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sábado, 4 de janeiro de 2014

A Pérola da Antiguidade


Os nossos antepassados conheceriam já os «milagres» das tecnologias avançadas em que espécies de computadores astronómicos serviam como calculadoras suas?


O Mecanismo de Antikythera

No domingo de Páscoa de 1901, perto da ilha grega de Antikythera, vários pescadores de esponjas mergulharam na profundidade azul do Mar Egeu. No entanto, o que achariam no fundo do mar não eram esponjas, mas os relatos de um barco naufragado no qual repousava uma das cargas mais insólitas da História e que, há dois mil anos, esperava ser resgatada: uma espécie de computador astronómico da Antiguidade.

Descoberta Esquecida

Quando os mergulhadores avistaram o que jazia a 60 metros de profundidade, informaram os peritos do Museu Arqueológico Nacional de Atenas. Durante vários meses foram resgatadas valiosas estátuas, ânforas e umas placas - irreconhecíveis por estarem cobertas de lapas. Procedeu-se então à limpeza, registo e exposição dos achados. Só aquele objecto de que ninguém conhecia a função é que ficou guardado num arquivo sem que ninguém lhe desse atenção.
Anos mais tarde, o jovem arqueólogo Valerion Staios descobriu estes misteriosos restos daquele naufrágio. Uma vez eliminados os depósitos que se haviam fixado às peças, reparou em diversos signos e pequenas rodas dentadas de bronze que lhe recordavam o mecanismo de um relógio. Valerion Staios pensou ter descoberto um relógio antigo, mas os seus colegas rejeitaram a hipótese por esta parecer demasiado fantasiosa.

O Miniplanetário

Só em 1958 é que a Sociedade Filosófica Americana decidiu finalmente encarregar o físico e matemático britânico Derek de Solla Price, do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, na Nova Jérsia, de examinar os objectos ainda não classificados. Este compreendeu de imediato que o que tinha diante de si era, com efeito, um instrumento insólito com dois mil anos de antiguidade: um mecanismo com mostradores numerados no exterior e, em cujo interior se encontrava um sistema muito complexo de rodas dentadas.

Os signos marcados nos mostradores indicavam a finalidade do engenho: tratava-se de um mecanismo com funções astronómicas. O mostrador dianteiro indicava o movimento do Sol ao longo dos signos do Zodíaco no Céu e, o aparecimento de estrelas brilhantes. O mostrador traseiro definia as fases da Lua e, as posições dos planetas. Havia também um ano de ajuste. A complicada combinação de rodas dentadas funcionava como uma engrenagem diferencial, utilizada pela primeira vez em 1896 em automóveis e concebida para compensar nas curvas a diferença de revoluções entre as rodas exteriores e as interiores. Esta engrenagem antiga era composta por 40 rodas dentadas, 9 escalas ajustáveis, 3 eixos e, uma placa-base. Os 250 dentes existentes medem exactamente 1,3 milímetros cada.
"Parece que se tratava realmente de uma calculadora capaz de determinar e indicar os movimentos do Sol, da Lua e talvez também, dos planetas" comentaria ainda o doutor Derek de Solla Price. "Encontrar algo de semelhante a este computador astronómico grego, é como descobrir um avião a jacto na câmara funerária do faraó Tutankhamon..."
É possível que o passado nos reserve ainda mais surpresas. É só dar tempo ao tempo, que será o mesmo que dizer em expectativa e, deslumbramento, as maravilhosas descobertas da Antiguidade que se nos revelarão dia após dia numa reinventada ou melhor, reestruturada linhagem histórica do que conhecíamos até aqui. Aguardemos então essas surpreendentes descobertas em novas e ousadas descobertas.

Pérolas singulares da Antiguidade

A Arqueologia tem registado numerosos achados fortuitos que se revelam únicos no seu género. Tal é o caso do mecanismo de Antikythera: se não tivesse sido descoberto, hoje nada saberíamos sobre os avanços tecnológicos de antigas culturas. No túmulo de Tutankhamon, por exemplo, o arqueólogo Howard Carter (1873-1939) descobriu, para além da múmia, uma faca de aço inoxidável.
Em Tashkent, no Usbequistão, foram descobertos misteriosos recipientes de argila selados com uma espécie de plástico. Nada mais continham para além de uma gota de mercúrio altamente venenoso - segundo um artigo da revista soviética «O Jovem Técnico de 1967». Presume-se de que poderiam ter servido para gerar electricidade estática. Foi a partir dos planos dos indígenas Maias, que o doutor Friedrich Egger (n. 1944), um físico de Salzburgo, na Áustria, desenvolveu um motor de êmbolo giratório e que, hoje em dia, está patenteado em vinte países.

Novamente apelamos à consciência e à determinação de físicos, filósofos, biólogos, arqueólogos e demais cientistas que, a bem da verdade histórica e de um mais lato conhecimento do que nos regeu na Antiguidade, se possa eclodir como ascensão miraculosa do que não supúnhamos nem em sonhos nessa existência passada ou, dos nossos antepassados. Todos os dias, novas descobertas e novos assomos de uma outra realidade - tanto na vivência como na origem - nos vai recrudescendo ante um passado que é provecto de, e em todos nós. Assim sendo, Vamos aguardando essas tão lindas surpresas que «falam» e se expressam por meios tecnológicos de hoje em análises e conclusões de toda a sua proveniência e génese autênticas. A bem da verdade, a bem do conhecimento e, a bem de toda a Humanidade assim seja!