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quarta-feira, 30 de abril de 2014

A Ordem de Confúcio


Estátua-Escultura do Filósofo Chinês Confúcio

"Age antes de falar e fala como agiste!"     - Pregação de Confúcio -

Confúcio e Lao-Tsé
O período que medeia entre 700 e 400 a. C. foi uma época de grande produtividade espiritual. Buda ensinava na Índia, Zaratustra na Pérsia e, no reino de Israel, os profetas Jeremias, Ezequiel e Isaías anunciavam a próxima vinda do Messias.

Mestres da Sabedoria
Foi também nestes séculos que viveram os filósofos mais importantes da China: Confúcio e Lao-Tsé. Enquanto a existência histórica de Lao-Tsé não pode ser demonstrada sem margem para dúvidas, sabe-se que Confúcio nasceu em 551 a. C. no Estado Chinês de Lu, actualmente Shandong.
Pensa-se que Lao-Tsé trabalhou como arquivista sob o nome de Be Yang na corte do Imperador em Chengzhou. É a ele que se atribui o «Tao Te King» («Livro da Via e da Virtude»), cuja sabedoria constitui a base da filosofia do Tauismo actual. Os textos que contém são um guia para a felicidade interior, respeito, não-violência, tolerância e serenidade. Lao-Tsé, que tinha muito em comum com Confúcio, incitou o ser humano a pôr o próprio espírito em ordem antes de começar a ordenar o mundo exterior.

Confúcio - O Mestre
Confúcio deixou-nos muitas obras. Os seus cinco livros mais importantes - os cinco King - influenciaram o pensamento e a cultura da China, até aos nossos dias. Para se compreenderem os ensinamentos de Confúcio, é preciso situá-lo na sua época - um tempo de instabilidade política e, económica, durante a dinastia Tcheu (séculos XI a III a. C.).
O reino central ao qual pertencia a província onde Confúcio nasceu, era rodeado por estados vassalos em constante guerra contra o rei. Lutas pelo poder, revoltas e, uma monarquia cada vez mais absolutista, marcaram assim a vida de Confúcio.
Digamos, por isso, que criou mais uma Ordem - que parecia não existir no seu tempo - do que propriamente uma filosofia de vida. Assim, pregou a moralidade, o decoro e a humanidade, virtudes que, segundo a tradição chinesa, caracterizavam as sociedades mais antigas.
Uma das suas pregações dita assim: "Age antes de falar e fala como agiste!" - À pergunta sucessiva: «Existe alguma palavra que traduza uma regra prática para a vida?», Confúcio terá prontamente respondido: "Reciprocidade!" - Ou seja, como professa o Tauismo, «Tudo depende de Tudo!» ou ainda, «Tudo se condiciona mutuamente!»

O Regresso à Ordem
Confúcio não criou nenhuma nova religião. O que estabeleceu foi uma utopia baseada no passado, com a esperança de poder melhorar as condições de vida actuais. Todo o ser devia enveredar por um caminho correcto. Na sua opinião, os estados de desassossego significavam um desvio deste caminho.
Para cortar o mal pela raiz e evitar futuros erros, o Mestre desenvolveu um sistema de preceitos de comportamento e pregou a força dos ritos.

O Mestre Falou
«As Lunyu» («Conversações de Confúcio») são a fonte mais importante e, simultaneamente mais fidedigna, de toda a sua doutrina. Este livro é obra da segunda geração dos seus discípulos, no século V ou IV a. C.
Nele podemos ler ainda hoje, o que o Mestre disse outrora:
* «Aquele que, ao largar sem cessar os seus conhecimentos, é capaz de os ordenar segundo o ritual nunca poderá trair o Caminho.» (LY 12, 15.)
* «Os meus ensinamentos são destinados a todos, sem distinção.» (LY 15, 38.)
* «O primeiro lugar pertence àqueles que nascem com o saber. Seguem-se aqueles que têm de estudar para o adquirir. Vêm depois aqueles que não o adquirem senão à custa de grandes esforços. Quanto àqueles que não têm inteligência nem vontade de aprender, são eles os últimos dos homens.» (LY 16, 9.)
* «Ao povo, deve mostrar-se-lhe o Caminho a seguir, sem procurar explicar-lhe as razões.» (LY 8, 9.)
* «Desde que os governantes se apeguem ao ritual, o povo será fácil de governar.» (LY 14, 44.)
* «O Mestre diz: "Gostaria tanto de não ter fala." - Zigong então, objecta-lhe: "Mas, se não falásseis, o que é que nós, pobres discípulos, teríamos para transmitir? - Assevera o Mestre: "O próprio Céu fala? As quatro estações sucedem-se, as cem criaturas proliferam: Que necessidade tem o Céu de falar?"» (LY 17, 19.)

A calma e a harmonia expressas nos elementos: montanha, água e bosque - retratados em vários desenhos a tinta-da-china, representando paisagens - espelham perfeitamente a tradição confucianista, simbolizando toda a ordem interior. A ética, o conhecimento do passado para se alcançar o futuro em bonomia e clarividência, e toda uma atmosfera de interiorização em consciência e sabedoria, fazem de Confúcio um filósofo específico - ou incomum - no que traduz a sua obra em referência e, seguimento. Pregando a moralidade, o decoro e a humanidade nos homens, Confúcio abrangeria essa própria Humanidade em eloquência muito mais sapiente e seguidora de boas regras no tal Caminho a percorrer na vida.
Quando Confúcio fala em reciprocidade, isso revela também a noção e lucidez do Mestre em pregar e fazer-se seguir sob essas mesmas condições ou Ordem anunciada, do que o Homem deve fazer, agindo em conformidade com essa prática. Em si e, nos outros. Reciprocidade só por si, em palavra e acção, revela a verdadeira essência da vida, numa prática natural de: tudo o que fizermos, ser-nos-à devolvido; em bem e mal! E vice-versa. Todos os actos, todas as situações havidas, ser-nos-ão autenticadas num todo em inter-dependência ou interacção, conectadas entre si em que tudo se condiciona mutuamente. Observamos isso...no nosso dia-a-dia, o que é de fácil comprovação. Só teremos de o seguir, consoante o que reiterarmos então nas nossas vidas de: bom e de mau nestas também! Daí que, a bem da Humanidade e, através dos tempos, assim possa ser!