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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A Agonia da Terra: (Placas e Plumas)



Imagens do terrível sismo alocado sobre Itália (SIC Notícias), no presente dia 24 de Agosto de 2016. A tragédia humana do que pela consequência do movimento das placas tectónicas se fomenta (à superfície) no planeta Terra.

Hoje, dia 24 de Agosto (2016) todos choramos com Itália. Ou, o que nos provém aventar, em mais um holocausto terrestre sobre a Indonésia, onde também a terra tremeu. Réplicas se repetirão - e tudo em redor estremece - só com o leve pensamento do receio há muito fundamentado do que a deslocação tectónica pode acoplar, na Terra.

Somos (nós, humanos) a simples fragmentação e subsequente dilaceração do que os despojos, os destroços e a destruição de almas e bens nos arroga, tanto em lágrimas como em total impotência para tal evitar. Mas unimo-nos na desgraça do que, cientifica e estrategicamente, a Terra nos afere em sua consistência geofísica. Cabe-nos a nós, todos, compreendê-lo e anuí-lo na maior consciência de conhecimento e, se possível, atitude preventiva para se reduzir os tantos estragos ou calamidades sobre o nosso planeta. Força Itália, estamos todos convosco!


Primeiras Imagens obtidas no socorro ou auxílio prestados pela Protecção Civil Italiana na demanda do devastador sismo ocorrido, em Itália.

Placas e Plumas
É sabido pela comunidade científica além os especialistas na matéria de que, a Crusta Nova está completamente a ser gerada nas dorsais oceânicas, o que provoca a Deriva dos Continentes que, ao que se sabe, estão em perfeita e assistida ou continuada movimentação e mesmo deslocação. No entanto, a Terra, ou planeta tal como o conhecemos, não se está nem a expandir nem a contrair; portanto, para se manter o equilíbrio, alguma crusta tem de ser destruída.
A Teoria da Tectónica de Placas foi então desenvolvida para explicar como isso acontecia e, além disso, como os Continentes se deslocavam no globo.

No início dos anos 60 (do século XX), a ideia da Deriva dos Continentes era então e de certa forma encarada com cepticismo ou alguma contenção por parte dos entendidos, porque, ninguém conseguia descortinar como o Manto (que se tinha provado, por meio das ondas sísmicas, ser sólido) podia transportar as Placas da Litosfera de um lugar para outro. Foi então que o geofísico germano-americano, Beno Gutemberg (1889-1960) demonstrou que o Manto, embora de extrema viscosidade, podia mesmo assim possuir Correntes de Convecção no seu interior. Tratou-se desta feita de, um passo-chave, ou seja, a fiel determinante a partir daí nessa outra visão e, conhecimento, sobre o que se passava efectivamente nesse Manto.


Teoria da Mobilidade dos Fundos Oceânicos: a concepção actual dos cientistas que por fim admitiram a mobilidade dos Fundos Oceânicos.

Sondando os Fundos Oceânicos...
Os Cientistas começaram a sondar os Fundos Oceânicos em meados do século XX, usando então técnicas geofísicas e recolha de amostras dos leitos marinhos. Em resultados desses estudos, peças vitais de provas geológicas surgiram à luz do dia que mostravam, inequivocamente, que os fundos Oceânicos (do mesmo modo que os Continentes), estavam em perfeito movimento.

A partir desse estudo e análise aos Fundos Oceânicos, pôde-se provar então - ou de certa forma comprovar irrefutavelmente - que, a litosfera de Terra, se compõe de sete (7) Placas muito grandes e, de numerosas placas mais pequenas que se comportam como se fossem rígidas e que são impelidas pelos movimentos no interior do Manto - transmitidos por sua vez ao longo da Astenosfera.


Morfologia dos Fundos Oceânicos (imagem da Porto Editora).

As Conclusões...
Por conseguinte, os cientistas admitiram em conclusão imediata de que o Manto estava em Movimento Convectivo, subindo este à superfície ao longo de linhas situadas no meio dos Oceanos, chamados: Eixos de Estiramento (ou de expansão).
O manto quente gera Magma mais leve do que a matéria que o circunda, de modo que este se eleva atá à superfície. Neste processo vai arrefecendo, cristaliza-se e afasta-se para os lados dos Eixos de Estiramento. O arrefecimento provoca contracção, de modo que os Eixos de Estiramento formam dorsais acima da da parte restante dos Fundos Oceânicos, que sofrem subsidência.

