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domingo, 8 de junho de 2014

A Imortal Alma


Jesus Cristo descido da cruz - «Cûlgaitã» (Cólgota) Monte do Calvário - Norte do Monte Sião
                                                                                                             Cidade Velha de Jerusalém

Ano I d. C, - Sexta-Feira Pascal 15: 00 h. locais
Últimas palavras de Cristo em registo bíblico: "Eis que venho em breve! Felizes aqueles que põem em prática as palavras da profecia deste livro," (...). (10) Disse ele ai ainda: Não seles o texto profético deste livro porque o momento está próximo. (11) O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. (12) Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. (13) Eu sou o Alfa e o Omega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. (18) Eu declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa. Deus ajuntará sobre ele pragas descritas neste livro, (19) e se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a parte da sua árvore da vida e da Cidade Santa, descritas neste livro. (20) Aquele que atesta estas coisas diz: "Sim! Eu venho depressa!" Amen. Vem Senhor Jesus!"(21) A graça do Senhor Jesus esteja com todos.
                                                                                               Apocalipse 22 - Bíblia Sagrada

O Suplício - Via Dolorosa
Julgado pelo Sinédrio, por Pôncio Pilatos e, Herodes Antipas, todos eles demónios, todos eles avessos à tua palavra, meu Senhor! Como pudesteis resistir tanto...como haveis mantido a honra e a dor incutidas em ti, pelas muitas torturas sofridas...pelas muitas dores da vida e destes ímpios homens que te devassam o corpo e, a alma! Não tenho mais lágrimas para derramar sobre teu manto púrpuro de fraca condição, não tenho mais ânimos de me voltar a fazer tua...mesmo além o teu reino e, a tua imposição sobre mim, que me rogaste a fé a confiança de esperar, de não te julgar e...de aguardar por novas de ti.
Cada ferida, cada pústula que em ti abrem, é como a minha chaga de tormentos e devaneios por te ter amado um dia...por te amar para sempre meu santo Senhor! Cada gemido, cada rogo teu de lamento e dor, é o meu inferno sustentado por uma única certeza: a de te voltar a ver, a de te voltar a ter em meus braços, Senhor! Tua mãe está derreada e sem cores e eu...apenas a seguro sem forças já ter para tanto sofrimento, tanta mágoa desesperada de um só grito, de um só desalento! Quem nos valerá nesta hora maldita? Quem nos augurará o inverso desta execrável acção de direitos extremos de direitos não concertados com a missão que vinhas impor na terra, que vinhas instar aos homens de boa vontade...? Que Centurião é este que nos confrange e amordaça o querer e a vontade de pensar diferente, de ser diferente...de ser magnânimo e perfeito? Como te puderam fazer isto meu santo Senhor de todos os dias, de todas as noites que por ti velava, que por ti esperava em amanhecer rosáceo e belo de um recomeço inextirpável?
Não sou mais tua, não és mais meu! Ou sê-lo-às...para sempre...para a eternidade dos teus céus, das tuas desventuras do deserto, das tuas missivas e mensagens profundas de Deus? Ainda me ouvirás? Ainda o teu coração baterá pelo meu, aquando me chamavas de bela Maria, de bela de Jerusalém...de bela de todas as coisas?...Ainda chamas por mim? Ainda me escutas? Ainda me esperas?
E o teu corpo tão massacrado, tão desmembrado de toda a pureza que nele eu vi e que neste eu senti, em toda a misericórdia de vida e pujança cordata em si. E agora, meu santo Senhor, que é de vós sem mim e eu sem ti meu amor maior, meu amor de todos os tempos, de todas as coisas...que serei sem vós?
Compadecida de vós, vi eu Verónica em pano limpo, arcando com as tuas impurezas, as tuas excrescências que ficaram marcadas para sempre nesse enxergo de caminhante doloroso que vos vi - em piedosa alma que te estendeu o mais puro de si em linho puído, em linho esgaçado, como porventura a sua alma ao ver-te passar. E, o pobre do Simão Cirineu que obrigado foi a levar a tua cruz - pudesse eu, e a levaria em ombros também...só para não te ver o cilício tortuoso em teus membros, em teu andamento refreado de dor, muita dor. E eu...sem nada puder fazer...a tua Maria...a tua bela Maria. E tanto que eu invoquei os meus parcos poderes, poderes de mulher de Jerusalém aqui e, nos meus familiares, nos meus vizinhos e conselheiros e... em redor de toda esta terra de Romanos em terra não sua, de invasores e delatores de terra nossa! E a todos apelei, e a todos me vi ser ouvida mas não absolvida de vossos impostos erros, imposta condenação em manto jocoso e coroa espinhosa, remetendo em vós, a luxúria de que nunca foi vossa morada!
Morro de lamentos fazer por vós. Morro...de tanto suplicar, clamar e...orar por vós meu Senhor, minha santa alma...e meu amor único! Levar-vos-ei para sempre comigo em servidão e descendência, pois que vosso filho está em mim e... mesmo não vos vendo mais, sentirá vossa presença, tal como todos os vossos apóstolos - e meus correligionários - nesta tão imensa dor de vos ver martirizado e quase morto. E morta eu sou já também...como vossa mãe Maria, como vossa tia e José de Arimateia. E Tiago e... tantos outros, os que não fugiram, os que não vos negaram - ou renegaram - ainda antes da cantada do galo do amanhecer. Bem sabeis do que falo mas não são momentos de tal invocar, pois e minha alma está tão densa e tão enevoada de dor e sofrimento que ninguém devo julgar. Mas permeio em devassidão e lamúria pelos tempos que aí virão, se a todos acometeres a breve mas infinita lição de nos voltares a ser luz, de nos voltares a presentear com tua omnipotente presença de cor e...salvação! Espero por vós Senhor! Aqui ou...naquela que é a vossa terra, o vosso reino que não é deste mundo! E todos acreditamos nisso!

