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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Os Insondáveis Fundos Oceânicos


Fundo do Mar: Açores - Portugal
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A exploração infindável na busca e encontro de maravilhas oceânicas que se escondem de nós...

Por muitos mistérios ou insondáveis descobertas que possamos fazer no mais profundo dos mares, há sempre o conhecimento da geologia submarina que nos dita o quanto ainda tão distantes estamos de toda a verdade. Das cidades perdidas e possivelmente submersas no fundo dos mares, até à mais eloquente teoria das bases alienígenas extraterrestres - ou futuristas - a tudo acedemos. E isto, com a mesma ansiedade e fragrâncias existenciais indissolúveis de estarmos perto (ou não tão longe assim...) de se encontrar a quintessência ou origem de toda a vida na Terra. E até mesmo fora dela.

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Cidades submersas, vestígios urbanos, artefactos e sumptuosas estátuas de gigantesco porte são entretanto descobertas por investigadores que ainda hoje se surpreendem com o que os mares e oceanos nos escondem. Neste caso, uma estátua feminina pertencente a Thonis-Heracleion, a cidade perdida egípcia, conhecida como o reino perdido de Cleópatra, que desapareceu nas águas do Mediterrâneo...

Voltando à Ciência...
Os estudos paleomagnéticos demonstraram ao mundo científico não só a questão da polaridade normal e invertida, assim como a certeza de que o leito do oceanos se afastava (característica das dorsais oceânicas onde ocorre divergência das placas litosféricas, nessa dita expansão).
Sabe-se hoje que, só nos últimos 80 milhões de anos, o Atlântico se expandiu a uma taxa de dois centímetros por ano; daí que se pergunte taxativamente:

Estaremos perto de uma invasão oceânica nas margens ou fronteiras litorais/ costeiras da Terra, ou nada disso, havendo somente a perfeição planetária de secarem os mares num ponto e distenderem-se noutro, sem que o possamos adjectivar ou travar...?!

Sabendo-se também que o Mar Mediterrâneo secou há muitos milhões de anos, que transformações poderemos esperar que sucedam nestes novos ou vindouros séculos, se, a Terra, e todo o seu movível movimento, se for alterando, modificando o que hoje conhecemos como mares e oceanos inexoráveis...? Poder-se-à retroceder ante esta força matriz considerável...?

Teremos desertos onde hoje existem mares...? E mares, onde outrora erguemos as nossas cidades...? Seremos submersíveis ou extensíveis a outras novas realidades marinhas, tais como espécies nunca vistas ou observadas pelo cidadão comum nas mais recônditas profundezas dos oceanos...? Saberemos adaptarmo-nos a essa nova realidade de redenção, submersão ou, devassidão das orlas costeiras e secagem de outros pontos territoriais devido às profundas alterações climáticas...? Oxalá que sim, ou nada disto terá influência ou contingência futura de nos fazer sobreviver...

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Arquipélago dos Açores: o estudo submerso de dois investigadores na descoberta de uma estrutura piramidal de largo espectro e referência, no fundo e, ao largo do mar dos Açores, Portugal. Assim se perspectiva e se cruzam os alicerces da História Antiga com a Ciência...

O que nos revelam os Fundos Oceânicos...
Desde finais da década de 30, do século XX, que se estimam e verificam novas técnicas que verdadeiramente franquearam todo um novo caminho para a Geologia Submarina.
As medições da Gravidade e a Cartografia Geotectónica - na qual medições muito precisas da altura da superfície do mar permitiram traçar a estrutura dos Fundos Oceânicos - fizeram aumentar imenso a nossa compreensão.

Sabe-se hoje que, o Fundo dos Oceanos, longe de ser liso e plano, é atravessado por enormes cadeias montanhosas que se elevam a 2-3 quilómetros acima do nível médio do leito dos oceanos, fazendo assim parte de uma rede global com mais de 80.000 quilómetros de extensão. São então chamadas de: Dorsais Oceânicas.

Em lugares como a Islândia, os Açores, as ilhas de Ascensão e dos Galápagos, as dorsais elevam-se acima do nível do mar. O Leito do Oceano também está cortado por fossas profundas que marcam zonas de Subducção e, pontilhado de montes submarinos.

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Pirâmide submersa nos Açores: com 60 metros de altura e 8 mil metros quadrados de base, foi descoberta no fundo do mar ao largo dos Açores, por um velejador português, muito próximo do Banco Dom João de Castro (entre a ilha Terceira e São Miguel).

O que as Dorsais Oceânicas nos dizem...
Para a comunidade científica na área geológica submarina foi muito importante a descoberta daquilo que as Dorsais Oceânicas representam - os lugares de formação da crusta ou margens construtivas das placas - no que se tornou algo de muito consistente ao que se procurava saber sobre estas, constituindo desta forma um avanço assaz relevante nas ciências da Terra!

