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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A Arca da Aliança



Estará a Arca da Aliança sagrada, oculta e escondida, numa das muitas igrejas de pedra nas encostas montanhosas da Etiópia? Construções sagradas - as igrejas de pedra - para albergar algo igualmente sagrado, vindo e eleito do Céu para protecção na Terra?

A Arca da Aliança na Etiópia
As origens da Igreja Cristã na Etiópia situam-se por volta do século IV. A epopeia nacional «Kebra Nagast» remete inclusivamente para raízes bíblicas: Menelik I era filho do sábio Rei Salomão e da lendária Rainha de Sabá, cujo reino - diz-se - ficava na Etiópia. Há 3000 anos, o príncipe visitou o pai em Jerusalém, mas o seu verdadeiro propósito era encontrar a grande relíquia dos Israelitas, a Arca da Aliança, um relicário de ouro carregado de energia divina, com o qual os sacerdotes podiam entrar em contacto directo com Deus, pois que foi construída por Moisés, segundo as instruções do Todo-Poderoso (Deus).
Com Menelik, a maravilhosa relíquia chegou à capital da Etiópia. Axum, onde os Etíopes acreditam que ainda hoje se encontra, fortemente guardada, na igreja de pedra de Maria Sião.
Para protegerem a Arca da Aliança dos invasores islâmicos, os Etíopes construíram na Idade Média mais 160 igrejas de pedra. Ocultas nas encostas montanhosas, os inimigos dificilmente poderiam descobri-las. Além disso, muitas delas comunicam entre si por meio de numerosos corredores.

Vestígios Bíblicos
O labirinto de túneis de Lalibela permite aos crentes chegarem à igreja de Beta Medhane Alem, a «Casa do Redentor». Para sacudirem o «pó do mundo», descalçam-se antes de entrarem na catedral. Sonoros cânticos ecoam na nave de 38 metros de comprimento. Palmadas rítmicas, o som monótono do sistro (um instrumento bíblico do género da matraca), o perfume do incenso e o fumo das velas envolvem os fiéis. Envergando magníficas capas, os sacerdotes rezam, segurando nas mãos grandes cruzes processionais.
Vigiam então a entrada de um segundo espaço, tapado por cortinados. Raras vezes conseguem lançar um olhar à terceira sala, onde se encontra o Altíssimo.
A forma tripartida da igreja Etíope tem uma relação directa com o Templo de Salomão em Jerusalém e mostra até que ponto, os cristãos deste país foram influenciados pela fé dos Judeus.
Na «Magda» - a terceira parte da Casa de Deus - está guardado o relicário da igreja, o «tabot» que é uma reprodução da Arca da Aliança. Uma vez por ano, por altura da mais importante festa religiosa, o «Timkat», os sacerdotes envolvem o original (partindo do princípio de que é mesmo o original e de que os sacerdotes Etíopes do passado não levaram para o seu país apenas uma réplica...) em panos, e levam-no em procissão até Axum, situada a 230 quilómetros a Norte de Lalibela.
O enigma das igrejas de pedra e, da Arca da Aliança, ainda não foi desvendado. Contudo, se as antigas tradições encerram alguma verdade, poderemos então deste modo (exultantes e felizes) um dia...ter à nossa frente uma descoberta sensacional. E, se acaso, não se fizer dessa descoberta mais um secretismo inviolável aos olhos do mundo e, na certeza porém e igualmente, desta não cair em más mãos...esperemos então que tal não suceda a bem de todos.

Templários na Etiópia
Para o escritor britânico Graham Hancock (n. 1950), é possível que a Ordem dos Cavaleiros do Templo tenha encontrado a pista da Arca da Aliança em manuscritos antigos e, estabelecido contactos com o príncipe Etíope Lalibela durante as cruzadas. Segundo G. Hancock, os «homens brancos», geniais construtores de que falam as lendas, foram os cruzados. O seu sonho de encontrar a Arca de Deus e a levar para França, talvez se tenha realizado, pois existem em igrejas francesas diversas ilustrações que remetem para esta possibilidade. Nesse caso, na Etiópia achar-se-ia apenas uma cópia.
A Ordem dos Templários, cujo nome oficial era Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, foi fundada em 1119 por dois cavaleiros franceses para proteger os peregrinos no tempo das cruzadas. Com a sua força militar e grande habilidade de negociação, os Templários depressa ocuparam uma posição destacada a nível religioso, tornando-se também uma potência comercial internacional dedicada ao transporte de dinheiro e, bens. Não se sabe por conseguinte, se a Arca da Aliança foi um desses bens...

O que se apraz dizer neste caso, é que, mesmo para além da enormíssima influência cristã e política dos Templários, não nos ocorre de todo afirmar se o príncipe Lalibela terá dado assim tão fortuitamente e sem contraposição, tão magistral espólio. Por ocultação e quase não profanação do que se desejaria bem guardado, é mais possível ou de maior credibilidade, que esta Arca de Deus esteja de facto ainda soterrada numa das muitas igrejas de pedra da Etiópia. As terras altas da Etiópia chegam a atingir os 4000 metros de altitude, daí que não fosse muito facilitada a tarefa de busca, procura e mesmo encontro final com tamanha relíquia incomensurável. Tudo isto será especulativo, tema de muitos debates e porventura origem de muitas outras questões e averiguações por cientistas, historiadores e arqueólogos ao longo da nossa História. Só teremos então de aguardar, se por acaso surgir algo mais na luz imediata que se deseja no reencontro de tal dimensão e glória na tão falada e, comentada, Arca sagrada de Deus, a Arca da Aliança. Assim seja!