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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Ä Cidade Santa


Jerusalém - A Cidade Santa - Israel

2º Livro de Moisés (sobre a Arca da Aliança):
"Fareis uma arca de madeira de acácia, e terá de comprimento dois côvados e meio; um côvado e meio de largura, um côvado e meio de altura. Revesti-la-às de ouro puro, tanto no interior como no exterior, e cercá-la-às de um cornija de ouro. Fundirás, para a arca, quatro argolas de ouro e fixá-las-às nos seus quatro ângulos: duas de um lado, duas de outro. Mandarás fazer varais de madeira de acácia revestidos de ouro; introduzirás os varais nas argolas, ao longo dos lados da arca, a fim de servirem para a transportar."
                                                                                                                (Êxodo 25, 10-14).

Jerusalém - A Cidade Santa
"Essa é a vontade de Deus!" - O fanático incitamento foi entoado por milhares de gargantas, entre o fogo dos cercos às muralhas de Jerusalém, por milhares de devotos cruzados que atacavam a Cidade Santa em nome de todos os cristãos - com vista a libertá-la do domínio muçulmano.
Mais de 70 mil pessoas encontraram a morte a 15 de Julho de 1099, durante a I Cruzada. Não foi essa a primeira vez que Jerusalém serviu de palco e esteve no meio de guerras religiosas, nem tão-pouco a última.

Os Fundadores de Israel
Na sua qualidade de lugar sagrado, Jerusalém é ponto de confluência de três religiões. Fazendo apelo a razões históricas, Cristãos, Judeus e Muçulmanos reivindicam o direito à cidade - uma cidade que desde os primórdios da sua existência sempre tem sido motivo de disputa, alvo de conquista e destruição - em nome da religião ou por razões políticas.
A história de Jerusalém surge registada em tabuinhas de argila no Norte da Síria por volta de 2500 a. C. O rei David (1004-965 a. C.) fundou o primeiro estado judeu e fez de Jerusalém a sua capital. Foi também no reinado de David que o objecto mais sagrado do Judaísmo - a Arca da Aliança (uma arca dourada que contém os Dez Mandamentos de Deus) - foi trazido para Jerusalém. Para melhor guardar as Tábuas da Lei, Salomão (até 926 a. C.), filho e sucessor de David, mandou construir o Templo de Salomão.

Um Muro de Lamentações para o Judaísmo
Após a obra sagrada de Salomão haver sido destruída pelos Babilónios em 587 a. C., foi erigido um segundo templo em Jerusalém. Muito embora o poder político mudasse de mãos por diversas vezes ao longo da História, esta construção manteve-se sempre ao longo dos séculos o centro religioso da cidade e ponto de confluência das peregrinações dos dos habitantes da Judeia.
No início da Era Cristã, o rei dos Judeus, Herodes - que governava sob a hegemonia dos Romanos - interveio no templo, fazendo dele o maior monumento sagrado do seu tempo. Quando no ano 70 o seu povo se sublevou contra os ocupantes romanos, esta construção sagrada foi destruída. Dela apenas restou o muro de suporte ocidental, hoje em dia venerado e conhecido como o Muro das Lamentações.

Um Caminho da Paixão para a Cristandade
O que o Muro das Lamentações representa para os Judeus, representa o monte Cólgota para os Cristãos. Aí, fora da cidade de Jerusalém, teve outrora lugar a crucificação do Filho de Deus. Quando no século IV o Cristianismo, através do Império Romano, se impôs em Jerusalém, foi - em jeito de evocação da morte e ressurreição de Cristo - construída a Igreja do Santo Sepulcro, que, tal como muitos outros monumentos, já não conserva actualmente o seu aspecto original. Em grande parte está destruído também o Palácio de Herodes, onde Pôncio Pilatos pronunciou a condenação à morte de Jesus Cristo e, onde ordenou que este fosse açoitado. A Via Dolorosa, as ruelas através das quais Jesus carregou a cruz, ainda hoje liga a parte velha da cidade ao monte Cólgota.
À direita do portal da Igreja do Santo Sepulcro deverá ter sido erigida a cruz na qual Cristo morreu. O mistério da Paixão estende-se ainda à pedra sobre a qual o cadáver de Cristo terá sido depositado e, ao sepulcro de onde Cristo terá ressuscitado ao terceiro dia.

A Cúpula do Rochedo do Islão
Lugar central da fé islâmica mantém-se hoje em dia o Monte do Templo, com a sua monumental Cúpula do Rochedo - uma mesquita ricamente ornamentada com azulejos cerâmicos azuis e amarelos e versículos do Alcorão. Foi no Alcorão que o fundador do Islamismo, o profeta Maomé (570-632), apresentou as revelações que lhe foram transmitidas por Deus através de visões.
No centro da Cúpula do Rochedo está a descoberto uma parte da rocha sobre a qual o edifício assenta. Desta rocha, onde outrora Abraão, o patriarca do Judaísmo, por temor a Deus quis sacrificar o seu próprio filho Isaac, terá iniciado o profeta a sua ascensão aos céus. Ainda hoje podem aí ser vistas as pegadas deixadas na rocha por Maomé, pelo seu cavalo Burak, bem como as impressões dos dedos do arcanjo Gabriel, que, de acordo com a tradição, terá segurado a rocha aquando da ascensão aos céus.
No Talmude judaico, resultante de um processo de recolha oral e escrita que se estende por diversos séculos, avança-se a hipótese de a rocha estar situada precisamente sobre a abertura de um precipício, no qual se pode ouvir o marulhar do Dilúvio. De acordo com a tradição muçulmana, a rocha está a pairar livremente no ar, sem qualquer apoio. Por debaixo flui a nascente das almas, junto da qual os falecidos se reúnem para orar.

