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quarta-feira, 2 de abril de 2014

A Bizarra Idolatria


Baphomet - Suposto Ídolo dos Templários

Quem terá sido verdadeiramente este ídolo dos Templários? Mesmo fazendo-se justiça sobre esta contradição de bizarra idolatria a um suposto demónio - ao longo dos tempos - que adoração era efectivamente esta em símbolo apresentado à luz da vela pela meia-noite em ritual estranho para quem se dizia seguidor e protector da figura de Cristo? E que sabedoria encerravam aí numa atmosfera entre o medo e, a consciência de algo maior que ainda hoje nos fascina e atemoriza igualmente?

Baphomet - O Ídolo Secreto dos Templários?
Os Templários são ainda hoje uma das sociedades mais discutidas de todos os tempos. Existiram e ainda existem tantas histórias, lendas e boatos acerca da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo que os livros sobre este tema dariam facilmente para encher uma biblioteca.
A Ordem que durante 200 anos participou activamente nos destinos da política mundial não perdeu nenhum do seu fascínio.

O Processo contra os Templários
A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo, como na verdade se chamava, foi fundada em 1118 para proteger os caminhos percorridos pelos peregrinos na Terra Santa. Não tardou, no entanto, que adquirisse um enorme poder, possuindo enormes propriedades, de Inglaterra a Chipre, e numerosos mosteiros e povoações, para além de dispor de uma riqueza imensa, lendária ao longo dos tempos.
Em 1307, para se apoderar dos seus bens, Filipe - o Belo, Rei de França (1285-1314) - mandou prender os Templários, acusando-os de heresia. Uma das principais bases de acusação era que, os Templários adoravam um misterioso ídolo de barba que consideravam o Salvador.
As actas do processo falam muito deste ídolo, ao qual diversas vezes chamam «figura Baffometi» ou «Baphomet». É possível que se quisesse estabelecer com este nome uma associação com «Maomé» para fundamentar a acusação de que os Templários se teriam aproximado da fé muçulmana na Terra Santa. Mas o que era de facto esse ídolo dos Templários? Quem adoravam eles realmente?
Os historiadores ainda hoje não são unânimes quanto ao que se esconde atrás de Baphomet e toda a sua envolvente atmosfera de medo, temor ou simplesmente veneração a algo maior que nos transcende.

Depoimentos Contraditórios
Os diferentes depoimentos dos Irmãos durante os interrogatórios que se seguiram não facilitaram em nada a identificação real de Baphomet, que é quase sempre descrito como a cabeça de um homem com barba. Às vezes parece ter-se tratado de uma estátua e outras de uma placa; umas testemunhas dizem ter visto figuras grandes e outras contam que o Mestre da Iniciação teria, na altura devida, tirado o ídolo do bolso do casaco. Jean de Turno, o tesoureiro do Templo de Paris, fala apenas da «cabeça de um homem com barba». Para o Irmão Bartolomeu Bochier, o ídolo usava um barrete e tinha uma barba comprida e grisalha. Seria feito de madeira, metal ou osso. Ás vezes, as descrições do ídolo dos Templários adquirem um tom grotesco: «a pequena imagem de um leão, toda de ouro, com a aparência de uma mulher».
Abraham Bzovius, que deu continuação à história da Igreja do cardeal Baronius, sabia que a cabeça tinha um rosto pálido, «quase humano», e cabelo preto e frisado. Os Templários teriam escondido esta temível estátua numa cavidade debaixo da terra.

Uma Prova Falsa
Parece que existiam muitas cópias de cabeça, guardadas nos vários capítulos da Ordem. Algumas descrições fazem pensar numa escultura, numa espécie de relicário em forma de cabeça adornado com pedras preciosas, como era costume naquele tempo. Foi o que também suspeitou a acusação, que encarregou Guillaume Pidoye, administrador do rei e guardião dos bens dos Templários, de procurar cabeças de madeira ou de metal no Templo de Paris.
Passadas muitas semanas, este apareceu com um objecto de ouro na forma de uma cabeça de mulher, no qual se encontravam os ossos de um crânio, embrulhados num pano, juntamente com um documento que dizia: «Capud LVIII» (Cabeça número 58). É evidente que Pidoye foi a uma igreja qualquer buscar um relicário, que continha talvez uma relíquia. Estes relicários em forma de cabeça eram muito apreciados e correspondiam ao gosto da época. No entanto, Guillaume d`Arreblay, preceptor de Soissy e antigo administrador real dos impostos, afirmou que aquele não era o ídolo, pois a cabeça adorada nos capítulos teria dois rostos, barba e uma aparência terrível. Além disso, o ídolo seria mostrado em dias de festa e com certeza que ele o reconheceria.

