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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Adeus, George Michael...


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Novamente, um ícone musical que nos deixa, com a sombra do desejo escondido e a instância do que ainda se não viveu sobre a melodia intemporal das suas canções...

George Michael (25 de Junho de 1963 a 25 de Dezembro de 2016)
Georgios Kyriacos Panayiotou, de seu verdadeiro nome de ascendência cipriota, nasceu em East Finchley (bairro no norte de Londres, Inglaterra), e cidadão do Reino Unido, era filho de um restaurador oriundo do Chipre com uma bailarina inglesa. Portador de uma energia sem limites e de uma beleza ímpar, George Michael, de seu nome artístico, cativou e encantou milhares de fãs por todo o mundo. Morreu como viveu: de rompante, com apenas 53 anos de idade!

Associado numa dupla imparável de extremo sucesso, com Andrew Ridgeley (seu amigo desde os tempos de escola), formando o duo «WHAM!», conquistaram a estratosfera musical dos anos 80, do século XX, com estrondosos êxitos e seguidores por todo o globo. E que, ainda hoje, ecoam nos nossos ouvidos e corações, de memórias indeléveis ou inesquecíveis protuberâncias que nos fizeram dançar, pular, e excitar até aos limites, de toda ou qualquer hormona mais amorfa - quiçá adormecida - que se tenha perdido nas trevas do imperdível. Eles eram jovens, lindos, e profundamente emotivos; e isso, transparecia para e, em todos quantos os ouvissem. Eu não fui excepção.

Ainda ontem, em Dia de Natal, os ouvi; em particular naquela bela e memorável canção de Natal: «Last Christmas» que se ouve até à exaustão, seja nas casas de cada um, seja nas grandes superfícies comerciais (ou vulgo catedrais do consumo) em época natalícia, como a que se viveu - e está ainda a viver - no momento. Nunca me canso de a ouvir; nunca me canso de o contemplar - em exuberância de vídeo/videoclip e em magia - ambas autênticas, ambas reais e tão belas que jamais poderei passar um Natal que a não ouça por um segundo sequer - em lembranças e recordações - não efémeras, que me saltam do peito. Mas, tal como diz a canção: «Wake Me Up Before You Go Go...», tu, George Michael, não me acordaste antes de ires, antes de partires e a todos deixaste (eu incluída), órfã da tua música, refugiada ou sem-abrigo de futuras melodias que não cantaste, que não compuseste, que não ofertaste ao mundo, por tão cedo partires e a todos nos teres deixado sem amparo nem expectativa de poderes voltar...

1984 - Aqui, arrasaste! «Careless Whisper» tocou-me no coração, tal como seta certeira de Cupido; ou de outra qualquer coisa que me acertou, capturou, e deixou refém para toda a vida. Foste a via mais directa (ou mais astuta) de que há memória, para, manteres no encalce e no mais tendencioso sequestro, todas, ou quase todas as almas terrenas de quando nos suplicavas em doce canto para que ficássemos, para que não partíssemos, para que te perdoássemos a traição e aquela triste mania doentia de nos seres um ícone à distância de um clique - de um só clique, que nos fazia desde logo render àquela tua ternurenta compleição de criança abandonada. E a tudo dizíamos que sim, que estavas perdoado, que eras nosso, só nosso, se acaso os nossos parceiros também o sentissem e esse pedido, essa súplica nos fizessem, ainda que muitos, desarraigados e fugidios dessas intenções, nos mandassem às urtigas, ou seja, ouvindo outras canções, outras batidas, esqueciam pedidos e perdões e tudo não passava, apenas, de um sonho, um belo sonho de adolescentes perdidos...

A tua vida não foi fácil; é sabido por todos e eu, aqui, não fazendo juízos de valor ou estimativa do que é ou se pode ser um bom cidadão do mundo, apenas te concedo a minha simples homenagem de fiel seguidora das tuas canções, das tuas baladas, das tuas aferições de alma que entretanto fundiste nos nossos corações quebrados. Sempre soubeste o que era a perca, a dor, e o sentimento em vácuo, do negro e do coberto manto da solidão, do que foi o teu maior amor em vida e em morte, de, em 1993, teres perdido o teu grande amor, roubado pela vil doença ou patologia mundial de largo acervo, que se dissemina, que se lastima, por três siglas (HIV). Mas continuaste. A vida não se compadece com os que vão partindo, com os que nos vão deixando...

Em 2011, a trágica pneumonia! E mais uma vez tudo superaste; ou assim pensavas. Muitas mágoas, muita tristeza e poucas alternativas à doença e à própria vida sempre tão cáustica, sempre tão invasiva. Assim foi. E todos o lamentámos.
A comunidade LGBT seguia-te como um cão feroz, mas, daqueles que de selvagem só têm o nome, seguindo-te os passos, seguindo-te o percurso de vida; seguindo-te também na tormentosa vida que levavas, no que te eram os mais fiéis - e os mais cordatos - em sequência de uma tendência, de uma opção e de uma divulgação que tu próprio encimaste sem mais esconder, sem mais ocultar o que te ia no corpo e na alma de tanto recolhimento (ou de tanto sangramento!) só porque eras diferente ou apenas igual a tantos outros...

Em Londres, Inglaterra, por ocasião dos Jogos Olímpicos de 2012, fizeste uma aparição, em glória, em assumo de todas as convicções, as lutas, e até das derrotas - enaltecendo apenas as vitórias, no que assim tem de ser. Para sempre. Por fim, a laboração de um novo álbum que não chegou ao final, que não se concretizou, que não teve um fim... ou talvez eu me engane, quem sabe...?!

Uma Paragem Cardíaca que deixou o corpo mas não a alma, suponho, nos mais de 100 milhões de álbuns vendidos por todo o mundo. Assim serás recordado; assim serás ouvido...
Descansa em paz, George Michael - descansa nos braços dos Anjos e que eles te dêem o que na Terra não conseguiste em paz e, em bravura, de todos te terem entendido ou compreendido...
E mesmo que haja outros que o não estimem - ou considerem - que foste somente uma outra alma vagueante ou desinteressante desta ou doutras vidas, haverá sempre quem te recorde e jamais te ignore quando dizes que Jesus fala... a uma criança («Jesus to a Child»), ou a outras mais, que no fundo somos todas nós...! Fica em Paz. Que o Céu te abarque e Deus te oiça em sussurro, mesmo que em displicente ou descuidado sussurro, pois que tal como na vida terrena, há sempre na vida de todos nós um: «Careless Whisper», por onde quer que andemos... Fica em Paz, então. Mais tarde nos veremos...