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quarta-feira, 7 de maio de 2014

A Devoção Cigana


Estátua de Santa Sara - (la Kali)      Les Saintes-Maries-de-la-Mer       França

Que veneração é esta, assumida e adornada ao longo dos últimos séculos por famílias inteiras de ciganos - vindos de toda a Europa - em peregrinação anual de peregrinação de devoção e, festividades?
Esta adorada santa - assim como tantos outros - terá tido de facto um poder milagreiro sobre si ou algo inexplicável, superior, que a colocaria na História religiosa como uma padroeira incompreensível e, uma santa irregular? Que poderes estranhos seriam esses...? Divinos ou estelares?

A Tradição - Les Saintes-Maries-de-la-Mer
De acordo com velhas tradições provençais, em 40 d. C. um grupo de discípulos de Jesus desembarcou na costa francesa do Mediterrâneo, encontrando-se entre eles três mulheres, todas as três chamadas Maria - e um certo Lázaro da Betânia - que havia em tempos ressuscitado dos mortos.
Actualmente, acorrem todos os anos a 24 e a 25 de Maio, famílias inteiras de ciganos vindas de toda a Europa à pequena povoação francesa de Les Saintes-Maries-de-la-Mer, onde além da sua Santa Sara, veneram também estas «Três Marias». Dado o seu aspecto exótico, a peregrinação anual exerce grande atracção sobre numerosos visitantes vindos de todo o mundo, resultando uma mistura de devoção religiosa e, alegre festa popular.
A história acerca dos seguidores de Jesus que empreenderam a fuga antes da perseguição dos cristãos na Palestina, carece ainda de confirmação histórica, sobretudo porque nestas narrações é frequente assistir-se à fusão de pessoas diferentes com figuras de santos posteriores. Se atendermos à tradição oral que reúne mais consenso, o que até aos nossos dias ocorre anualmente em Les Saintes-Maries-de-la-Mer é a veneração de três mulheres santas, Maria Jacobé (mãe de Sant`Iago Menor), Maria Salomé (mãe de Sant`Iago Maior e São João) e Maria Madalena (irmã de Lázaro) - que em algumas lendas também é chamada irmã de Maria, Mãe de Deus. Os restos mortais desta última, terão aqui sido encontrados em 1448 aquando das escavações no subsolo da igreja.

Sara - A Santa dos Ciganos
Imperscrutável até mesmo para observadores bem-intencionados permanece a figura de Santa Sara, que terá desembarcado na costa francesa como escrava das três Marias.
Os seus restos mortais estão alegadamente contidos num relicário na cripta situada abaixo do coro da igreja de Les Saintes-Maries-de-la-Mer. A origem de Sara permanece envolta em mistério. O escritor Frédéric Mistral considera-a «uma padroeira incompreensível e uma santa irregular». Nada se sabe acerca das razões que conduzem à sua adoração por parte dos ciganos. A própria origem da peregrinação permanece por explicar; possivelmente, os ciganos terão adoptado Santa Sara em virtude do seu semblante - a sua tez era escura e os cabelos negros - como santa padroeira do seu povo.
Só em 1935 é que, o então arcebispo de Arles e Aix-en-Provence, permitiu que se realizasse a procissão anual em honra de Santa Sara, na qual ele e os seus sucessores desde então têm participado. Nessa cerimónia o arcebispo abençoa a multidão e todo o mar a partir de um barco. Então as figuras das três Marias e de Santa Sara - escoltadas por dignitários religiosos, provençais piedosos e guardiães montados a cavalo - são levadas para o interior da igreja.

Bastião da Fé
A sólida igreja de Les Saintes-Maries-de-la-Mer é desde há muito tempo considerada um verdadeiro bastião da fé, situada junto à costa da Camargue, a vigiar o mar. A igreja, construída na segunda metade do século XII, foi fortificada no século XIV e remodelada no fim do período gótico. Já só na abside - com a suas arcadas falsas de acordo com modelos lombardos - é que se reconhece que houve em tempos uma construção românica, remodelada no período gótico tardio e em parte construída de novo.
Numerosos pedidos dirigidos aos santos na nave da igreja de aspecto deveras sombrio, dão assim um testemunho da esperança depositada pelas pessoas num auxílio de dimensão divina.
Ao contrário de Lourdes e de Fátima, não há aqui qualquer comissão designada para verificar a credibilidade das curas milagrosas. No entanto, os muitos testemunhos e provas de agradecimento, deixam entrever que foram bastantes os pedidos de socorro atendidos e, as graças concedidas.

