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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A Mística de Kailasa


Templo de Kailasa  -  Ellora  -  Índia

Que Arquitecto Divino ou Entidade Superior terá idealizado e, edificado, esta maravilhosa construção em toda a sua pujante personificação da força criativa?

Os templos Indianos esculpidos na Rocha
Quando em Ellora, no estado indiano de Maharastra, se segue por uma parede de rocha orientada a oeste, poder-se-à visitar um total de 34 grutas. Não se trata porém, de grutas comuns, já que operários trabalharam nelas durante cinco séculos, com vista a «construir» para hindus, budistas e jainistas (seguidores da religião indiana conhecida como Jainismo) um templo, um mosteiro e salas de reunião a partir da rocha já ali existente. Foi assim que, as mais invulgares das criações arquitectónicas do Sul da Índia, tiveram a sua origem.

Um Edifício Único
No final desse caminho, quando se julga já ter visto todos os edifícios dignos de interesse, a construção mais espantosa de todas aguarda ainda o observador: trata-se do templo de Kailasa, que pertence seguramente ao grupo dos mais arrojados empreendimentos arquitectónicos da Humanidade. Todo um templo, com a grande complexidade de concepção espacial que lhe é inerente, foi literalmente esculpido na rocha, tanto as suas formas exteriores como todo o seu interior. Há que tomar consciência deste feito.
O templo ocupa o dobro da área do Pártenon de Atenas e, tem uma vez e meia a altura deste. Durante mais de um século de construção foram retiradas 200 mil toneladas de pedra do local. O templo de Kailasa é dedicado ao deus Shiva e, é uma representação do monte Kailasa nos Himalaias, morada de Shiva.
O templo está assente sobre uma base de rocha maciça, o que acentua ainda mais o seu efeito imponente.

O Templo de Kailasa
No templo de Kailasa revela-se a predisposição mística das religiões indianas. A planta deste templo baseia-se na geometria sagrada das mandalas, em que a organização concêntrica reflecte a estrutura fundamental do próprio Universo. O ser humano apenas criou o não-essencial, o espaço vazio: o templo em si sempre esteve presente, embora escondido - no rochedo - apenas teve de ser «libertado» por ele, por assim dizer. Desde o início do mundo que Shiva teve neste rochedo a sua morada. Desde que o templo foi acabado passou a estar visível aos olhos do povo.

Templos para Três Religiões
Os templos hindus tradicionais possuem uma decoração diferente dos demais. Foram trabalhados de cima a baixo e tiveram de ser objecto de um planeamento cuidado, já que foram necessárias gerações e gerações para levar a cabo os trabalhos que resultaram na complicada arquitectura que os caracteriza.
Algumas grutas, originalmente budistas, foram modificadas e adaptadas para servir como templos dedicados a Shiva, transformando os budas em deuses hindus. Os templos dos Jainistas exibem a estrita ascese desta religião, não são tão grandes nem estão tão profusamente carregados de figuras e ornamentos como os templos budistas e hindus, no entanto podem nele ser vistos trabalhos de grande detalhe.

Arquitectura Divina
Os templos mais antigos das cavernas de Ellora foram criados no século V pelos budistas, tendo a maioria delas servido como «Viharas», ou seja, Mosteiros. Nestes templos de rocha encontram-se salas espaçosas com estátuas de budas com mais de seis metros de altura. É com justiça que estas obras únicas são conhecidas como grutas de Vishvakarma, pois este é no hinduísmo a personificação da força criativa, o arquitecto divino. Só uma entidade assim, poderia então ter idealizado e, edificado esta maravilhosa construção.

