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terça-feira, 15 de abril de 2014

A Marca de Jesus


Imagem de Jesus Cristo levando a cruz em suplício

Que poder tão magnânimo é este em Jesus que, ao longo dos tempos, foi criando em seguimento e similaridade - tanto em espírito como em corpo - as idênticas marcas de sofrimento e inclemência em chagas abertas sobre mãos e pés nos chamados estigmatizados? Será somente a imaginação reportada em físico e ostentação de algo cientificamente explicável ou comummente a consignação de Cristo nos demais, crentes e devotos de todo o seu doloroso suplício de outrora?

A Marca de Jesus - Estigmatizados com as Chagas de Cristo
Entre os fenómenos religiosos mais invulgares e curiosos contam-se os estigmatizados - pessoas que exibem no seu próprio corpo as feridas infligidas a Jesus. Um dos primeiros (c. 1224) e mais conhecidos estigmatizados foi São Francisco de Assis, o fundador da Ordem Franciscana. O aparecimento de chagas inexplicáveis é um fenómeno claramente condicionado pela psique. Trata-se de reflexos a nível físico motivados por uma fortíssima capacidade de auto-sugestão, sendo possível em estados alterados de consciência suscitar sintomas físicos invulgares.
Os teólogos consideram esta capacidade como um sinal de carisma. Os médicos e cientistas, por seu lado, empreendem uma abordagem crítica do fenómeno, pois os seus exames e investigações revelavam que muitos dos pacientes que sofriam de doenças histéricas com bastante frequência, infligiam assim estigmas e ferimentos a si mesmos.

Estigmas e Outros Sintomas
A investigação tem revelado que no passado eram sobretudo mulheres que surgiam estigmatizadas e que, na Igreja Ortodoxa até hoje, não houve quaisquer casos de pessoas estigmatizadas.
Estes episódios foram particularmente frequentes durante a Idade Média, quando se deu um desenvolvimento das artes místicas. Já em 920 há relatos acerca de uma jovem chamada Ozanne que foi aceite num convento em Reims. Durante dois anos não terá comido pão nem carne, no entanto mantinha-se com forças. Havia fases em que tinha muitas visões, chegando a ficar durante 7 dias deitada na cama sem se mexer e, a transpirar sangue em vez de suor, o qual - como se causado pelos ferimentos de uma coroa de espinhos - corria pela face, vindo da testa. Certas características e sintomas, por exemplo, uma surdez, cegueira ou mudez passageira, alterações das sensações gustativas, olfactivas e do tacto, bem como espasmos e cãibras, são elementos comuns a quase todos os estigmatizados. Não menos típicas são também as curas espontâneas que se seguem.
Cientistas, médicos e psicólogos são hoje em dia capazes de detectar e, comprovar em muitos desses estigmas e sintomas, a existência de traços psicopatológicos ou deficiências fisiológicas.

A Influência do Espírito
Em 1860, o americano Charles H. Foster causou sensação em Inglaterra por conseguir fazer aparecer palavras escritas na sua pele. Este fenómeno chamado «dermografismo», é considerado uma fase precursora da estigmatização. Sob hipnose é possível induzir a ocorrência moderada destes fenómenos. Se, por exemplo, a alguém hipnotizado for sugerido que uma moeda assente no seu braço está muito quente ou mesmo a ferver, esse pedaço de pele no braço apresentar-se-à efectivamente bastante avermelhado.

O Fascínio dos Sinais
O quanto as chagas dos estigmatizados dependem de noções inconscientes é demonstrado por aquelas feridas que, adoptam determinadas formas simbólicas. No caso da freira estigmatizada Anna Katharina Emmerich (1774-1824), esta viu aparecer no seu peito uma chaga em forma de cruz que se assemelhava à cruz da igreja de Sankt Lambert em Coesfeld, perto de Munster - diante da qual ela costumava rezar.
São sobretudo as pretensas capacidades invulgares dos estigmatizados que tornam o fenómeno tão enigmático. Entre elas contam-se a clarividência, a capacidade de sobreviver sem ingerir alimentos ou, a de aparecer num lugar remoto.
Estas aptidões granjearam ao estigmatizado Francesco Forgione (1887-1968), mais conhecido por Padre Pio, a fama de ser santo. Ontem como hoje - desde tempos idos até à actualidade - este é um fenómeno que atrai muitas pessoas.
O poeta alemão Clemens Brentano (1778-1842) - que viveu durante alguns anos em Dulmen para poder estar próximo de Anna Katharina Emmerich - escreveu acerca da constante afluência de curiosos: "Sofrendo dores violentas, ela tinha de certo modo já perdido o direito de posse sobre si mesma, tornara-se como que uma coisa que toda a gente pensava ter o direito de observar, apreciar e julgar."

A Mártir e Santa, Alexandrina de Balasar (Norte de Portugal)
A beatificação pelo Papa João Paulo II da mártir Alexandrina de Balasar, consagraria o reconhecimento da santidade de uma autêntica Mensageira de Cristo. Alexandrina Maria da Costa, nascida a 30 de Março de 1904 naquela freguesia do concelho da Póvoa do Varzim (Litoral-Norte de Portugal) e também ali falecida, a 13 de Outubro de 1955, testemunhou ao longo de toda a sua vida - através da palavra, do sofrimento e da oração - as virtudes piedosas de quem por completo se entrega a Deus.
Durante mais de 31 anos ficou retida na cama vítima de grave doença na coluna e, nos últimos 13, teve como único alimento e comunhão diária da Hóstia Consagrada. Sofreu no seu próprio corpo frágil - de apenas 35 quilos - as dores lancinantes da Paixão de Cristo. Despertou a fé e, a esperança, em muitos milhares de devotos que há mais de meio século, tornaram a sua antiga casa num local de romagem.
A cura milagrosa de uma devota emigrada em França, serviria assim para concluir o seu processo de beatificação pela Igreja Apostólica Romana.

Agora e sempre aqui ficará a homenagem e respeitabilidade que nos é devida, tanto a Alexandrina de Balasar como a Anna Katharina Emmericho e, a tantas outras figuras de verdadeira submissão e, elevação, a um Cristo ou Deus maior que as velaria, subjugando o querer em corpo e alma. Comprovadas as suas santidades - ou não - para quem seja mais céptico na razoabilidade dos factos e argumentação científicos, o certo é que ainda carece de explicação e certificada conclusão do que se terá imposto em chagas abertas, sofrimentos muitos e, suplícios na carne e no espírito de todos estes devotos.
A bem de toda a essência da Humanidade, a verdade, o conhecimento e toda a sua crença possa continuar a ser estudada e, a ser igualmente registada em vontades, fé e veemência, seja qual for a crença em que se acredite ou siga no limiar dos tempos. Assim seja então!