Intermediários entre Deus e os Seres Humanos
Os santos contam-se desde os princípios do Cristianismo como intermediários entre Deus e os homens. As suas vidas e feitos não perderam desde então nenhum fascínio. As lendas a que deram origem, os locais de peregrinação ainda hoje visitados e, os dias do ano celebrados em sua honra, constituem prova do quanto se mantém uma tradição bem viva. Em algumas regiões da Europa, em vez do dia de aniversário do nascimento, as pessoas festejam o dia do santo onomástico, isto é, o dia do santo com o seu nome. Cada um dos dias do calendário está dedicado a um santo, recebendo alguns deles particular destaque, como é o caso de 19 de Março - dia de São José - e 29 de Junho - dia dos apóstolos Pedro e Paulo.
Na perspectiva da Igreja, se dia a pós dia o rosto de Jesus for dado a ver aos fiéis através dos seus santos, pelo menos um traço marcante da vida destes últimos passará a integrar a vida dos fiéis.

Realidade e Lenda
Os santos viveram em tempos como pessoas normais neste mesmo mundo que nós habitamos, deixaram vestígios históricos e, após rigoroso exame, foram elevados pela Igreja Romana à dignidade que gozam. Apesar de terem tido uma existência real, é costume a descrição das suas vidas conter certos aspectos incompreensíveis. São como que iluminadas pelo brilho dos milagres e, com vista à fixação de uma realidade histórica, entra em acção a lenda, que exagera quase sempre, melhora e glorifica - como é o caso em Les Saintes-Maries-de-la-Mer.

A Ressurreição de Lázaro
Lázaro de Betânia - o irmão de Marta e Maria - era tido como um homem rico, a quem pertencia alegadamente uma parte de Jerusalém. De acordo com o Evangelho segundo São João, no Novo Testamento (11, 45), Lázaro adoece, e as irmãos vão avisar Jesus. Este responde-lhes que a doença não o conduziria à morte, deixou-se ficar ainda dois dias por ali mesmo, após o que seguiria para Betânia. Entretanto, Lázaro morre. E quando o Nazareno (Jesus) chega junto dele, há já quatro dias que este está na sua sepultura. quando Jesus vê as duas irmãs a chorar, faz Lázaro ressuscitar dos mortos.
Esta cena, juntamente com a da ressurreição do próprio Jesus, tornou-se um motivo central da arte cristã.

Em todos estes casos de tradição cristã ou de cariz verosímil religioso sob documentação dos Evangelhos e dos textos adquiridos ao longo dos séculos por descobertas e investigação nestes, conclui-se de que, santos e acima de tudo Jesus no seu expoente máximo, teriam poderes supremos que ninguém sabe explicar.
Estas referências de ressurreição e retorno à vida são acometidos de uma autêntica ilustração celestial - ou estelar - do que se evoca em inteligência e presciência inumanas. Nada se exclui, nada se oculta se também se desejar chegar mais perto da verdade; apenas há que questionar, pesquisar e elaborar a História de uma forma completamente diferente da que nos é contada do berço à cova. Para as gerações futuras somente fica o que a Igreja remete, os autores mais irreverentes explanam em seus livros polémicos ou ainda, os cinéfilos expõem em oposição ou novas teorias do que se terá passado nesses tempos de Jesus pelo mundo e, seus santos. A tudo observamos sob a nossa própria óptica, a tudo reiteramos consoante os nossos credos, ideologias e sentimentos na vida. Depois há que filtrar tudo isso. Divindades ou elementos derivados de uma tecnologia superior e externa à Terra é o que se propõe verificar, ainda que tenhamos essa mesma fé ou crença em nós de tudo poder estar ligado, conectado em nós e...no mundo em que vivemos. Por tudo isso, que a História se faça em novos e poderosos conhecimentos por e, para todos nós, Humanidade!