Declarações dos Superiores da Ordem
Se a cabeça fazia parte do ritual de um culto secreto, então era de esperar que sobretudo os membros que ocupavam posições mais elevadas dentro da Ordem pudessem dar indicações precisas.
Raul de Gisy, preceptor de Champagne, afirmou ter visto o ídolo em sete capítulos. Seria a terrível figura de um qualquer demónio a que se chama «Maufé» em França. De cada vez que o via ficava com tanto medo que só conseguia olhá-lo a tremer de terror. Um outro preceptor, Jean de Anisiaco, estava sempre sentado muito longe do ídolo para ver fosse o que fosse, de quando este era exibido. Além disso, era quase meia-noite e só havia uma vela a iluminar a sala. Um tinha tanto medo que não reparava em nada, o outro declarou que não viu o que quer que fosse porque, apesar de ser um superior da Ordem, estava sentado na última fila e todos - à semelhança dos poucos Irmãos importantes - afirmaram não saber o que era o ídolo! É realmente notável! Curiosamente, as declarações de Hugo de Pairaud também são muito vagas, apesar de ele ser o segundo homem da Ordem depois de Jacques de Molay, mas o mais poderoso.
Como era o próprio Pairaud que exibia o ídolo durante os rituais iniciáticos, seria de esperar que fizesse uma descrição mais específica da imagem por ele adorada. O seu depoimento de 9 de Novembro de 1307 e, de facto, elucidativo. As actas do processo dizem o seguinte: «Interrogado sobre a cabeça acima mencionada, declarou sob juramento que a viu e tocou - num capítulo de Montpellier - e que lhe rezou juntamente com outros Irmãos presentes. À pergunta onde se encontra, respondeu que a devolveu ao Irmão Pedro Alemaudin, preceptor de Montpellier, mas que não sabia se os homens do rei a encontrariam. Declarou também que, a dita cabeça tinha 4 pernas, duas do lado do rosto e duas atrás.»

Ainda hoje se procuram respostas elucidativas ou pelo menos algo que nos possa sugerir o que terá sido este ídolo ou...quem terá sido em figura presente ou eminente símbolo de seguimento e veneração numa estranha e bizarra de facto, idolatria por parte dos Templários. Pode-se resumir em parte também - do que terão sido obrigados em confissão por torturas e malefícios da inquisidora ordenação em interrogatórios intensos por parte do rei - sobre este ídolo e seus rituais tangencialmente satânicos e muito distantes do que seria de supor. Mas, teria sido tudo inventado por vias dessas torturas e morte anunciada? Ou efectivamente esta estranha adoração ter-se-à consumado nas orlas desta Ordem cristã?
Quanto à figura em si, algo nos suscita uma estranheza desde logo à partida pelo que contam as actas em registo documental nos diversos depoimentos todos eles assaz difusos, mirabolantes de imaginação e não correspondentes entre si, talvez querendo então confundir os seus inquiridores em confusão latente. Daí que não seja muito díspar, poder-se enaltecer a devida protecção e augúrio nesta liminar figura adorada de idolatria ímpar que, sendo tão eminente para os Templários - e que ainda hoje se não sabe do paradeiro ou esconderijo em si - se verifique poder tratar-se de algo verdadeiramente divino ou...superior. Gilgamesh tinha barba - o líder supremo dos Sumérios - as figuras mitológicas Gregas também, começando pelo enigmático Zeus ou ainda outros que, no limbo do conhecimento à época pelos gentios, se vivificaria pelos homens da cultura, da palavra e da Ordem: os Templários! Tudo poderá ser hipótese ou especulação histórica por certo, mas muito haverá ainda a reiterar e, acredita-se, a justificar em justiça e argumentação todas as maleitas, imputações e injúrias de que os Templários foram alvo. Será por esse facto que se assevera então, de que seja feita justiça em soerguer o bom nome e distinção do que um dia foram estes homens em poder e consignação na Ordem de Cristo e seus anunciados. A bem da verdade e do conhecimento, assim seja de facto, a bem das gerações futuras e de toda a Humanidade!