Em 1947, os Sismólogos, que se encontravam no navio de pesquisa «Atlantis», de origem norte-americana, advogaram (por suposta descoberta e conclusão geral), de que a camada de sedimento do fundo no Oceano Atlântico era muito mais fina do que o pensado anteriormente. Por conclusão efectiva, sabe-se agora de que a maioria dos processos geológicos que ocorrem no planeta Terra estão directa ou indirectamente ligados (ou conectados) com a dinâmica dos Fundos Oceânicos!


Himalaias: a outra realidade após o terrível terramoto de magnitude 7,8 em 25 de Abril de 2015, no Nepal. Há quem afirme, convictamente, de que os Himalaias encolheram (ou o que se supõe da sua base territorial geológica até ao cimo) depois do sucedido no Nepal em devastador terramoto.

A Transformação evidente...
Segundos os últimos dados de cientistas norte-americanos e alemães, os Himalaias, na Ásia, sofreram uma alteração substancial na altura da cordilheira - ou diminuído o seu tamanho - em cerca de 1 metro. Esta, a conclusão evidente após uma intensa prospecção no terreno e no local, além um acirrado estudo aéreo e por GPS, afirmaram.

«A principal zona que viu a sua altura reduzida é um trecho de 80 a 100 quilómetros de Langtang Himal, a noroeste da capital, Katmandu», aferiu resolutamente o geólogo Richard Briggs, do Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Criteriosamente também, existe um «Sobe e Desce» constantes, admitem os investigadores, uma vez que se verificou, por imagens de satélite, essa realidade. E esta é óbvia: foi mostrando que a área da cordilheira diminuiu cerca de 0,7 a 1,5 metros, não sendo contudo possível que haja uma montanha específica que esteja menor, anuíram os cientistas.


Fotos gentilmente cedidas por um astronauta da ISS, e NASA, aquando uma missão ou expedição 8, sobre os Himalaias, em 28 de Janeiro de 2004.

Mais Conclusões...
Segundo os cientistas do Centro de Observação da Terra, do DLR, que compararam as imagens por satélite, antes e depois do terramoto, as conclusões foram reiteradas sobre o que já se referiu; todavia, assumem desde logo sobre o que também se descobriu, de que algumas áreas afectadas (incluindo a capital, Katmandu e o sul das montanhas dos Himalaias) ficaram mais altas depois do terramoto.

Movimentos de Abatimento e Elevação são uma constante, ou seja, um comportamento geológico normal, depois de um terramoto de tão grandes proporções como neste caso do já referido, no Nepal.
Normalmente, a altura dos Himalaias está em ascensão (devido à colisão entre as placas tectónicas Indiana e Eurasiática). Sabe-se contudo de que, durante a efectuação de grandes terramotos, esse processo é invertido, segundo o que os geólogos assim determinam.


Imagem de satélite sobre a região dos Himalaias. Imagem captada pela Envisat`s Meris (ESA).

O que se passa então com a Litosfera...
A destruição da Litosfera tem lugar ao longo de zonas estreitas e compridas chamadas Zonas de Subducção. Nesses lugares, a Litosfera em expansão afunda-se, deslizando assim por baixo de uma placa oposta, a um ângulo de cerca de 45º, aquecendo e, entrando de seguida em fusão, sendo reciclada no interior da Terra.

Por vezes, porém, duas Placas Continentais convergem. Neste específico caso, as duas placas podem chocar uma com a outra, enrugando-se e formando então cordilheiras montanhosas, em vez de ter lugar a Subducção. Assim sucedeu com a Índia e a Ásia ao longo da linha dos Himalaias, provocando o «cavalgamento» de camadas de Crusta rígida.

O Manto pode subir à superfície de forma muito mais localizada. Chamam-se Plumas ou «Pontos Quentes». Existe há muito tempo uma pluma por baixo das ilhas Havai; outras situam-se por baixo do Continente Africano.