O Vulcanismo Basáltico - a subida de magma composto principalmente por basalto - caracteriza assim as Dorsais Oceânicas.
Movimentos de Convecção no interior do Manto forçam a Litosfera que está por cima a fracturar-se, permitindo então que o magma quente atinja o leito submarino.


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Mobilismo Geológico: no mundo da Ciência. A primeira fase na separação das placas é o início dum novo padrão de convecção no interior do manto da Terra que traz material do manto quente para níveis elevados no interior da Terra. A temperatura alta e o efeito flutuante da pluma em elevação faz arquear a crusta oceânica, distendendo-a. à medida que as placas continuam a divergir, prossegue a fractura da crusta oceânica cada vez mais fina, com a formação de uma vale tectónico (rift), ao longo do eixo do levantamento sub-oceânico.

Nas Cristas das Dorsais, uma zona de vales tectónicos abatidos (rifts) separa as regiões da Crusta Oceânica que se estão a afastar de 2 a 15 centímetros por ano. Como a Crusta Submarina não pode suportar uma tensão suficiente que permita variações na taxa de expansão e alterações do padrão de Convecção, as dorsais oceânicas consistem em secções rectas recortadas por falhas transformantes - ao longo das quais, secções diferentes de uma placa deslizam horizontalmente.

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Mapa do Atlântico Sul: relevo do leito oceânico. Navios oceanográficos começam agora a explorar o fundo do mar com o auxílio de sonares, em busca de maior conhecimento.

O que nos dizem os Estudos Paleomagnéticos...
Uma das peças-chave de informação proveio de estudos paleomagnéticos efectuados ao longo da dorsal central do Atlântico. descobriu-se que, apenas metade das rochas situadas de ambos os lados do eixo da dorsal, próximo da Islândia, apresentavam a Polaridade Magnética normal; o restante tinha uma Polaridade Invertida (uma agulha magnética apontaria para o Sul).

O Padrão da Polaridade Normal e da Polaridade Invertida manifestava-se numa faixa da crusta oceânica de ambos os lados da crista da dorsal. Quando as faixas individuais foram datadas, descobriu-se que as rochas eram tanto mais velhas quanto mais estavam afastadas da crista. Ou seja, por outras palavras, resume-se então de que o Leito do Oceano estava a... afastar-se!
Os cientistas chegaram à conclusão de que essa expansão caracteriza todas as Dorsais Oceânicas onde ocorre divergência das Placas Litosféricas.

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Islândia. Impressionante imagem que nos revela a Dorsal Atlântica que atravessa esta nação gélida. É visível a formação de um colar de crateras de vulcões.

A incontornável Expansão...
Sabe-se entretanto que, nos últimos 80 milhões de anos, o Atlântico expandiu-se a uma taxa de 2 centímetros por ano. O que os entendidos e investigadores resumiram então de tudo isto, foi que havendo expansão e alteração nos fundos oceânicos, se formam igualmente cerca de 4 quilómetros cúbicos de Crusta Nova nas dorsais oceânicas todos os anos. Ou seja, há efectivamente expansão, alteração e renovada formação dessa crusta!

Descobertas ainda mais sensacionais foram feitas por um Projecto Internacional de Perfuração - Projecto de Perfuração do Fundo do Mar.
Desde 1968, um navio de perfuração - o Glomar Challenger - efectuou cerca de um milhar de furos nas bacias oceânicas profundas, recolhendo variadas amostras dos sedimentos e da Crusta do Leito Oceânico. Uma das primeiras descobertas realizadas então, sugere que o Mar Mediterrâneo secou completamente entre 5 e 12 milhões de anos atrás, deixando espessas camadas de sais calcinados pelo Sol sepultados estes nos fundos actuais como testemunho fidedigno desse acontecimento.


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Ainda na Islândia, na Península de Reykjanes (no escudo de Hrútagjá): um ostensivo túmulo lávico ou escoada lávica (mantos de lava material em fusão associados às fases efusivas de uma erupção vulcânica, na designação geológica e vulcanológica).

A Admirável Islândia...
A Islândia, como é sabido, transporta-nos para a mais dura e pura realidade ancestral em termos geológicos que, situando-se no limite setentrional da Dorsal Atlântica, a que se dá o nome de dorsal de Reykjanes, nos ostenta um dos poucos lugares da Terra, onde uma dorsal se eleva acima do nível do mar. E isto, revela-se de tal modo que, a Actividade Vulcânica ao longo da dorsal, provoca visíveis erupções acima da superfície do oceano e não, a alguns milhares de metros de profundidade.

Deste modo também, o Centro da Islândia permanece vulcanicamente activo e, em registo de 1963, houve uma erupção ao largo da sua costa meridional que fez nascer a estrondosa ilha de Surtsey. Se o planeta nos surpreende assim, que mais dizer que não seja a expectativa máxima de continuar a fazê-lo, mais que não seja por vislumbres e ocorrências semelhantes noutras partes do globo...!

