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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A Secreta Cruzada



Que terá sucedido de tão liminar e crucial para que os Templários, anteriormente tão apreciados e dignificados pelo Imperador, pelo Papa e por toda a Cristandade, tivessem sido perseguidos e, exterminados, de modo tão excessivo?

O Poder e os Segredos dos Templários
Um dos capítulos mais sombrios da história da Europa é a aniquilação da Ordem dos Templários. Estava-se em 1314 quando, após sete longos anos de cárcere e tortura, o último dos grão-mestres, Jacques de Molay, perdeu a vida numa fogueira sob os constantes gritos fanáticos da multidão e, nas imediações da Catedral de Notre-Dame, em Paris. Fora acusado de blasfémia e de sodomia e condenado à morte. Não tivesse ele negado a confissão que lhe fora extraída à força, e teria sido poupado. Ante a inevitabilidade da morte, amaldiçoou o Papa e o Rei de França, que haviam perseguido a Ordem sem quaisquer escrúpulos.
Passados poucos meses, a maldição provou ter sido eficaz, pois surpreendentemente os seus dois adversários morreram. Poder da maldição ou mera coincidência, o certo é que a inevitabilidade do destino por palavras anunciadas do mártir Jacques de Molay se cumpriu. A questão fica então aberta: que terá ocorrido de tão pungente para que os Templários, anteriormente tão apreciados e dignificados por todos, tivessem sido perseguidos e exterminados de modo tão excessivo?

Combatentes pela Causa de Deus
Uma aura de segredo místico envolve os Templários desde a fundação da sua Ordem. Vive-se a época das Cruzadas, quando em 1119 Hugo de Payens, acompanhado de alguns cavaleiros, parte da região francesa de Champagne rumo a Jerusalém, com vista a aí organizar - de modo militarmente rigoroso - a protecção dos peregrinos que se aventuram a visitar a Terra Santa.
Balduíno II, Rei de Jerusalém, apoia esta irmandade de pequenas proporções, que recebe uma parte do palácio real, sobre os terrenos do velho Templo de Salomão. Daí resulta o nome «templários».
A Ordem empreende então uma ascensão prodigiosa. Oferendas feitas por diversos países tornam-na uma Ordem rica, para além de receber numerosos privilégios - como por exemplo, a isenção do pagamento de portagens e de quaisquer impostos. A fundação da Ordem acaba por ocorrer em França. Bernardo de Claraval, fundador da Ordem de Cister, torna-se o grande patrono da Ordem e, os cavaleiros membros, fazem votos de dedicar a vida à Ordem e de viver de acordo com os estatutos desta: a castidade, a obediência, a pobreza e a luta contra os infiéis.

Ascensão e Queda dos Templários
Em 1139, o Papa Inocêncio II emite uma bula em que fica estabelecido que os Templários não se encontram sob a alçada de nenhum outro poder secular ou religioso que não seja, o do próprio Papa.
Começa então o período sangrento da vida da Ordem. Muitos jovens nobres haviam ingressado naquela irmandade, entregando à Ordem as suas riquezas, de modo a poderem cumprir o mandamento que requeria a pobreza. Deste modo, os Templários obtiveram numerosos e valiosos bens e mesmo terrenos. Alcançaram uma posição de poder e influência tal que nenhum governante secular ousaria coarctar.
Após a conquista de Jerusalém (1187) e de Akka (1291) pelos exércitos muçulmanos, em 1303 os Templários viram-se forçados a abandonar a Terra Santa. Destituída do papel que até então desempenhara, a Ordem viu-se privada da razão da sua existência e teve de encontrar uma nova esfera de actividade.
No Sul de França, quase toda a região de Languedoc se encontrava sob a influência dos Templários. Tal tornara-se possível graças às boas relações destes com os Cátaros, um movimento religioso que não tardou a ser encarado  e, sangrentamente perseguido, como um grupo de hereges.
Os Templários tornaram-se assim pouco estimados junto dos detentores do poder religioso, bem como dos governantes que detinham o poder secular, chegando mesmo a ser alvo de suspeitas. Sobretudo os incomensuráveis tesouros de que dispunham, despertaram em Filipe IV de França grande ambição. Unido ao frágil Papa Clemente V, a 13 de Outubro de 1307, é desferido um rude e mortal golpe contra a Ordem: todos os Templários são aprisionados e mais tarde apresentados diante de um tribunal. São acusados de condutas impróprias e de proferir ensinamentos secretos heréticos. Muitos deles foram torturados até deles se obter a confissão da prática de tais actos. Ironicamente, foi isso mesmo que tornou possível a imortalidade dos Templários nas inúmeras lendas a que deram origem.

Segredos Misteriosos
Na epopeia do Graal, os Templários parecem servir de modelo para os cavaleiros do Graal e, não será com certeza um acaso, que o primeiro autor de uma história do Graal (por volta de 1180), Chrétien de Troyes, fosse - tal como o nome indica, de Troyes - um importante centro dos Templários.
Estranho, é já o facto de o auto de doação do castelo de Cera (Tomar), assinado por Dom Afonso Henriques (Primeiro Rei de Portugal), conter um criptograma que tanto pode ser lido «Portugal» como «Por Tuo Gral» («pelo teu Graal») - isto, décadas antes de a primeira epopeia do Santo Graal haver sequer sido escrita...temos assim: Portugal - « Por Tuo Gral» - Pelo teu Graal.
Não deixa de ser estranho também, que os Templários tivessem em Jerusalém recebido um pedaço de terreno tão sagrado (o local onde antes se erguera o Templo de Salomão) para aí sediar a sua Ordem.
Consta que procederam aí a escavações em busca da enigmática Arca da Aliança que continha as tábuas com os dez mandamentos e cujo paradeiro, desde a saída dos Judeus do Egipto, era desconhecido. Relatos parecem confirmar que, conseguiram encontrar aquilo que procuravam e que a Arca da Aliança foi trazida para França.

Quantos mistérios, quantas deduções, especulações e mesmo cogitações entre tantos - da Idade Média aos nossos dias, supostamente - sobre as secretas cruzadas da Ordem dos Templários e seus fundamentados princípios cristãos que os terão levado à morte. E quanto secretismo e quanta omissão de factos que poderiam ver a luz do dia em Santo Graal, Arca da Aliança e tantos outros mistérios por desvendar...em França, em Portugal, em Jerusalém. Um dia, algo irá suscitar das trevas e, dos esconderijos subterrâneos de castelos, conventos e templos que terão guardado os segredos dos Templários ao longo dos tempos. Catapultados nessa glória real que um dia veremos (ou não...) em sepulcro lacrado, acreditamos que se faça justiça em descoberta da verdade e honra ou homenagem, aos bravos cavaleiros de outrora. Pelo nosso conhecimento, pela verdade e pela Humanidade, assim seja!