Mas ainda em relação ao que se passou na colisão entre a Índia e a Ásia que terá começado há cerca de 40 milhões de anos, há a referir de que, como as Placas em Colisão se compunham de rochas continentais flutuantes, não se deu a tal subducção. Enormes massas de estratos fracturados, arrancados à margem que avançava da Placa Indiana, sobrepuseram-se então uma a seguir à outra. O movimento contínuo da placa em avanço fez assim deslocar essas massas várias centenas de quilómetros.

A Formação da Cordilheira dos Himalaias deve-se a esta actividade tectónica. Noutros lugares, as falhas absorveram a Compressão, dando origem a acidentes como o planalto do Tibete!


Imagem da «Aine Corona», de Vénus. Cortesia da NASA/JPL.

Plumas de Vénus, Marte e Terra...
Plumas de várias dimensões constituem o ponto principal de Fluxo Térmico, no planeta Vénus do nosso sistema solar e que, ao que parece, não possui fronteiras entre as placas como a Terra.
As Plumas de Vénus, muito maiores, têm estado aparentemente activas por períodos longos, gerando então levantamentos vulcânicos - maciços vulcânicos à escala regional, muitas vezes associados ao Estiramento da Crusta.

Plumas mais pequenas deram assim origem a estruturas circulares denominadas Coroas. A actividade de Plumas de longa duração também se regista em Marte, onde surgiram Vulcões-escudo maciços, por cima de grandes plumas levantadas.

A Terra parece ser desta forma o único planeta do nosso sistema solar que possui mais de uma Placa Tectónica (apesar de se estar só agora a estudar mais afincadamente esses outros planetas, os exteriores, do nosso sistema solar nessa vertente).
Marte e Mercúrio (planetas interiores) não apresentam assim qualquer estrutura resultante da tectónica de placas, o mesmo se passando com a Lua; consideram-se esses planetas tectonicamente mortos.


Sismo em Itália de magnitude 6.2º na escala de Richter. Evidente ou pungente destruição em Amatrice, às 3 horas e 38 minutos em abalo sísmico terrível. A Protecção Civil Italiana confirmou até ao momento (do dia 24 de Agosto), a calamidade de 73 mortos confirmados, pela manhã. Ao fim do dia, eram já 120 mortos, na crescente luta entre a vida e a morte em dados estatísticos. Foto do semanário «Sábado».

A Tragédia da «agonia da Terra»...
O Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia Italiano aferiu já se terem registado cerca de 160 réplicas em imparáveis ocorrências no centro de Itália. E que, até às 12 horas locais (11 horas, em Lisboa, Portugal), a observação e registo através dos sismógrafos de 59 movimentos sísmicos de magnitude oscilante entre 3.0 a 5.0º na escala de Richter na parte central dos montes Apeninos, segundo a agência Lusa.

A Itália, tal como outros países da Europa (de entre eles Portugal que também se encontra na placa Euro-Asiática, no contexto da tectónica de placas, para além da recente descoberta de uma fractura tectónica em formação ao largo de toda a costa portuguesa), faz-se registar em grande perigosidade sísmica para os locais.
Segundo o jornal online «Observador» que comenta este fenómeno, deduz que estas Placas Tectónicas continuam a mover-se ( a Euro-Asiática e a sub-Placa do Mar Adriático), derivando daí os sismos frequentes. Refere também o terramoto de L`Aquila (provocado pelo afastamento abrupto das placas) e, o de Bolonha (em 2012), devido ao movimento contrário - o choque!

Uma parte significativa do Território Italiano tem um nível elevado nesta perigosidade sísmica já referida, sobretudo na região central e sul do país. Tudo isto se deve ao facto de Itália estar situado como país europeu na geografia do planeta, sobre duas placas tectónicas: a Euro-Asiática e a sub-Placa do Mar Adriático. Pelo factor da colisão entre estas duas estruturas nasceram as montanhas dos Apeninos; montanhas estas que atravessam Itália de norte a sul.

Sendo que estas placas continuam a mover-se, os Sismos tornam-se assim uma iminência com bastante frequência registados, deixando sempre ou quase sempre as populações de sobreaviso ou mesmo em alerta. Todavia, nada parando as trágicas consequências destas ocorrências, há que tomar de muita precaução, uma vez que se legitima sempre um manancial estrondoso na perca de vidas.