Mitologia e Presente
Uma convivência pacífica dos dois maiores grupos populacionais, não parece actualmente possível em Jerusalém. Tanto Judeus como Muçulmanos reclamam para si a Cidade Santa, as guerras religiosas e as desavenças políticas vão-se mantendo sempre acesas e, inflamando-se ocasionalmente.
Praticamente todos os habitantes judeus sublinham a importância essencial da posse da totalidade de Jerusalém e, o quanto esta é um propósito irrenunciável - ao mesmo tempo que, os povos árabes, falam da impossibilidade de uma paz duradoura entre as populações, enquanto Jerusalém não for também partilhada com o Islão.

A Arca de Deus
O sonho de qualquer historiador da religião é conseguir encontrar a misteriosa Arca da Aliança que contém os Dez Mandamentos. A Arca da Aliança, terá pois, sido construída por Moisés por volta do ano 1250 a. C. e trazida no século X a. C. pelo rei David para a sua capital, Jerusalém, como objecto de culto, tendo sido guardada durante o reinado de Salomão no templo que este mandou construir. Desde a destruição do Templo de Salomão no século VI a. C. que deixou de haver qualquer vestígio do paradeiro dessa arca dourada.
Muitos são os que a julgam enterrada na colina sobra a qual se ergue o templo. O arqueólogo israelita Ronny Reich acrescenta a propósito: "Efectuámos medições com tecnologia de raios infravermelhos e, de leitura térmica, na colina do templo; e pudemos então comprovar que todo o monte é percorrido por corredores e túneis secretos - como se de uma colmeia se tratasse. Se alguma vez aí viermos a achar a Arca da Aliança, será com certeza a maior descoberta de todos os tempos!"

A Disputa de Jerusalém
Em 1947, um plano de partilha apresentado pela ONU, deu origem a conflitos na antiga Palestina. De acordo com este plano, deveria haver em Jerusalém - para além de um sector árabe e um sector judaico - também um sector internacional.
Os Árabes, porém, e sobretudo os países árabes vizinhos, não estavam de acordo com este plano, pelo que não tardou a estalar a primeira guerra Israelo-Árabe, que do ponto de vista dos Israelitas era uma guerra de independência. Este conflito opôs os os exércitos israelitas aos exércitos árabes de países como o Egipto, a Jordânia, a Síria, o Iraque e o Líbano.
Israel ocupou assim cerca de 77% do antigo território - anteriormente sob o mandato da ONU e, declarou-o território nacional do Estado de Israel, o que ultrapassava em muito a terra a atribuir aos Judeus, segundo o plano de partilha de 1947.
Na segunda guerra Israelo-Árabe - entre Outubro e Novembro de 1956 - as tropas israelitas sob pressão das Nações Unidas retiraram-se dos territórios ocupados, mas os conflitos continuaram a fazer-se sentir.
Os Estados Árabes intensificaram a luta contra a existência de Israel enquanto Estado. Para se defender, Israel ocupa em 1967 - num terceiro conflito que veio a tornar-se conhecido como a Guerra dos Seis Dias - de novo, aqueles mesmos territórios e partes da Síria.
Em 1973, ergue-se então a Guerra do Yom Kippur e, em 1982, as tropas israelitas invadem o Líbano. Até hoje, não pôde ser encontrada uma solução que conduza a uma paz duradoura na região.

Estamos em finais de Maio do belo ano de 2014 e - por visita do Papa Francisco a Jerusalém - em medidas correctas e justas que unam e, edifiquem em todos essa paz que se deseja duradoura, tentou este Santo Padre da Igreja Católico-Romana a bênção e a junção de todos: Cristãos, Judeus e Muçulmanos.
Não se sabe se esta missão terá êxito mas de uma coisa estamos certos: a bem de todas as religiões e de todas as ideologias de fé e crença, entrega e oração, se amplie em coração e boa ventura essa almejada paz entre os povos. Os territórios não devem ser fronteiras nem barreiras ou algemas de qualquer espécie, sentindo o Homem ter de estar muito para além dessas pertenças terrenas que não eternas, sobrevivendo a si, sobrevivendo a tudo: até mesmo às guerras intestinas de entre si, também. Há que invocar a paz. Há que sugestionar uma solução, uma união entre povos e crenças e toda a Humanidade se engalanará em futuro próximo de maior e melhor convivência e, felicidade conjunta. É nisso que se acredita; por uma Humanidade sã, pacífica e frutuosa...além os tempos. Que Deus o permita e assim possa ser!