Simbolismo da Caverna
Desde há muito que, a caverna é tida como um local de iniciação e da revelação de mistérios. Em tempos arcaicos, os iniciandos eram conduzidos às cavernas sagradas com vista a adquirir os primeiros conhecimentos sobre os segredos religiosos. Era na caverna que, em virtude de esta ser um símbolo do regaço da grande Mãe-Natureza, tinham lugar ritos em torno da morte e do renascimento. A escuridão da gruta promove a meditação e a concentração no mais profundo do próprio ser, precisamente onde a divindade se manifesta. É a partir da caverna que se desenvolve o santuário, o centro do templo, que na Índia recebe o nome de «Garbha-Griha» (Câmara do Ventre). É aí que se encontra a imagem da divindade.
Não apenas nos templos escavados na rocha, mas em geral o local mais sagrado dos templos na Índia, passou a ser quase sempre uma câmara escura e, sem ornamentação.

Uma Aura Mística
Numa sala de reunião para meditações de um templo budista em Ellora, o tecto foi concebido como se houvesse traves de madeira e, através da semiescuridão reinante, criar-se um ambiente eminentemente místico. Os escassos raios de luz vindos da entrada apenas iluminam partes do interior e, quando os olhos se habituam a essa ténue penumbra, tornam-se visíveis as figuras quase fantasmagóricas nas paredes. As diferentes fases da vida de Buda são dadas a ver ao observador.

Pinturas
Em Ajanta, nas paredes de um desfiladeiro em forma de meia-Lua que o rio Waghora formou, encontram-se mais de 30 grutas com vários andares. As mais antigas remontam à época compreendida entre 200 a. C. e 200 d. C. Só 400 anos mais tarde é que as restantes grutas foram criadas. Alguns destes templos albergam pinturas murais notáveis. Mantiveram-se em óptimas condições de conservação ao longo de todos estes anos por estarem perfeitamente protegidas da chuva e, do calor.
As cenas históricas que representam a vida do Buda Siddharta Gautama constituem o monumento mais grandioso da pintura budista na Índia. Ilustram as famosas viagens que o príncipe encetava a partir do seu palácio, durante as quais ficou a conhecer o sofrimento das pessoas, decidindo após isso, renunciar ao mundo e ir em busca das origens do sofrimento. Assiste-se às tentativas de subjugar Siddharta por parte de Mara, uma personificação da morte, estando este apostado em desviar Siddharta do intento de espalhar os seus ensinamentos pelo mundo. Com base nas chamadas «játacas», relatos populares e didácticos budistas, são aqui representadas as vidas anteriores de Buda, oferecendo assim uma análise aprofundada sobre as condições de vida na Índia há 2000 anos.

Representações Artísticas de Buda
Na entrada de um dos templos budistas de Ellora, surge-nos uma estátua de Buda de grandes dimensões, que o representa enquanto monge e asceta. O tamanho desta representação escultórica pretende lembrar aos visitantes que, a renúncia constitui o primeiro passo no caminho rumo ao budismo.
Abaixo dela vê-se o Buda sentado na posição de lótus a pregar - colocando em movimento a roda do «darma». Mais abaixo temo-lo representado enquanto Maitreya, a personificação do amor que tudo abrange. Na teoria dos cinco budas terrestres, este é o último e, é esperado numa época futura - numa altura que ainda está para vir. A sua representação na posição sentada mais comum indica-nos que, está prestes a levantar-se.

O Templo de Kailasa foi declarado Património Cultural Mundial no ano de 1983 pela UNESCO. Fazer-se-à então justiça e por certo póstuma homenagem, aos muitos (supomos) canteiros e escultores que durante gerações e gerações trabalharam na rocha desde o século IV até ao século X.
Sem nos esquecermos eventualmente do seu arquitecto divino ou entidade superior que, como aqui já foi referido, terá havido a supremacia total em luz e veemência de deuses na construção e edificação de tamanha maravilha na Índia. Só assim se pode ilustrar o que, na ancestral História Universal, os nossos antepassados e nossos antecessores nos deixaram na magistralidade eterna que hoje observamos. Respeite-mo-lo então, dignificando-o e preservando-o nessa igual e eterna admiração em solo indiano. Para sempre assim seja! A bem do conhecimento!