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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Socorro! Estamos a arder!!!


Portal da NASA (NASA Worldview) na premissa de visualização e observação através da Internet sobre imagens que são captadas por satélites. A percepção imediata da extensa realidade dimensional dos incêndios em Portugal.

Fogos em Portugal vistos do Espaço: A maravilhosa observação dos Internautas!
A eterna saga estival que até tem calendário demarcado segundo os especialistas da Protecção Civil da República Portuguesa.

A vaga de incêndios florestais sendo já quase uma praga endémica a cada Verão que passa, é, acima de tudo, a calamidade expectável (e muitas das vezes, espectral), além a sempre hediondamente memorável recordação fatídica de quem assiste de fora, ante a ociosidade de quem vê, de quem observa e nada faz para tal travar. Colunas de fumo de grande extensão (e de muitos quilómetros) são captadas pelos satélites da NASA que se observam ao longo do Oceano Atlântico.

Quem nos salva de nós mesmos???
Já não bastavam os infortúnios financeiros de desbaste e pouca contenção sobre os gastos públicos, a iminente contingência punitiva de Bruxelas sobre os excessos de um déficit nacional há muito tresloucado (ou talvez estuporado como rameira de muitos donos ou vulgo peão de brega de largo lenocínio), também temos os fogos, muitos fogos, que não os pirotécnicos - os da festança e da abastança - mas os outros, os da sazonalidade ou da retaguarda, os da pujança psicótica e mentalmente pouco aceite, de gente que não é gente que incendeia campos e almas, e tudo fica a ver, a observar, diletantemente, como o maior voyeur da História, da sua história, sem história alguma por contar. Estamos assim, a arder, e o mundo que resta a ver...

Para quê haver paliativos da dor, da incomodidade ou do sofrimento de cidadãos na perca de bens, animais, e tudo o mais que vai à frente, do mal e da besta, e de tudo em redor que já não há paciência nem luta, arrefego ou arreganho, pois que tudo jaze por terra, negro e igual àquela mesma dor de tudo se perder ou tudo se ter deixado para trás. E o que resta de nós, daqueles outros que sentados e confortados na distância do que não nos toca, nem na alma, vamos assistindo, bramindo aos céus, aludindo que haja decoro, que haja castigo, e se não for pedir muito, que haja um fim para tudo isto.

Somos tão pobres de espírito e tão pouco dados a justiças terrenas que não divinas, as que sempre acreditamos fazerem-se cumprir por outras que não vencem, que não vingam, pelos arrufos e dislates de mentes pouco sãs, ou outras, de mais latos proventos ou práticas passivas de corrupção - e muita especulação - que tudo arrasam, que tudo definham, em cinzas e pó que dessa terra mais nada sai ou pelo menos nada cresce, não, de dentro em breve.
Usamos de parcimónia com quem tudo destrói e sabemos ser implacáveis com quem, por vezes, só quer chamar à atenção; somos por assim dizer uns pacóvios do sul da Europa que tudo vê derreter sem nada fazer, sem nada aprender, e muito menos acolher em si, nos benefícios ou acordos de uma outra Europa, mais farta e mais húmida, como prostituta sempre pronta a ser usada.

Para quê utilizarem-se lenitivos que não dão em nada - placebo de coisa nenhuma - nos aviões, helicópteros ou Canadairs que todos nos «emprestam» com a mesma veleidade ou condescendência com que amparamos na queda um nosso filho toxicodependente ou filha perdida na vida, por entre escombros e destroços, tais como os daquelas casas da ilha da Madeira ou do Norte do meu continental país ainda à beira-mar plantado mas, tão mal semeado e tão mal gerido, que o vómito me é engolido em sufocado grito que ninguém ouve e ninguém acode. E eu morro com o que vejo, com o que sinto, assim, todos os anos, todos os verões e em todos os serões, à luz da candeia quase apagada como as almas dos que se finaram, dos que partiram e dos que nos encimaram esse outro ódio aos pirómanos, aos loucos, ou simplesmente aos destituídos e indigentes da vida, da sua triste vida, que os faz ser felizes pelas labaredas surgidas.

E eu, como me sinto eu...???
«A minha roupa está-me colada ao corpo e eu nem a sinto. Cheiro a fogo, a cinza, a mortalha que só eu sei. As solas dos sapatos derretem-se-me aquando pernoito nos campos cinzelados de mágoa e de dor. Sinto-me a esboroar ou o que resta de mim...
As minhas vinhas estão queimadas e a minha alma incinerada! Estou só e cheiro a Inferno!
O meu gado sem açaime ou fronteira para se acoitar, há muito que fugiu; o que fugiu. Os cães, as ovelhas e as galinhas não sei deles e do palheiro nada restou. O Céu está negro, como negra está a minha alma. Não tenho nada e já não sei se vivo. Acobertei-me na minha fúria e no meu rancor de tudo ter perdido e agora sei que já não sou alguém em quem se possa confiar; ou se possa confinar a uma outra verdade, a uma outra realidade que da terra se pise e do Céu se veja, lá do alto...
Sou um homem ou uma mulher, pouco importa; sou o que de mim ficou, do que o vento levou e os deuses me viram soldar, mas não solidificar nesta vida. Sou uma alma que pena, que peca e também talvez, que se lastima, mas que tudo vai revolver, que tudo vai ver renascer e enfim - se Deus quiser - ver reacender não o fogo que não fustigou, mas o da esperança do gado a mim voltar, da casa de novo habitar e, no fundo, de toda a minha vida eu reconstruir, pois que, se lá do alto Deus me ouvir, eu vou ser um bom pastor e sentir que Portugal é um porvir e eu, só eu, vou ser... um Salvador!»

P.S: Um abraço a todos os Bombeiros de Portugal Continental e Ilhas! Um Bem-Haja!!!