Translate

domingo, 15 de junho de 2014

A Flor Divina


 
Flor de Lótus

Que poderes mágicos possui esta maravilhosa flor que flutua na água em adoração de deuses e, todo um mistério envolvente, na montanha divina de ovário central e as quatro pétalas da corola em representação dos quatro principais continentes terrestres? Possuindo uma substância psicoactiva, que propriedades ou finalidades terá assim esta tão enigmática flor em beleza tão deslumbrante quanto exótica e estranha?

Lótus - A Flor Divina
De noite, o nenúfar fecha as flores, volta a retirar-se para dentro de água e, é inalcançável! Ao nascer do dia, desliza para cima e abre-se à luz na direcção do Oriente.
Para os Egípcios, tinha por isso uma relação estreita com o caminho mítico do deus do Sol.

O Jovem nascido do Lótus
O Lótus-Sagrado-do-Egipto (Nymphaea lotus) é simultaneamente a flor que surgiu no início da água primordial (Nun) e, a que nasceu da Luz!
É um símbolo do Sol que irrompe da noite. Uma das imagens mitológicas dos Egípcios é o deus do Sol, que emerge do mar primordial num Lótus.
No capítulo quinze do Livro dos Mortos está escrito que, o deus do Sol - Ré - apareceu na figura de «um jovem surgido do Lótus». A esperança do renascimento manifesta-se noutra passagem do livro, onde o morto deseja ser transformado na flor sagrada.
O Lótus foi divinizado na figura de Nefertem.

O Mundo no Lótus
Na geografia mítica dos Indianos - a terra - tal como o Lótus-Índico «Nelumbo nucifera» (Lótus da Índia), flutua na água. O ovário central representa a montanha divina e, as quatro pétalas da corola, os quatro principais continentes.
Na Índia, o Lótus simboliza a libertação de todos os aspectos exteriores do mundo. Apesar de aquele que busca o progresso espiritual viver no mundo, não deve ser tocado por ele. O mesmo acontece ao Lótus, que flutua na água mas não fica molhado.

Vishnu, Brama, Lakshmi
O Lótus é na Índia símbolo de beleza, pureza e santidade. Os santos têm olhos e pés de lótus.
O deus Vishnu é representado deitado num lótus, com um outro crescendo-lhe do umbigo.
Brama - o deus da Criação - aparece frequentemente sentado num lótus.
Lakshmi - a esposa de Vishnu - emergiu com um lótus na mão do oceano agitado, até se transformar num mar de leite. Tem olhos de lótus, pele cor de lótus e, é a deusa da Felicidade, do Amor e da Beleza.

O Lótus no Budismo
O Lótus cresce para a luz na água suja e, não é conspurcado! No interior, é vazio; no exterior, direito. Não possui ramos e é perfumado. O Budismo fez por isso dele o símbolo da verdadeira natureza do ser humano, que também permanece imaculada no lodo da existência terrena (samsara) e, da ignorância (avidya).
Só assim, no entanto, o ser humano pode ser iluminado. Os Budas são representados sentados em tronos de lótus. Não há a certeza se, a grande disseminação da sua adoração, se deve também ao seu efeito alucinogénio, pois existem alguns indícios de que, as plantas da espécie Nymphaea, foram usadas no passado com este fim. Os cientistas isolaram na planta a apomorfina - uma substância psicoactiva.

Figuras Tibetanas de Libertação
O Lótus - que se conta entre as 8 jóias do Budismo - tem uma relação simbólica estreita com o «bodhisattva» (ser iluminado) da compaixão infinita, Avalokiteshvara.
Na China, este bodhisattva tem normalmente uma representação feminina: é Kuna-Yin, divindade da Compaixão. Segundo a lenda, o bodhisattva Avalokiteshvara chorou um mar de lágrimas e, a deusa Tara - outra encarnação de Avalokiteshvara - nasceu num lótus.
Tara jurou afastar os obstáculos e, a ajudar os seres vivos, a alcançarem a libertação até ao fim dos tempos.
No Tibete, tornou-se uma popular figura de...libertação!

O Lótus pertence à família dos nenúfares. Tem folhas redondas ou ovais que flutuam na água, caule comprido e flores que podem atingir os 35 centímetros de diâmetro.
O Lótus do Egipto é branco. No Antigo Egipto. o lótus era o símbolo da Regeneração!
Que mais acrescentar a esta bela e maravilhosa flor que, desde a Antiguidade até aos nossos dias, nos ramifica também a certeza de uma ascensão ao longo dos tempos na maior consciência de libertação, regeneração e...muito provavelmente, reinício de uma outra vida em pureza e, crescimento! Haverá por certo, muito mais a elucidar sobre esta bonita flor que, desde o Egipto ao Tibete, se tem revelado de uma magia ímpar em toda a sua explanada singeleza sobre as águas paradas de um qualquer rio. Que esconderá então nas profundezas do mesmo...? Descobri-lo-emos algum dia? Que revelações nos faria? De que reino ou condição eflúvia se originará, em aroma intenso na emanação de si em alma humana, em alma sentida? Quem o saberá? A única certeza que nos fica sem dúvida, é o facto de toda a sua pujante beleza e...alegoria, a uma determinação terrestre em toda a sua forma e esplendor!
A bem dessa continuação perfumada e bela, assim seja então...ante os olhos e corações de toda a Humanidade!