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terça-feira, 3 de junho de 2014

A Esperança XIII


Planeta Terra

Recomeçar, reconstruir, edificar, ordenar e...reintegrar valores perdidos, reajustando a Terra a esta nova realidade em reinício e, prosperidade. Saberei fazê-lo? Conquistá-lo-ei de novo, a este maravilhoso planeta, como um dia o meu antecessor Anu subscreveu? Conseguirei reerguê-lo em força, vibração e energia sob todas as coisas e, revivificá-lo em toda a sua glória planetária em descendência e ramificação? E, se Deus-Uno assim me proteger e, autenticar, ficarei na História dos homens na Terra como alguém que se não submeteu, se minorou, à condição «inferior» de um mundo tão mágico quanto poderoso em corpo e alma?
Eternizarei esse tão magnificente poder que é o amor nos humanos e...nos seres que nos são próximos?... A minha Alma diz-me que sim! Anu, Tiki, Alia, Silus e Dominus meus filhos, a isso me devotam. Com Siul do meu lado; com Siul em reiteração máxima de me ver feliz e sentir sua no planeta Terra. Para todo o sempre!

Thraeh - Planeta Satélite de Alfa do Centauro A
Dominus
A vida neste planeta revela-me a certeza havida em mim de toda uma conjuntura algo estranha e por vezes displicente por todo o vazio sentido. Há uma nuvem carregada de dúvida e mal-estar, ainda que possua todos os meus quatro filhos em redor, observando as suas qualidades, os seus avanços e...as suas obras de ensinamentos, estudos e inteligências a recrudescer como sementeiras em campo fértil. Mas há um espaço em aberto que me fragiliza e concerne a pior de todas as mágoas: a ausência de Dominus, o meu bebé.
Este mundo quântico em que me assisto, em planeta paralelo à Terra - ou similar na atmosfera e na situação geográfica de solo e céus - não me apazigua a dor de me ver coarctada deste meu último filho. Terá sobrevivido, terá tido um outro colo materno, terá a ideia por mais ténue que seja, de ter tido uma mãe, uma progenitora que o ama, que o espera...que o chora em dias e noites de dois sóis e muitas estrelas...terá?
Tal como o Princípio da Incerteza de outrora - por cientistas e homens de estudo na Terra - que eu me vejo na igual condição de sentir que se não pode aprisionar energias poderosas e...o ser mãe, é uma delas! Os elementos não podem nem devem ser encurralados, à semelhança de um electrão em que me sinto agora, inflexível na determinação de ter esse filho comigo, incircunscritível na aferição do que me sustém e subleva de o procurar, de o ter em meu regaço, em minha alma - segurando nos braços e perspectivando o seu sorriso. Nada é mais importante do que isso! A dispneia que me fere os pulmões é a mesma que me fere a alma, supondo que este filho está longe mas...não morto! Siul foi em sua busca estelar. Siul, o bravo, o guerreiro mais plácido e ordeiro que já vi no mundo: o seu olhar dita tudo; a sua magia de alma, restaura o resto...na consignação telepática que faz dos seus sentidos em mim, reportando que o vai encontrar, que o vai trazer para mim. Não o vi, a Siul. Tudo me foi transmitido em projecção holográfica, pelo que me instaram a aquiescer, a não contestar. Assim fiz. Ainda que, a minha alma fenecesse por tamanha saudade haver de meu amado Siul. Como o amava! E como distante estava agora...para bem perto de mim ficar, se acaso levasse a peito a incursão estelar de me devolver o filho que era de ambos e nem o seu rosto ele conhecia! Rezava por ele, Siul, e...por Dominus. E por todas as almas de um mundo que eu estava à beira de construir, assumindo tarefas, regras e determinações centáuricas do que o futuro me guardava.