A Ressurreição - A Luz na Escuridão
Ao terceiro dia fez-se luz! Voltaste para mim Senhor. Voltaste para todos nós. Que alegria, Senhor! Que júbilo! Que entoação de alma em enlevo e acordo dos céus assim, em solstício intemporal de mudares todas as coisas! Vieste das estrelas, vieste do teu reino do Céu e...de uma outra esfera que não conhecemos mas já habita em nós, Senhor! Vossa mãe está esfuziante. Vossos irmãos, amigos e companheiros de longa data nem sabem o que dizer. Vosso reino é tão distante e tão longínquo de todos nós, como é esta nossa terra das estrelas e tudo o que pensareis dizer-nos, que nada será tão forte e eloquente quanto o coração meu que por vós vibra e espera por partir. Sabeis vós o que o Centurião aferiu sobre vosso corpo: "Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus!" - E se eles o afirmaram após teres partido e deixado vosso corpo, será que os ouvistes em crença e artimanha pois que sabiam que vosso corpo era inerte mas não morto?
Não precisais de responder meu Senhor, pois que tudo clama por vós em homilia assente de toda uma reiterada missão e caminhada que todos nós temos de fazer. Judas Tadeu ficou pelo caminho - o mau - mas isso, já o sabeis. Sim...eu sei meu amado Senhor, que Judas foi apenas um mero mas, mui válido instrumento de Deus, por tua voz, em fazer cumprir o que havias determinado anteriormente e que tal ele cumpriu. Mas os remorsos foram muitos. Não os suportou. Pediste-lhe que te entregasse, pois só assim serias recordado, só assim serias falado e dignificado em mensagem póstuma nos tempos vindouros, mas foi demais para si, para Judas Tadeu, que se viu enleado numa teia assaz turbulenta e indigna de tal. Enforcou-se, e a sua alma aí jazerá, no que só vós podereis comutar em penas que o pobre não sofra para a sua eternidade. E tal como meu irmão, Lázaro, que ressuscitásteis de tanta enfermidade sua, revoga agora estas duras penas em Judas e outros que tão perseguidos serão por somente te terem seguido em desígnios e muitos ventos.
Por Acta Sanctorum que um dia tudo irá expor, eu te consigno meu santo e belo Senhor de olhos negros e balsâmica profundidade de alma, que todos no mundo te falarão, sobre teu nome e sobre tua missão em mensagem de Deus e, das estrelas de onde vieste, e ficaste em quarenta dias de deserto, em outros tantos de pensamento e sugestão de alma...pelo que Deus te arremessou em sacrifício e punção.
José de Arimateia foi testemunha de teu corpo envolver...com Nicodemos em auxílio e bonomia de tamanha nobre missão. E tua mãe Maria que tudo viu...observou e oprimiu lágrimas, ruídos ou outros lamentos pelo que sabia omitir, sonegar e não mais afligir-se de para longe dali te levar...para bem perto depois, de nós...vós ficáreis. E assim se cumpriu. E assim o mundo viu a tua alma elevar-se e o teu corpo esfumar-se. E depois...a tua luz, a tua nova imagem em poder supremo de todos os reinos, de todas as estrelas, de todas as luas e...de todos os sentidos. Voltaste ainda mais perfeito e mais digno para o reino dos vivos e...dos ignotos que todos nós éramos, ainda antes de te conhecer, Senhor! E eu...que tanto esperei por ti meu amo e Senhor Jesus que, como mulher de Jerusalém, a vossos pés me concirno e me devoto, pois que para sempre vossa serei por todos os tempos advindos também!
E aquela escuridão...? E aquela tremura de chão...? E aquele desabar do templo, desabar de tudo em submissão a vós, ao que em vós fizeram, levando a palma de todas as más sortes, de todas as punições? Tive de aquietar vossa mãe e mesmo vossa tia ou José de Arimateis sempre tão forte, tão determinado e ali...tão espavorido com tamanha aferição de alma em solo tremente, em céus cúpidos de tormentas de nuvens malignas, raios pavorosos e rasgão de entranhas de Céu que a todos fez recear e temer por si. E depois...tudo passou. Apenas ficou a espera. A subversão dos factos e de vosso corpo envolto no linho que vossa mãe abraçou. O resto já sabeis. Vieste para nós, vieste para o mundo! E Deus anotou!
Vamos ser felizes...muito felizes. Vamos dar mundos ao mundo e...vamos ser um só! E eu...morrerei de vosso lado em chão de estrelas e cama de nuvens...com o Sol ao fundo a brilhar! E vosso filho...a brincar! Vós...alma imortal, igual à minha e...à de vosso filho, que para todo o sempre ramificará na Terra, a vossa mensagem  e,a vossa missiva, em palavra de Deus anunciada e registada até ao fim dos tempos!
E eu...Maria, velarei por isso ainda que...por muitos e muitos anos - e alguns maus momentos na Terra - essa consagração na virtualidade dos tempos, me tenha imposto o inverso disso mesmo, asseverando ter sido uma má mulher que de facto não fui! Apenas...uma mulher que amou, só isso! Muito! O meu nome...? Maria! Maria Madalena!