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sábado, 11 de janeiro de 2014

A Imortal Epopeia



Terá Luís Vaz de Camões conhecido o segredo dos deuses há séculos atrás? Nos sonetos e, na sua imortal epopeia designada por «os Lusíadas», terá este poeta de outrora descoberto a verdade, sob a alçada da sua salvação no naufrágio que sofreu na foz do Rio Mecon?

"Vistes que, com grandíssima ousadia,
  Foram já cometer o Céu supremo;
 Vistes aquela insana fantasia
 De tentarem o mar com vela e remo;
 Vistes, e ainda vemos cada dia,
 Soberbas e insolências tais, que temo
 Que do Mar e do Céu, em poucos anos,
 Venham Deuses a ser, e nós, humanos.
                                                                   - Os Lusíadas - (canto VI-29)

Mundos do Além
Sem terem recebido nenhuma formação, põem-se espontaneamente a pintar, a escrever e a orar. Inicialmente não sabem como o fazem e têm a sensação de que seres do «Além», artistas falecidos ( e neste caso, pintores) como Pablo Picasso (m. 1973), Auguste Renoir (m. 1919) ou Claude Monet (m. 1926), lhes guiam a mão. Numa espécie de transe, quase sempre em plena escuridão, criam um quadro atrás de outro a um ritmo frenético. São as pessoas a que chamamos «pintores mediúnicos».

Arte Mediúnica
Uma das particularidades da arte mediúnica é que não necessita que se desenvolva um estilo, já que ele está presente desde o início. Por esta razão, os seus artistas consideram-se frequentemente instrumentos de inteligências alheias. Apesar de, na opinião dos espiritistas, cada defunto se manifestar através de pintores diferentes - assim como escritores se nos lembrarmos dos romances de Júlio Verne e outros - os quadros mediúnicos apresentam características comuns. Costumam estar carregados de traços ornamentais e, representar um caos onírico. Do fundo, quase sempre difuso, surgem rostos e paisagens que segundo eles, pertencem a regiões do Além.

O Médium Pintor
Um dos pintores mediúnicos mais destacados, o alemão Heinrich Nusslein (1879-1947), pintou sobretudo rostos do Além. Oriundo de uma família de artesãos de Nuremberga, cresceu num ambiente pobre. O seu sonho de estudar numa escola superior de arte foi frustrado e não apenas por razões económicas. A sua visão era tão incapacitada que era incapaz de pintar utilizando a Natureza como modelo.
Quando mais tarde enriqueceu com a venda de antiguidades e iniciou, na década de 1920, a frequência dos círculos espiritistas, o amante da arte começou a pintar por si mesmo.

O «Escritor de Quadros»
Em todo o seu trabalho, Nusslein utilizava - enquanto se encontrava em estado de transe - a pintura com óleo diluída sobre cartão. Com papel ou lã esfregava a superfície da pintura até obter quadros mediúnicos. Criava as suas obras em apenas alguns minutos. Dizem que graças a esta rapidez, o pintor alemão realizou em vinte anos cerca de trinta mil quadros. Nusslein chamava ao seu trabalho «escrever quadros». Os seus óleos, cujos temas se situam na penumbra e, na indeterminação do «mundo dos espíritos», eram para ele mensagens de outro mundo.

Das Profundidades da Alma
Os psicólogos pensam que a arte mediúnica não contém assim mensagens do reino dos mortos. Interpretam os quadros pintados em estado de transe como o fruto da anulação do autocontrolo do artista e, a resultante sensação de alienação da própria pessoa. Ao anular-se a própria vontade, tem-se a impressão que se está a ser guiado por alguém alheio. O pintor defunto que supostamente dirige o seu trabalho, não é mais do que o próprio potencial criativo que provém das profundidades do subconsciente, porque já não está aprisionado pela vontade. Muitos cientistas comparam frequentemente a arte mediúnica, às obras criativas dos deficientes mentais e à chamada «art brut», ou seja, a arte incondicional de pessoas mentalmente sãs e carentes de formação artística. É muito provável que através de Heinrich Nusslein e seus colegas, não se tivessem manifestado pintores falecidos, mas apenas a sua própria alma.

Em conformidade com o que já foi dito, assume-se de que eventualmente é mesmo o próprio a exercer influência sobre si mesmo mas, para lá do que se conhece e designa como dado científico - e neste caso, psicológico - também não será de delimitar as outras vertentes, mediúnicas ou não.
Luis Vaz de Camões, o celebérrimo poeta português e do mundo que viveria paupérrimo e assim faleceria em terras de Lisboa onde também nasceu, ecoaria em nossa pátria e no mundo, sentidos e alma lusitanas que, acredita-se, do próprio ou de outros mundos e que lhe terão remetido em mãos a prosa e a poesia de descrições lusitanas. E, a de novos mundos ao mundo na sua imortal epopeia dos Lusíadas.
Vozes do outro mundo, sentidos do Além ou sequer, almas muitas - as da Terra e outras - que, por vias de um mar tumultuado em foz de rio (Rio Mecon, na Índia) e, para onde Luis de Camões se dirigia (Goa) com os seus Lusíadas na mão em quebranto e sofrimento por um náufrago iminente. Espíritos do Além ou...deuses do Céu que tão espectacularmente Luís de Camões expôs na sua obra em cumprimento e certificação do que eventualmente saberia destes? Tê-lo-ão salvo esses deuses, essas almas do Céu na protuberância da revolta dos mares e dos rios em oceano perdido, com um determinado propósito? E ele, Luís de Camões, tê-lo-à entendido? Penso que sim. A bem de Portugal, a bem da nossa amada língua portuguesa e, acima de tudo, a bem da universalidade histórica de gentes e almas em epopeia eterna, imortal!