E assim foi. Siul recuperou-me o filho, Dominus. E eu...dever-lhe-ia então para sempre, a minha lealdade terráquea de simples cidadã daquele mundo inferior que só queria para mim...como um outro filho no ventre que se gera mas em exterior suposição de fortalecimento e, desenvolvimento! A minha alma pertencer-lhe-ia e ele, Siul...sabia disso. E disse-mo. E abraçou-me. Após fardos de meses, exaustos e exauríveis de qualquer compleição em que eu tivesse podido descansar ou dormir sem sonhar. O meu sonho começava a cumprir-se agora. Dominus voltara; todos os outros filhos em volta, abraçando-o, beijando-o e ele, Dominus...observando, registando em si - como micro-chip em computação interior - na aferição individual do que lhe não fora ensinado, do que lhe não fora imputado por aqueles seres cinzentos da civilização de Cygni B que o sequestraram de mim. Mas agora era meu...e dos irmãos e do seu pai de Alfa do Centauro que o já amava, que o já aceitava como seu - em mais um membro desta agora esfera familiar; híbrida, mas muito equilibrada e, se Deus-Uno permitisse, inviolável, inquebrantável e mesmo invulnerável às investidas externas de ameaças veladas ou não, de outros seres, outros mundos e...outras civilizações mais poderosas que nós. Agora éramos um só e só isso importava!

Siul - O Meu Amor Maior do que a Estrela Maior
Quando se ama, ama-se na totalidade! Quando se abraça alguém que nos quase matou de dor e saudade...então, a coisa complica-se ainda mais! Vê-lo assim...alto e garboso, alvo e louro, altivo e poderoso em táctica sua, exponencial de tudo o que eu conhecera até aí. Os seus olhos verdes, fulminantes, sob uma carapaça sua de impenetrabilidade ou sequer impermeabilidade do que quer que fosse - asseverando-me de que só os humanos se revelam através dos olhos em transparência única do que lhes vai na alma - e eu, corroborando disso mesmo, afiancei-lhe essa idêntica ilação, deliberando-me completamente sua em nudez total! Literalmente! Corri para os seus braços...depois de me ter lambuzado no meu filho Dominus em potencial exacerbado de mãe saudosa e carente que fora, tendo Siul só para mim, amei-o como mais nenhum outro ser-fêmea estelar lhe remeteria em...corpo e alma também!
A minha estrela maior brilhava para mim em super-potência, em super magnetismo e íman subsequente de todo o sentimento de eu por ele e, ele por mim. Ele, Siul é a minha Estrela-Titã! E eu...sou a sua Vega, em estrela menor mas tão brilhante e tão doce quanto esta, em Constelação Lira - num mar azul esbranquiçado em névoa e assomo de mulher da Terra! E ele, Siul, o meu VY Canis Majoris, a estrela-máxima em dimensão e jactância do cosmos e, de todo um Universo surpreendente!
Levou-me na sua nave e fomos unos em corpo e mente. O abraço que foi dado, abarcou o mundo: o nosso mundo! Ele e eu, fomos a dança universal das forças magnânimas estelares em Universo microscópico só nosso! Éramos como duas partículas subatómicas em dança interactiva, em dança entrelaçada um no outro. A cumplicidade era total! Foi, e assim seria sempre... sentimos ambos!
A Via Láctea, espraiando-se pelo Centauro, Cruzeiro do Sul, Vela, Oríon e Cocheiro. Enquanto Siul me beijava os cabelos, os lábios e os seios numa sofreguidão que não julgara possível um Centauro haver - observando a Grande Nuvem de Magalhães a meio caminho entre a Carena (ou Quilha) e a Hidra Macho - que o vi a ele, Siul, submetido a mim...e, às minhas forças de mulher mais amada que o Sol e a Lua juntos!