Foto de Remo Casilli/Reuters na evidente consternação por parte da população enfrentando um inimigo escondido mas por demais visível à superfície...

Da Verdade Geológica à magoada realidade...
Há quem lhe chame desde logo Puzzle Geológico, de facto. E isto, por haver subsequentemente ao longo dos 4600 milhões de anos de existência da Terra, a conformidade de que, durante todo este tempo, os padrões da terra e do mar, se alteraram ou foram mudando em todo o planeta.

Novas Rochas da Crusta estiveram em criação contínua, no que algumas estiveram à superfície durante muito tempo, outras nem tanto e outras ainda foram destruídas ou recicladas. Ou seja, esta bela Terra tal como a conhecemos - ou como muitos apelidam e afectam de Gaia - tal como recortadas peças de um idêntico e enorme puzzle de Continentes se foram separando, apesar do encaixe perfeito que muitos deles obviamente se podem evidenciar se para tal os uníssemos.

Sendo o planeta Terra composto por três camadas ou zonas concêntricas: Crosta Terrestre, Manto e Núcleo (todas elas separadas por fronteiras a que vulgarmente os geólogos designam por «Descontinuidades»), é fácil chegar-se à conclusão de que a Crusta/Crosta Terrestre é de facto muito semelhante a um puzzle em que cada uma dessas peças é denominada: Placa Tectónica.

Havendo as Placas Convergentes (as que colidem entre si) onde a crosta terrestre se destrói, há outras que se afastam uma da outra - Placas Divergentes - onde a crosta terrestre se renova. Outras há ainda que não se afastam nem aproximam, mas roçam uma na outra - Placas Conservativas. Assente numa camada plástica - o Manto - a Crosta Terrestre está sempre movível, ou seja, em movimento.


Foto do jornal online «Observador»: Metade da cidade desapareceu, segundo este jornal que, tal como a imagem comprova, é uma realidade dolorosa e, quiçá desesperante, para quem ainda espera por auxílio debaixo dos destroços...

Tudo se mexe, tudo se move...
Uma compreensão mais aprofundada sobre esta actual realidade de Oceanos e Continentes, refere-nos na verdade científica - geoquímica, geofísica e mesmo paleontológica (estudo dos fósseis) e da estratigrafia (estudo das camadas de rochas) - de que outrora os Continentes estiveram unidos e secularmente em muitos milénios se foram separando ou deslocando, assim como a percepção de que, a Litosfera, está fragmentada e que as peças individuais - ou Placas - estão em movimento constante. Tal como a nossa própria vida!

Nada mais a acrescentar que não seja, um respeitoso ou mui reverencial sinal dos tempos em consonância com a dor dos que já pereceram - nesta ou noutras idênticas catástrofes humanitárias de índole geofísica sempre sem precedentes - ante a agonia dos povos e do planeta que tanto estrebucha e sofre como os demais.

Para os que ficam, os que auxiliam e projectam na população sofrida todos os esforços que por entre escombros e réstia de vida, dessas muitas vidas que ainda nos surpreendem querer viver, um bem-haja a todos eles. Se a Terra se vê submetida a tão inóspito espectro à sua profundidade ou à sua superfície, cabe-nos a nós, seres humanos, sabê-lo gerir e nunca confundir os bens da Natureza ou da Mãe-Terra com os desgostos de quem por cá lidera. E, acima de tudo, estatiza a dor inconfundível dos que por entre a agonia da Terra e de todos os seus bens perdidos, além a própria vida, se sentem tão perdidos e tão estremecidos como a terra que tudo lhes roubou.

Para esses, os que já em nada acreditam, o meu singelo conforto de alma ainda não perdida mas mui constrangida - e solidária - com os que nada tendo, ainda se vêem lutar por uma réstia de nada. Força Itália que o mundo, todo, está com as vossas lágrimas, o vosso luto, mas também e, além de todas as coisas, com a renovada esperança de tudo e de novo reedificar! O meu coração está convosco: «Forza Itália. La Pace Sia Con Voi»!