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A surpreendente viagem subaquática de um mergulhador profissional: a capacidade máxima na descoberta e, exploração, de um dos mais fantásticos locais submersos - A Dorsal Meso-Oceânica do Atlântico. Magnífico!

A exploração do Fundo do Mar...
Foi somente nos últimos anos que se tornou possível explorar a actividade geológica do Leito Oceânico Profundo. Actualmente, porém, graças aos submersíveis de pesquisa oceânica que proliferam pelo mundo, tal como um dos iniciadores - «o Alvin» - dos Estados Unidos da América, os cientistas puderam efectuar visitas pessoais (individuais ou em grupo obviamente especializado), para a conquista e exploração dos lugares submarinos e profundos dos oceanos.

Em vez de se limitarem a estudar as amostras recolhidas por perfuração, os cientistas advogando causas maiores e mais exactas, registando in loco o que há tanto queriam pormenorizar, obtiveram dados mais concretos ou específicos, sobre o tão enigmático ou, até aí, insondável fundo do mar.

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Uma imagem inolvidável do fundo do mar: As Fontes Hidrotermais que se localizam nas zonas de Rifte na planície oceânica, onde se regista um vulcanismo activo, resultante do afastamento das Placas Oceânicas.

Fontes Hidrotermais ou «fumarolas negras»...
Uma das descobertas mais interessantes - ou que se revelou até à data mais curiosa - foi a das «fumarolas negras», fontes ricas em minerais (por vezes de cor branca e não negra) que brotam das regiões activas das Dorsais Oceânicas. Estes fluxos de água e calor são, no fundo, literalmente, escapes hidrotermais de grande jactância mineral. Hoje, a oceanografia já vai estudando mais em pormenor toda esta poderosa energia das profundezas numa bio-prospecção inigualável.

Sabe-se actualmente que, a Biodiversidade em ambientes marinhos profundos, onde ocorrem espécies únicas junto às erupções vulcânicas submarinas, representa deste modo e, no mundo de hoje, a referencial e focalizada pesquisa oceanográfica.
Só assim e deste modo se vieram a descobrir autênticas maravilhas marinhas em espécies jamais vistas ou observadas, no que se legitimou serem pertença e, vivência, das profundezas. Desses fundos marinhos, registou-se possuírem os seus animais marinhos próprios devidamente adaptados, por outros, quiçá, ainda certamente desconhecidos por nós...

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A fabulosa imagem de interacção e «convívio» entre uma espécie marinha e o Homem. Se nada se fizer para a preservação desta e outras espécies, que ficará no futuro sob as águas dos mares e oceanos...?

O Conhecimento através dos Submersíveis...
A utilização de Moderna Tecnologia existente hoje neste sector (desde os submersíveis aos veículos de operação remota), induz os cientistas, cada vez mais, a procurar distinguir todas estas espécies daí provenientes, contribuindo assim para um considerável aumento nos estudos relativos à presença dos escapes hidrotermais, seus produtos, organismos e, antes de mais, subsequentes vidas daí derivadas ou associadas.

Enfatizando todos estes aspectos biológicos, muitos organismos oceanográficos enraizados por todo o planeta (muitos deles em associação também) têm vindo a propagar este novo cenário de vida real ainda que submersa de toda a distinta vida marinha e geológica dos oceanos e mares. Saudamos-los com essa mesma distinção, acredito.

Não descurando o que na actualidade se faz e refaz através desta nova tecnologia subaquática, o certo é que também se não pode relativizar ou sequer minimizar os feitos já alcançados, ainda que por vias do mergulho profissional ou dos estudos obtidos de forma mais ingénua ou superficial.
Um desses meios é o contacto físico com as espécies e todo o poderoso espectáculo marinho que se nos apresenta nos mares e oceanos; nos Açores, o mergulho é rei e as espécies aí vigentes, os senhores dos mares.

Concebe-se e conceptualiza-se (de um modo geral) que assim continue a ser a bem de todas as espécies e organismos vivos submersos no fundo do mar. Mas também do conhecimento e, acima de tudo, da descoberta dos Insondáveis Fundos Oceânicos que, além de tudo o que já hoje se conhece, tem sempre a primazia de nos fazer surpreender, mais e mais, a cada momento que passa, a cada nova e audaz revelação ao mundo que advém desta poderosa força de energia que se estabelece no fundo de tudo.

E, no mais profundo de nós, que assim seja ou assim possa sê-lo sempre, pois que insondáveis serão também sempre os desígnios que leva o Homem a aprofundar-se nesse tão estranho mas belo ambiente que, não sendo o seu, está extasiado e consagrado a descobrir; além de obviamente revelá-lo ao mundo sem o contrariar ou conspurcar, pois que todos fazemos parte de um todo de ar, água, terra, fogo, metais e minerais que são um só, se não em panspermia cósmica, em qualquer outra coisa que nos fez ser das estrelas e para estas voltar, seja sob biomas aquáticos, terrestres ou estelares - o que só Deus o saberá, para quem nisso acredita...