O desejo era muito! E ele, Siul...queria tudo! E eu...dei-lhe tudo! O meu corpo, os meus sentidos, a minha alma! E ele, ávido, sequioso e premente numa impreterível acção imediata de me despir, de me ver nua para si em toda a ascensão de corpos e sentidos seus, invadiu-me o corpo como cometa em transvio estelar ou em suicídio sobre um Sol devastador. Eu fervia de ansiedade e despudor de tudo lhe querer também: as mãos no meu corpo, os lábios na minha pele, o genital em mim e...toda uma envolvente ultra-dinâmica, imparável em movimento e, sentimento, como navio perfurando as ondas do mar em vagas tenebrosas mas suas! Mordi-o. Queria-o sentir meu. Tentei reter em mim, aquele seu extraordinário poder orgásmico no seu todo, aspergindo desejo e sensações únicas que me não dessem nenhuma dúvida desse poder dele sobre mim e, o contrário. O amor fazia doer. A falta dele...ainda mais! Gritei. Eu era a sua Ninfa, agora. E ele, o meu arpão...no bom sentido da questão. A sua marca deixou-a em mim...em sémen seu que me fluía mais na alma do que no ser prostrado em que eu ficara. Siul...o mais belo amante estelar, poventura, que me fazia ir às estrelas e voltar...literalmente também! Vega, Bellatrix, Epsilon C. M., Dubhe, Aldebaran, Betelgeuse e finalmente a VY Canis Majoris numa óptica de Universo intenso, do que eu lhes sentia em registo e absolvição de todos os meus pecados, em expiação total do que um dia lhes fora em simples poeira intemporal de um planeta Terra que me esperava e, eu ansiava por penetrar e...por pertencer de novo.
Há imagens, há sons e sabores que não se esquecem nunca. Indómita verdade em endémica natureza minha...do que me conhecia e sabia eu ser originária: uma terrestre nunca deixa de o ser! Uma terráquea em terrena situação de amor e condição, nunca troca nenhum poder por outro que não seja, o voltar às origens, o voltar à sua terra natal! Agora...era esse o meu limite, a minha fronteira estelar! Eu queria voltar à Terra. Merecia-o. Desejava-o! Tanto...que até doía...tal como o amor que sentia por Siul e, por todos os meus filhos agora reunidos. Redescobrir aqueles solos, aqueles céus...emergir do imenso fosso de um passado ainda presente em mim e...voltar a respirar o ar puro das minhas montanhas, das minhas serras, dos meus rios e...dos meus mares e oceanos que dia-a-dia se iam purificando cada vez mais. Eu era da Terra e à terra queria voltar! Siul compreendeu e aceitou-o. De novo. Todos concordaram. Só faltava o aval de Alfa do Cenaturo e da sua instituição máxima em reiteração, ordem e sistema apresentado pela única lei que conheciam: o ser-se obrigado a preservar o planeta para onde se iria. Fosse onde fosse!

Voltar ao Planeta Terra - Berço da Humanidade
De trouxas feitas e sorriso descarado, foi como eu enalteci a minha vinda, o meu retorno à Terra. Estava tão feliz que nem me apercebi das questões - muitas - e outras tantas inquirições dos meus filhos sobre este planeta primitivo e de baixa condição - mundo inferior - que ainda há pouco matava e consumia animais para a sua alimentação. O planeta Terra fora tão devastado por intempéries, meteoritos, dilúvios, guerras estelares em perturbações neste na esfera orgânica e solar, que mais não havia do que recomeçar tudo: recomeçar do zero! E foi assim que todos nos determinámos em árdua mas, não totalmente impossível, essa actividade de reinício e, redescobrimento do planeta Terra. Os Centauros iam ajudar-nos, afiançaram. Mas não permitiam mais dislates, mais agraves contra este planeta mártir em toda a sua dinâmica agora recrudescente de vidas a semear, a suplantar, a recuperar se possível fosse. Não havia animais, nem poderia haver. Em Tribunal Constitucional Galáctico, a Confederação Galáctica sustinha ainda esse poder de implantar na Terra, animais. Havia dúvidas ainda. Havia suspeição de que novamente, os terrestres, os subjugassem, os maltratasse e...os matassem por fim, em renovada cadeia alimentar e outras. Não o podiam permitir. Estava aberta apenas uma cláusula na existência de animais meramente domésticos para um certo equilíbrio quotidiano, mas isso ainda não estava instaurado pelas sub-consequências - ainda indeterminadas também - que eles incutiam negativamente aos humanos, ainda. E tinham razão, tive de admitir penosamente.
