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domingo, 15 de dezembro de 2013

A Taça de Deus



O Santo Graal - Terá ele alguma vez existido, este iridescente recipiente mágico? Terá ele possuído as maravilhosas qualidades mágicas de que os trovadores medievais nos dão conta?

O Mito do Santo Graal
Talvez nenhum outro mito do mundo ocidental tenha dado asas à imaginação de modo comparável ao conseguido pela lenda em redor do Santo Graal. Mas terá ele alguma vez existido? Teria este propriedades mágicas? Terá sido uma lenda contada através dos tempos, um mero mito em consagração de Deus?
Na literatura medieval, o Graal é referido como sendo um objecto misterioso, sagrado, capaz de proporcionar e garantir ao seu detentor, a felicidade - tanto na Terra como no Céu - tendo este porém de ser puro, de a isso estar predestinado.
Existem diversas lendas em redor da origem do Santo Graal. Na versão alemã (c. 1200-1210) adoptada por Wolfram von Eschenbach, o Graal está ligado à lenda de Parsifal: o jovem Parsifal parte pelo mundo fora para se tornar cavaleiro. Dotado de alguma ingenuidade, vai superando diversos perigos até por fim ser aceite na Távola Redonda do Rei Artur. Em busca de aventuras, acaba no misterioso castelo de Munsalvaesche, cujo Rei se encontra gravemente doente. Observa então, como um objecto - do qual se desprende um brilho quase sobrenatural - o Santo Graal, é levado para o interior dos aposentos do doente.
Parsifal, porém, esquece-se de perguntar qual a razão pela qual o Rei adoecera, pelo que tem de abandonar o castelo. Fez recair sobre si uma maldição: a sua pergunta teria podido libertar o senhor de Munsalvaesche dos seus padecimentos.

A Iluminação
O jovem cavaleiro volta a empreender a busca pelo castelo, que entretanto se tornou invisível, e agora também pelo Graal. Depois de muito errar e, perambular, encontra um eremita que lhe revela o segredo. Na Sexta-Feira Santa, uma pomba com uma hóstia no bico pousará sobre o Graal. Através deste milagre, ele receberia o poder de conceder a vida eterna aos outros seres humanos. Outrora fora protegido por anjos, ao passo que agora o era por um notável grupo de cavaleiros, cujo Rei fora ferido por um pecado e, poderia ser salvo por uma pergunta de Parsifal. Este último, torna-se então vítima dos remorsos, sendo perdoado e eleito o novo senhor do Graal. Desde aí, muitos foram os que se puseram na demanda do Santo Graal, propondo-se encontrar esse misterioso objecto.
Ser-nos -à hoje em dia possível penetrar nessa esfera mágica  e, religiosa, e desvendar o mistério do Santo Graal? Haverá a mínima hipótese de seguir alguma pista nesse sentido?

O Castelo do Graal
Wolfram von Eschenbach sustenta que, ele mesmo, teria sido o único a ter acesso à verdadeira versão desta história, por intermédio de um homem misterioso chamado Kyôt e que, por sua vez, a encontrara num livro antiquíssimo em Toledo. Essa versão haveria sido criada ainda no tempo do Rei Salomão por um pagão chamado Flégetânis. Kyôt encontrara também em manuscritos antigos, referências a um grupo de nobres homens, os «témpléisen», que haviam tomado conta do Graal até à Idade Média. Os cavaleiros do Graal eram por isso frequentemente tomados pelos cavaleiros da Ordem dos Templários, o mesmo acontecendo a Munsalvaesche, o castelo do Graal, em relação ao castelo de Montségur ( no Sul de França), uma fortaleza dos Cátaros. Esse castelo dos hereges Cátaros foi em 1244 conquistado pelas tropas do Papa, mas antes disso, deverá um tesouro aí guardado ter sido posto em segurança. Poderá ter-se tratado do Graal?

O Primeiro Livro sobre o Santo Graal
No fim do século XII, o trovador francês Chrétien de Troyes compôs aquela que é hoje a mais antiga versão da história do Santo Graal, «Parsifal» ou «O Conto do Graal».
Seguiram-se-lhe as versões de Robert de Boron e de Wolfram von Eschenbach. Também com Chrétien a lenda do Graal se vê associada à história de Parsifal, ao passo que para Boron, o Graal surge associado à lenda de José de Arimateia (c. 1200): aqui o Graal é referido como o cálice usado por Jesus na Última Ceia e com o qual José de Arimateia, recolhe o sangue de Jesus Cristo crucificado.
Robert de Boron inclui na sua narrativa outros elementos, tais como Merlim e Lançarote. Estudiosos da literatura conseguiram comprovar o facto de a narrativa em redor de Parsifal, constituir um aglomerado de histórias com diferentes fontes. Tradições Celtas - como a história de um rapaz pobre e simples chamado Peronik - e, de um misterioso castelo chamado «Ker Glas», os relatos sobre o Rei Artur, mitos egípcios, lendas sobre caldeirões mágicos e ainda escritos cristãos, foram elementos entretecidos até se formar uma brilhante mistura de misticismo e, realidade. Independentemente disso, permanece o cerne de todas estas lendas: o relato acerca de um misterioso objecto denominado Graal.

Continuaremos em busca desta quimera sagrada em cálice divino ou taça de Deus que, a ter existido e estar bem guardado, esse mágico Santo Graal, nos dará a convicta e abençoada compleição de que Deus vela por nós em alquimia maior, sobre um poder que ainda não exercemos e nos não é facultado. Contudo, continuaremos essa busca e, a acreditar, que vale de facto mesmo essa persecutória ambição de um dia o encontrarmos em nossa absolvição. Se Deus quiser...assim seja então!