (1882-1964), historiador da Ciência, constatou com toda a razão que a concepção de Bruno era de facto «tão frutuosa e poética, que não podemos deixar de nos render à admiração. O seu pensamento influenciou tão profundamente a Ciência moderna e a Filosofia que, não podemos senão atribuir-lhe um lugar de extraordinário destaque, na História do conhecimento humano».

Os Extraterrestres
"Existe um sem-número de terras que giram em redor do seu Sol...Os seres vivos povoam esses mundos."
Estas afirmações aladas às ideias ousadas de Giordano Bruno contradiziam assim a doutrina professada pela Igreja. O homem medieval encontrava-se, em termos de pensamento, num espaço estático, finito e perfeitamente organizado. Nesse sistema, tudo possuía uma determinada função e, uma determinada posição. O temor dos poderes estabelecidos de transformações súbitas e radicais, levava a uma terrível repressão e, condenação, daqueles que ameaçassem a ordem e ousassem enveredar pelo progresso.
Giordano Bruno tornou-se assim um símbolo de liberdade e, do pensamento!

A ideia de um sistema heliocêntrico - inicialmente concebida por Nicolau Copérnico (1473-1543) e desenvolvida por Giordano Bruno - veio revolucionar e pôr em causa a teoria geocêntrica do sistema de mundos até então vigentes. A teoria do matemático e astrónomo Nicolau Copérnico explicava as transformações e rotações do Firmamento com base na rotação da Terra e, o percurso anual desta em redor do Sol. Recorreu, porém - ainda - à noção aristotélica das órbitas excêntricas, como o calcógrafo Christoph Cellarius representa em 1660 num modelo de planetas incluído na sua obra: "Harmonia Macrocosmica".

Giordano Bruno ficará para a História Universal e dos homens, como o grande percursor e fundador de ideias tão revolucionárias quanto a sua enorme inteligência e aprumo estudioso. Investigador das Ciências Naturais e monge Dominicano, realizaria uma das maiores e, impulsionadoras afirmações - igualmente e, extremamente revolucionárias para o seu tempo - segundo a qual, não seria a Terra mas sim o Sol, a estar situado no centro do sistema dos mundos, pondo assim em causa a concepção do mundo vigente e, a ordem até então reconhecida e inquestionável.
Este filósofo do Renascimento representa ainda e em grande parte o Neoplatonismo com os seus interesses ocultos e mágicos, mas o certo é que a concepção do mundo que introduziu, deitou por terra as noções medievais acerca da Criação Divina. Para além disso, a consciência da sua missão religiosa e política concorreu para que fosse levado diante do Tribunal da Inquisição e para que, por último, morresse na fogueira, sucumbindo assim com todas as suas ideias revolucionárias que a Igreja se incumbiu de apagar.
Fazendo justiça então à sua obra em reiteração e repercussão na História, lembrar-nos-emos para sempre de toda a sua elaborada investigação - que pagaria com a vida - em tempos que não deixam de facto boas memórias do que a Igreja e seus seguidores de então, se resumiam. Para sempre ficará este iluminado monge Dominicano que, através dos tempos e de todos os seus intensos estudos, nos autentica a glória e incentivo de continuação - e afirmação também - do muito que estaria à frente na época vivida e agora, nos referencia em eloquência na pluralidade de conhecimentos havidos. Só nos resta acrescentar: glória ao seu nome e, a todo um futuro conhecimento para as gerações futuras da Humanidade! Que assim seja!