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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A Hora do Fim



"No tempo do fim, o mar ficará seco e então os barcos já não irão a Itália. A Ásia, grande e fértil, será água e Creta uma planície."
                                                                                     Profecias Sibilinas (séculos V e VI)

A Catarse Planetária
A catarse planetária ou simplesmente o medo do fim do mundo que, desde tempos ancestrais, os profetas descrevem com imagens de colossais catástrofes naturais. A citação acima referida é um registo do quinto livro das Profecias Sibilinas que datam dos séculos V e VI.

Imagens do Fim dos Tempos
Os modelos em que se baseavam os profetas do fim do mundo assentavam na Natureza que, com as suas tempestades, terramotos, erupções vulcânicas e demais desordem atmosférica ( furacões, tornados e dilúvios), constituía o arsenal do pretenso visionário. Este apenas tinha de elevar os medos a um nível cósmico, coisa que os antigos profetas fizeram eficazmente.
Jeová, nome de Deus no Antigo Testamento, anunciou no século VIII a. C., através do profeta Isaías (13, 13): "Para tanto, sacudirei os céus e a terra será abanada desde os seus fundamentos. É a manifestação do furor do Senhor do Universo, o dia da sua ardente ira."

Quadros Apocalípticos Primitivos
A sensação de que a catástrofe final iminente, acompanha a Humanidade desde há quase três milénios. Actualmente, muitos pensadores e filósofos afirmam que já não existe nenhuma ideia de futuro, mas sim apenas hipóteses de eventuais catástrofes ecológicas, económicas ou bélicas. Estas hipóteses fazem parte dos quadros apocalípticos primitivos, que se enriquecem com o que cada época lhes acrescenta.

A Hora do Fim
No princípio dos tempos, a ideia da destruição do mundo estava associada à certeza mítica de que esta seria seguida de uma nova época de esplendor: o Apocalipse como purga ou indispensável catarse planetária. O medo do fim do mundo era relativo, já que encerrava em si uma certa esperança de renovação. Mas, quanto mais certezas míticas ou religiosas se perderam, mais cresceu o medo da destruição global. O Apocalipse converteu-se - na época das armas de destruição em massa - numa possibilidade real. Ao que parece, já não é necessário nenhum tipo de juízo final divino, pois os humanos forjaram a sua própria espada de Dâmocles.

Uma Profecia de Nostradamus
O final do século XX foi marcado por medos catastróficos e, um clima de «fim do mundo». Uma quadra da obra «Prophéties» (10.ª centúria, 72), do mais popular de todos os profetas, Nostradamus (1503-1566), ainda veio aumentar mais os receios: "No ano 1999 e sete meses/Do Céu virá um grande Rei de atemorizar (...)." Muito foi interpretado a partir destas linhas, desde uma guerra nuclear à queda da estação espacial Russa MIR sobre Paris e, ao impacte de um gigantesco asteróide na Terra. No entanto, como demonstrou o doutor Elmar Gruber, perito em Nostradamus, aquilo que o profeta tinha em mente era o eclipse solar de 11 de Agosto de 1999, que foi visível em muitas zonas do planeta.
De acordo com o calendário Juliano - o que se usava na época de Nostradamus - a data do eclipse seria no dia 29 de Julho de 1999. Uma profecia?...Não. Nostradamus era especialista em calcular e interpretar constelações astronómicas e fenómenos celestes. Naquela altura, já se conhecia o «saros» - um calendário periódico - segundo o qual, os eclipses do Sol e da Lua se repetem ciclicamente ao longo de vários milénios. Gruber demonstrou que Nostradamus não usou quaisquer artes proféticas, mas sim a sua habilidade, para chegar àquele resultado.

Sinais Precursores Ameaçadores
Os fenómenos celestes insólitos, como os cometas, os eclipses e as constelações astrologicamente «temíveis», são desde a Antiguidade sinais de uma catástrofe iminente. Os Astrólogos observavam continuamente o firmamento e, anunciavam com regularidade, desgraças do alcance universal. Não houve nenhum século em que o Homem não acreditasse que o fim do mundo estava prestes a acontecer.

Profecias Falhadas
O medo das profecias de catástrofes colectivas não é justificado. Nunca aconteceram. Se houve alguma, não tinha sido prevista. Vejamos um exemplo: o parapsicólogo francês Eugene Osty (1874-1938) analisou as manifestações de pessoas sensitivas, relativas aos anos imediatamente anteriores à Primeira Guerra Mundial. Nenhuma delas a tinha previsto. Felizmente, os profetas do fim do mundo não merecem muito crédito.

Profecias de Guerra
O parapsicólogo holandês W. H. C. Tennhaeff (1894-1981) descobriu nas suas análises das profecias de guerra que algumas predizem a morte violenta de pessoas individuais que, viriam efectivamente a ser vítimas dos conflitos. Mas os videntes não detectaram acontecimentos que afectassem colectivos inteiros: só circunstâncias que se relacionavam com pessoas específicas. Ao que parece, apenas o destino individual favorece os raros fenómenos de augúrio espontâneo.

Pessimismo Cultural
"A nossa cultura europeia move-se , há já muito tempo, no meio de uma tortura de tensões que crescem de década para década, como o desencadear de uma catástrofe: inquieta, violenta, impetuosa como um rio que se precipita para o fim." Estas palavras, escritas pelo filósofo Friedrich Nietzsche em 1888, reflectem o clima apocalíptico do fim do século. Quando o rio não chegou ao fim, mas pelo contrário se derramou sobre o belicoso século XX, o filósofo e psicólogo Ludwig Klages falou assim em 1929 da vontade de autodestruição dos seres humanos: "A essência do processo «histórico» da Humanidade (também chamado «progresso») é a luta vitoriosa em curso do espírito contra a vida, com o previsível final da destruição desta última."

Profecias, temores e reiterado medo pela desgraça colectiva ou individual na Terra, tudo isso possuímos em doses maiores ou menores, consoante as circunstâncias admitidas ou vividas por cada um de nós. Mais cépticos ou menos cépticos, racionais ou medrosos, todos nós cumprimos a nossa parte sub-humana em fragilidade e pouco poder sobre as catástrofes naturais que se vão registando ao longo dos tempos.
Não temos de ser heróis mas também não temos de dar o corpo às balas para que façam de nós, meros «enchidos» sem valor e sem voz, mesmo na adversidade em que teremos de ser mais solidários uns com os outros, caso se venha a reportar uma tragédia a nível global ou sequer, perto da nossa porta. Há que sublevar sentimentos audazes mas confiantes e altruístas e não, resguardar o que ainda detivermos na ganância dos dias de hoje em acumulação de bens e proventos não perecíveis sem os confinarmos à nossa própria despensa mas a outros bem mais necessitados do que nós. E não estou a falar de comestíveis mas...do auxílio presente, frequente e, iminente, caso se registe de facto essa ocorrência de calamidade. Ou não. Seremos sempre mais úteis na paz e na bonança do que propriamente na desgraça e na desventura nos outros e, em nós, como é evidente! Então que a paz permaneça e todos nós possamos sonhar com um futuro em glória e em felicidade e nunca por nunca, pelo fim dos tempos, pelo fim do mundo sem hora marcada para acabar sobre nós. Pois então que assim seja! A bem de todos nós!