Translate

terça-feira, 21 de junho de 2016

Eu, Europa!


Imagem de Satélite: Europa (à noite... onde nem todos os gatos são pardos nem as estrelas nos iluminam da mesma forma...).

Ser Europa o que é...? Muito poucos o sabem responder e nem todos o saberão nessa mesma dimensão de uns terem mais sapiência, esperteza saloia ou simplesmente a virtude de irem mais além do que outros; todavia, todos sabemos muito bem o que é ser-se incluso e não omisso, influente e não excedente ou, como diriam alguns, participantes de alguma voz: pouca.

Talvez eu esteja nesse grupo (Portugal). Talvez tenha sido uma mera miragem oásica daquelas que só alguns privilegiados - ou eleitos - assumem nesta vida; não sei. Mas sei o que é ser-se excluído, banido e mesmo ostracizado de tantas e tantas aferições diplomáticas, económicas e de franco desenvolvimento em união e conluio com uma organização que só há pouco deu o ar da sua graça - em conforto e comunhão - sobre todas as coisas dentro do seu, agora, grande seio europeu. Seio este, pouco exposto ou desnudo (tal como a Vénus, de Willendorf, entre outras desavergonhadas estátuas deste nosso mundo das artes e da escultura...) de um aglomerado confuso, anatómica e morfologicamente estapafúrdio de 28 países, todos eles tão diferentes e específicos quanto as estrelas que do Céu nos ponteiam toda a nossa exígua insignificância cósmica.

Mas, sendo Europa (a tal manta de retalhos que tanto os Americanos nos apregoam sermos ou tal evidenciarmos...) somos mais, muito mais do que isso, mesmo que para tal tenhamos de investir mais, consagrar mais ou reestruturar mais do que cerzir, remendar ou revirar do avesso essa dita manta de retalhos destes 28 países que ainda se abrem (ou abrirão em futuro próximo) a outros mais. Somos assim uma espécie de confraria rebordada e remanciada de ouro e de prata humanas em que a platina só brilha ante as altruístas considerações ou pré-anunciadas constatações (vejam o que se passa com os refugiados que pelo mundo que já vão em 65 milhões...) de cimeiras ou pioneiras legislações em que queremos estar sempre mais à frente mas, acabamos sempre, ou quase sempre, um passo mais atrás...

Sou Europa; sou Portugal. Mas sou sobretudo uma grande parva que lá achou que ser Europeia era assim uma coisa tão grande e tão iluminada que em breve seríamos todos condignos - e obsequiados - com idóneas e deíficas taças campeãs de coisa nenhuma (ou medalhas honoríficas que se metem na prateleira de todas as honras e nenhuma utilidade), como o préstimo máximo de seres viventes de uma Comunidade Europeia «avant garde»! E tão à frente, em que uns matam por excrescências mentais de se sentirem ou quererem fazer ser sós de reino seu, e outros o fazem, mais em moléstia do que em morte, por arrasto e por cansaço, sem que tenham na perfeita consciência, o malfazejo acto impuro - e desumano - de se tirar a vida a alguém só por um ideal estúpido, disforme (ou irreal!) e completamente extemporâneo ou maldito, nesta nossa nova era de todas as coisas.

Estamos falidos. E... outras coisas mais (que não verbalizo, pois seria muito mal-educada) mas que lamento. E me envergonha.  Confiámos, e fomos destronados dessa nossa maior alquimia de sentirmos que até poderíamos ser uma grande família, daquelas que sempre se ajudam entre si, para o bem e para o mal, na saúde e na doença, tal como no matrimónio de união em prédica cristã. Ou algo assim. Mas não. Esbofeteamo-nos com luva de pelica nos muitos duelos intermináveis de reuniões ou inócuas convenções de muitas diplomacias - e salamaleques - por entre hipócritas investidas (e outras despidas...) de prerrogativas que há muito se sabem nem saírem das gavetas ministeriais, por outras salivas, outras urgências ou contingências salobras, bolsadas de intenções (algumas boas, outras nem tanto...) que apenas servem para gáudio, empate e embuste - muitas das vezes - dos media ou dos grandes círculos de influências (más!) que simplesmente tendem facciosa e, ardilosamente, para empatar as grandes decisões em fóruns de coisa nenhuma para o «Zé Povo» ver. E, não esquecer; mas também não guardar, por tão efémeras serem ou inúteis se virem a considerar mais tarde, num eterno recuo e não recrudescência como seria de esperar. Uma lástima!

