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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A Lenda de Lúcifer











"Como pudeste cair do Céu, astro brilhante da manhã! Foste precipitado por terra, tu, o Vencedor das Nações!"                                                         Bíblia Sagrada       (Isaías 14,12)

Lúcifer - A Lenda da Queda do Anjo
Chamaram-lhe Satã, Belzebu, Azazel, Asmodeu, Belfegor, Belial e muitos outros nomes, mas o ser é sempre o mesmo: o Demónio no Cristianismo. São nomes que encerram histórias, lendas e características.
A sua origem histórica e etimologia permitem-nos um olhar sobre o leque de significados do Demónio. Mas há um nome que envolve um mistério especial: Lúcifer.

Azazel - «O Bode Expiatório»
Um dos demónios mais antigos chama-se Azazel. Os Israelitas carregavam-no com os seus pecados na forma de um bode. No dia do «yom kippur», ofereciam-se dois bodes em sacrifício. Era o acaso que determinava qual seria sacrificado a Deus e qual a Azazel. Só o que se destinava a Deus era de facto sacrificado. O outro «coloca-o vivo diante do Senhor, para servir no ritual do perdão dos pecados, e depois manda-o para Azazel, para o deserto» (Lv 16, 10). É daqui que vem o nosso conceito de «bode expiatório». Sabemos por textos Sírios e Orígenes que, Azazel, era um ser sobrenatural que vivia no solo estéril do deserto.
A origem etimológica da palavra parece significar «poder de Deus». É um significado que também podemos atribuir àquele que usou o seu poder contra Deus. Ou seja, a um anjo que já foi bom e poderoso e, que se virou contra Deus. Estudos recentes mostram que o seu nome pode estar associado ao culto da divindade Azizos, muito difundido na antiga Síria, em Nabateus e em Palmira, e estreitamente relacionado com a adoração do Sol. Azizos era o «acompanhante do Sol», designação que os Sírios também davam à estrela da manhã, Vénus. Devido a esta característica, os Gregos chamaram-lhe Fósforo e os Latinos, Lúcifer. Ambos os conceitos significam «portador de luz». Foi deste modo que os Hebreus converteram a divindade pagã Azizos, que odiavam, no anjo caído Azazel, mais tarde Lúcifer, um outro aspecto do Demónio Cristão.

A Queda da Estrela da Manhã
Nos apócrifos de Henoch, Azazel é um dos principais anjos caídos. Quando ele e os seus foram expulsos do Céu para a Terra, uniram-se com mulheres das quais nasceram gigantes.
Lúcifer não aparece no Antigo Testamento na qualidade de anjo caído, mas existe na Bíblia (Isaías 14, 12) uma passagem que diz: "Como pudeste cair do Céu, astro brilhante da manhã! Foste precipitado por terra, tu, o Vencedor das Nações!"
Em consequência, a versão latina da Bíblia traduz estrela da manhã por «Lúcifer, filho da madrugada». Este trecho trata dos presságios do profeta sobre o declínio da Babilónia e anuncia a queda do seu Rei, metaforicamente designado pela estrela da manhã que cai do Céu. Pensa-se que Lúcifer pode ter-se convertido num dos anjos caídos por causa desta interpretação alegórica da Bíblia. A dificuldade de se considerar este nome uma designação do Demónio, é que ele também é aplicado a Jesus Cristo.
Na visão apocalíptica de João, Jesus designa-se a si próprio por «estrela brilhante da manhã» (Ap 22, 16). Na segunda carta de Pedro (2 Ped 1, 19), também se diz: «que a estrela da manhã alumie os vossos corações». O nome Lúcifer é usado na versão latina da Bíblia para designar a «aurora» (Job 38, 12), as «constelações» (Job 38, 32) e o «orvalho da manhã» (Sl 109, 3).
Lúcifer só tomou o seu lugar nas profundezas mais escuras do Inferno, depois da geografia do Inferno de Dante. Expulso do alto trono que ocupava, foi enviado para o centro da Terra, onde reina com os seus três rostos e as três bocas que, continuamente, devoram os grandes traidores Cássio, Bruto e Judas.

A Queda dos Anjos
O Apocalipse (Ap 12) descreve a guerra entre os anjos do Céu: Miguel e os seus apoiantes vencem Lúcifer e os seus partidários, que se tornaram muito orgulhosos, e expulsam-nos para a Terra. Ou seja, é uma discórdia celestial que traz o Inferno à Terra.
Para São Jerónimo, o principal anjo caído é Lúcifer, que chora a perda da sua luz, tão brilhante como a estrela da manhã. Esta interpretação impôs-se no Cristianismo, mas existem várias tradições esotéricas ligadas ao significado do nome Lúcifer, nas quais, a sua história é tratada como uma complexa alegoria.
Sob uma visão cósmica, poder-se-à acrescentar também o facto de estarmos perante uma determinada batalha de poderes extraestelares que, a ter ocorrido, se veio anunciar na Terra como prenúncio entre o bem e o mal na legitimidade suprema de um Deus universal que lhe terá retirado poderes, a Lúcifer, por má ingerência certamente nos destinos a cumprir. Mas isto, são apenas meras divagações de mentes humanas que num maniqueísmo acentuado e por vezes desequilibrado, se deixam seduzir e mesmo anular por poderes ditos maiores mas que nos fazem penar e perecer na Terra também. Tal como a Lúcifer.
No entanto, há que ter esperança que o bem vença o mal, pois só assim cresceremos na divina graça e condão do que nos assiste como seres humanos com todos os nossos defeitos e virtudes. Assim seja!