Em plena Via Láctea e já eu pulava de contente como criança a quem se dá um rebuçado...vendo o meu planeta azul enrubescer à medida da aproximação da Nave-Mãe que, sequencialmente, os Centauros invocaram para uma maior prospecção terrestre em toda uma logística aí referenciada. O meu coração batia em compassos rítmicos acelerados e eu, sentindo que poderia sofrer de alguma arritmia mais loquaz e não desejada, tentei refrear esse meu sentimento entre a felicidade e...a loucura premente ou...latente em mim, no que os meus olhos me denunciavam a todos os que nestes reflectiam. A minha terra...o meu solo, o meu Céu...meu Deus-Uno me valesse, mas eram emoções demais! Os filhos em redor, os seus olhos oblíquos enormes, os seus lábios entreabertos, a sua expressividade mista e mítica de híbridos que eram em natureza sua de uma curiosidade infinita, pegando na minha mão de vez em vez...como se eu me fosse quebrar de tanto entusiasmo e alegria no peito havidas! Eu ia voltar à Terra...à minha amada Terra! Deus-Uno foi meu protector, meu vigilante, meu amigo e...meu irmão! Foi tudo para mim - em cosmos seu de uma imensidade infinita, tal como o seu enorme coração estelar em congénita informação e...elevação de tudo o que há conhecimento! Siul...aferi a este, abraçando-o: - Se eles soubessem...os da Terra, que o mundo, o cosmos e todo o imenso Universo é assim composto! Se eles soubessem...do quanto somos importantes também... (nós, terrestres!) em componente acumulativa de um cosmos interactivo, conectado entre si, interestelar e, maravilhoso, em almas imensas que nos ajudam e velam por nós! Se eles soubessem...
Descemos à Terra. descemos ao mundo: ao meu mundo! Ao mundo que agora era e seria em futuro a acrescentar, o mundo de todos os meus filhos por opção própria - que nada lhes impus - e, de Siul que, comigo estava, em laço apertado de uma união tão forte quanto enigmática a olhos de Centauros. Aterrámos perto de uma praia e eu...sentindo a maresia, enchendo as minhas mãos de grãos de areia, grãos daquela portentosa terra de ninguém, olhei o Céu e votei-me ao silêncio, mas não vetando as emoções - muitas - chorando muito, em lágrimas caídas por mim de felicidade pura. Voltei-me para Siul e disse-lhe: - Vê meu amor, vê como é belo este meu planeta...observa estes grãos de areia e nota como são belos...dourados como o Sol, sobre a espuma branca das ondas do mar. E a Lua que já espreita e nos vigia os sonhos e o olhar...achas que poderás viver aqui comigo? Não te irás arrepender de me teres escolhido a mim, uma simples terráquea em reconstrução de um micro-planeta primitivo e básico de todas as coisas?...- Siul apenas me sorriu, respondendo com o olhar em empatia sideral -- e poder telepático seu - de me tomar toda na sua imensa alma centáurica, emitindo: -" A Lua não está ali?...Para mim? O Sol não amanhece todos os dias?...Os mares não se agitam em ancoradas persistências de se fazerem sentir na Terra?...O meu amor por ti, bela terráquea, não é suficiente para te responder a essa pergunta...? - E beijou-me, num beijo único de todo o deslumbramento sideral, cósmico e universal de que há memória...com os filhos à volta em reunião familiar estridente e...maravilhosa, eterna! Como eterno iria ser para sempre o meu amor por eles e, por Siul! Que o vento, o temporal estelar e todas as forças más do Universo não colheriam! Tive sempre esperança de tudo isto. Voltar a juntar a minha família, o amor recíproco entre mim e Siul e...o voltar à Terra. Que mais se poderá desejar?...A imortalidade? Já a tenho. Na firme esperança do quanto pode ser imortal este amor-uno que Deus-Uno me concedeu também! A Esperança é algo que nunca morre! É imortal! É eterna! E tanto...que os meus futuros sonhos serão os de ver a minha amada Terra voltar a ser o que era! E vai ser! Deus-Uno observa-me e eu...submeto-me à sua eterna missão de nos fazermos continuar como Humanidade que somos neste planeta mágico de ressurreição e...vida; E, evidentemente...em esperança! Uma feliz e inolvidável esperança! Para todo o sempre!