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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A Divindade na Terra



Dalai-Lama: "A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância!"

Tibete Mágico
Havia na Europa da Idade Média rumores de uma terra estranha, aninhada no meio dos Himalais, onde se conheciam práticas cristãs. No início do século XVII, os padres jesuítas António de Andrade e Manuel Marques, disfarçaram-se de peregrinos Hindus e partiram da Índia rumo ao lendário Tibete, do qual se falava havia já alguns séculos. Atravessando perigosos desfiladeiros, foram os primeiros europeus a chegar a esta terra, ofuscados pela neve e esgotados. A oeste de Lassa, fundaram uma missão cristã e que, em 1635 foi saqueada por um exército de lamas budistas.

Na Cidade Proibida
Em 1661, outros dois jesuítas, o austríaco Johann Grueber e o belga Albert d`Orville, puseram-se a caminho do país do Dalai-Lama. Chegaram à cidade de Lassa - proibida aos estrangeiros - ao cabo de três meses de uma penosa viagem.
Profundamente impressionados com a grandiosidade do palácio de Potala, sentiram-se porém chocados com a veneração de que era objecto o Dalai-Lama, pois acreditavam que tais manifestações eram devidas apenas ao Papa. Nesse tempo, o Tibete era governado por um impressionante rei divino, o Quinto Dalai-Lama que, tal como os seus antecessores, era considerado a encarnação voluntária de um deus.
Os jesuítas verificaram também que os Tibetanos, em lugar de constituírem uma comunidade cristã, praticavam uma mistura de religião natural e, de budismo. A história desta confissão encontra-se radicada num passado muito remoto.
No século V, um guerreiro de nome Song tsen Gampo unificou as tribos nómadas e constituiu um reino. Até a imponente China capitulou perante este homem. Foi então proposto um casamento dinástico ao autoproclamado senhor do Tibete, que desposou a princesa Wen Cheng. Profundamente religiosa, a princesa levou mestres budistas com ela. A partir de então, a religião xamânica nativa desenvolveu uma curiosa ligação com o budismo, chamada «Lamaísmo ou Nangpatscho».

O Mundo enquanto Projecção
Ao contrário de Buda (cerca de 550-478 a. C.) - que pregava a libertação do sofrimento humano através do ascetismo e da meditação - o missionário budista Padmasambhava introduziu no Tibete em 746, uma doutrina que professava a iluminação e a libertação pela auto-realização, plena vivência dos instintos e, satisfação dos desejos mais íntimos. O que a civilização ocidental perdeu - o contacto vivo com os mistérios da Natureza - tornou-se um pilar do Lamaísmo, que considera tudo o que é material apenas uma manifestação do espiritual, estando estes dois aspectos metafisicamente unidos em profunda harmonia.
Todos os pensamentos e actos, podem levar à iluminação e, à libertação do ciclo perpétuo da reencarnação.

Uma Divindade na Terra
Para os Tibetanos, muitos lamas são monges reencarnados que venceram o sofrimento da vida e que, regressam de livre vontade, pelo bem dos outros.
O Dalai-Lama é considerado a encarnação do Deus protector do Tibete, Changchub Sempa. O primeiro Dalai-lama reconhecido como reencarnação, viveu no século XVI e chamava-se Bsod-Nams-Rgyamtsho.
Quando um Dalai-lama morre, o seguinte é localizado por meio de oráculos e visões. A criança eleita pelos monges é submetida a variadas provas (por exemplo, o reconhecimento de objectos específicos do falecido rei divino). O décimo-quarto Dalai-lama, Tenzin Gyatso (n. 1935), foi escolhido desta maneira em 1939. Os seus esforços em prol da liberdade no Tibete foram reconhecidos em 1989 com o Prémio Nobel da Paz.

O actual Dalai-Lama, simplesmente Tenzin Gyatso de seu nome de monge, é considerado - tal como os seus antecessores - a encarnação de Avalokitesvara e, Bodhisattva da compaixão.
A sua linhagem de reencarnação foi iniciada por Songtsen Gampo, considerado a emanação humana de Avalokitesvara.

Por conclusão de partes: existem ainda no nosso solo terreno e planeta Terra, os chamados deuses supremos ou sequer, em carne e osso, as ditas almas divinas que apelam à busca da interiorização, iluminação e finalmente libertação do tal ciclo perpétuo da reencarnação. Até sermos perfeitos ou atingirmos essa espécie de Nirvana pessoal e, individual, teremos muito ainda a penar também. É cíclico e determinante que assim seja. Evocando de novo este nosso último Dalai-Lama, «a arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância», como tal, apenas posso acrescentar de que assim é de facto pelo muito que ainda não sabemos nem reconhecemos na totalidade como verdade e, também, pela concordância efectiva de, ao sermos bons ouvintes, seremos igualmente bons seguidores, acredito!
Uma divindade na terra ou, «A Divindade na Terra» (supostamente...) este grande senhor do Tibete é e será sempre para nós comuns seres humanos, um exemplo divino a seguir na confluência do que nos rege em maior intuição, iluminação e libertação como já se referiu. Para mim, a certeza de querer acreditar de que as almas boas existem e se distinguem de entre nós. Dalai-Lama é um deles, sem dúvida, e seja assim então abençoado com longa e provecta vida, é o que todos lhe desejamos, os que acreditam que há seres de luz ainda que habitam, convivem e, se anunciam de entre nós. Por ele, por nós, por todos, assim seja!