Contudo, eu sou Europa; eu amo a Europa - a das estrelas, muitas, com outras que hão-de vir e com todas aquelas que nos ditam, ainda, que vale a pena acreditar numa Europa unida, coesa e desenvolvida ( e a uma só força, a uma só matriz, assim como uma grande-Mãe que tudo puxa, arca e estipula a seus inúmeros filhos) mas que também ralha, castiga e pune; e só por isso, por muito que eu amue, que eu me revolte ou indigne de tal, acabo por reconhecer que sim, isso é ser progenitor, é ser Mater, é ser tudo o que se deve ser nesta Europa.
Se prevaricámos, pagamos por isso; se não nos portámos bem, temos agora de abarcar - e assumir - com as consequências de prejuízo e resolução, ainda que a curto ou a médio prazo, isso nos venha a ser um castigo duro demais, pesado demais e até, de certa forma, injusto demais. Mas a «Mãe-Europa é assim: Implacável, Inclemente e... Indomável; pelo menos para com os mais fracos, pois que os mais fortes e robustos de economias não solventes, tudo podem fazer, tudo podem ultrapassar em amnistias europeias de uns serem filhos e outros enteados.
Que triste sorte a nossa, o sermos pequeninos, indefesos e mal-amados, pois então, e que nem o Futebol nos dá tréguas ou alegrias de ver um Cristiano Ronaldo mais emproado e, enfatizado, de bola nos pés e penalti certeiro; Que triste fado o nosso!

Mas ser Europa é tanto, mas tanto, que nem o sei dizer; e para isso me basta, os outros tantos e tantos anos de tesouros guardados que se foram (desde o ouro nazi a tantas outras pérolas encafuadas nos cofres portugueses...) que hoje, só o ectoplasma do cheiro ou desse rastilho do pó e do brilho nos ficou em Estado Novo que do velho se fez novo e de novo se fez velho. E, hoje, à luz dos acontecimentos e de todas as actualidades, passeamos nas ruas da amargura sem milagre de Fátima que nos valha - ou outra coisa similar que nos desenvergonhe este triste fado da saudade e da tristeza de sermos sempre, mas sempre, tão infelizes quanto desgraçados nessa torrencial choradeira portuguesa que é mais matreira que verdadeira - perante os auspícios ou augúrios desta nossa ainda tão inocente Europa que acredita que somos, afinal, pouco espertos e pouco audazes, só porque nos não batemos em desfilada mas em retirada, se nos atabafam o crer e amarfanham a alma.
Mas somos valentes. E imortais... como as estrelas que lá do alto nos vêem. E somos a mais iniciadora alma pura em auxílio, confronto e despeito (estivemos sempre presentes nas duas Grandes Guerras, na Europa, lembram-se...?), pois que a tudo vamos com a mesma garra com que colhemos ou semeamos o trigo, fazemos um pão ou lideramos as muitas folhas do Guinness Book, só por termos feito o maior Bolo-Rei do Mundo, nos batemos por acumular feitos e origens sobre o Património Imaterial da Cultura deste mesmo mundo em que nos encontramos, ou ainda, termos (com glória e distinção!) a maior onda marítima deste em Onda da Nazaré que tudo leva, que tudo sufraga, ou que tudo esquece dos males de outros mundos.

Sou Portuguesa! E sou Europeia! E isso, para o bem ou para o mal (ainda que me não tenha visto nascer, esta mesma Europa que agora se engrandece) me verá morrer; assim o espero. Para mim e para outros, pois que o estar só, por muitos males que tenhamos nesta vida, não haverá mal maior do que esse «só», de solidão e isolamento, sem ninguém por perto que nos vigie os desgostos - ou ainda os sonhos - de tal querermos ceder ou inverter em novas realidades ou outras novas verdades. Sou Europa, eu, que não sou ninguém, mas gosto de o ser! E Viva a Europa! Hoje  e sempre! Sempre unidos!!!