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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Encarnação de Aton



Do Hino ao Sol de Akhenaton

"Refulges em toda a tua beleza,
Ó Aton vivo,
Senhor da Eternidade, origem da vida!
Resplandeces, brilhante e forte,
O teu amor é grande e poderoso (...)."
"És o Aton vivo, a tua imagem é eterna.
Estás só, e no entanto,
Estão em ti milhões de vidas,
É como um sopro de vida
Quando contemplam os teus raios (...)."

Akhenaton - O Fundador da Religião Monoteísta
Cerca de 1340 a. C. ocorreu uma devastadora guerra religiosa na terra das pirâmides. Foram destruídos monumentos consagrados a antigas divindades com escopro e martelo foi apagado o nome do deus Amon das inscrições na pedra. Esta execução ritual foi levada a cabo a mando do faraó Akhenaton, que entraria na História como um dos mais controversos soberanos do período anterior à Era Cristã.
Sob o reinado de Akhenaton foi promovido o monoteísmo, isto é, a crença num único deus. "Não há mais nenhum deus para além de Aton!" - Anunciaria assim o soberano egípcio, ao logo de todo o seu contestado reinado em controvérsia e, imposição suas.

A Religião da Luz
Como foi que, uma inovação teológica tão radical pôde ser introduzida? Ao que parece, Akhenaton terá recebido no deserto uma revelação acerca do monoteísmo por parte de um deus chamado Aton. A partir dessa altura, o soberano egípcio passou a venerar e a louvar o «pai celeste» com os mais belos hinos que a Humanidade tem conhecimento. Aton - assim afirmava Akhenaton - era a luz pura, uma força que percorre e flui por todo o Universo. Do negrume dos tempos, Aton conduzia a criação rumo à beleza. Aton, era a verdade e o amor. O faraó personificava o poder de Aton, era a ele que os mortais deviam venerar.
Por todo o lado Akhenaton mandou instalar no seu reino representações em relevo do novo deus, que surgia como um disco solar brilhante, do qual partiam raios de Sol abençoados que protegiam o faraó e, a sua família. Nessas representações ainda hoje se pode observar a existência de hieróglifos que apresentam uma cruz com uma alça oval - a cruz ansada ou «ankh» - para os Egípcios, um símbolo da vida eterna.
Tal como os demais faraós, Akhenaton acreditava na sua própria imortalidade.

Aton e Akhenaton
Os historiadores não chegam a um consenso quanto às tentativas de reforma levadas a cabo por Akhenaton: terão estas sido geniais ou meras acções resultantes da loucura de um ultraconservador incapaz de chegar a compromissos, alguém que com Aton, quis voltar a introduzir a veneração do antiquíssimo deus solar Ré.
Akhenaton exigiu um esforço imensamente grande dos seus súbditos: estes teriam de rejeitar os deuses que, no passado, lhes haviam trazido bem-estar, progresso e poder.
Deveriam então, passar a venerar Akhenaton como único intermediário entre os homens e, o grande deus. Teriam até de abrir mão do consolador Além, pois mediante os raios de Aton que transmitiam vida - e de acordo com a teologia de Akhenaton - o Aquém, era também o Além. Todos os limites e fronteiras eram eliminados através do culto de Aton. Akhenaton acreditava que nos altares sacrificiais os mortos eram sustentados, era-lhes dado de comer e de beber pelos vivos.
É bem possível que o faraó Akhenaton se visse mesmo como uma encarnação do deus Aton. Há quem proponha como tradução da primeira parte do seu nome (a segunda refere-se obviamente a Aton) expressões como: «espírito actuante», «estado brilhante» ou «transformação». Nas suas concepções religiosas e, no culto de Aton, os investigadores vêem os primeiros traços, um esboço do que virá a ser a religião Monoteísta Judaica.

Faraó Enigmático
Akhenaton foi o nome adoptado por Amenófis IV, uma decisão que deve ter sido tomada em honra do deus que adorava. Foi o décimo faraó egípcio da XVIII dinastia (Império Novo) e sucedeu ao seu pai Amenófis III por volta de 1353. Após apenas 17 anos de reinado, este reformador morreu ainda jovem, com apenas 35 anos de vida. Governando entre 1364 e 1347 a. C., com a ajuda da sua mulher Nefertiti, introduzindo no Egipto a crença num deus único, veria por parte dos seus súbditos - sobretudo os sacerdotes, que se entregavam de corpo e alma ao politeísmo - a fúria e a afronta perante essas medidas. Tais que, os levaria após a morte de Akhenaton a destruir tudo o que a si se relacionasse ou, o que da sua existência se recordasse.

A questão sublime que se impõe ante a inflexível reiteração de Akhenaton na crença de um único deus, leva-nos então à seguinte pergunta: Que terá visto, observado e sentido Akhenaton por parte desse deus Aton, para que tudo absorvesse e instituísse no seu reino, eliminando quaisquer vestígios do anterior deus Amon?
E que deus seria esse, Aton? Deus...? Ou simplesmente um viajante do Espaço, um visitante estelar que, asseverado por uma presciente sabedoria de tecnologia avançada - beneficiando em obséquio Akhenaton - lhe imputaria a quase obrigatória veneração como se de um omnipotente deus se tratasse?
Muitas questões sem dúvida, que nos engloba mais na dúvida do que na certeza, a afirmação de que Ahkenaton, terá sido um meio para atingir um determinado fim do hipotético ou muito real deus Aton - que vindo do Céu em disco solar brilhante - anunciaria a Akhenaton as manobras necessárias para a transviada corrente religiosa ou crente do seu reino até aí. Com que propósitos, isso estará no segredo dos deuses...porventura!