Translate

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Bennu: um reservatório de vida?...

Imagem relacionada
Bennu: o pequeno-gigante asteróide que, dadas as últimas notícias, reporta em si a Origem da Vida; ou seja, água! Há uma semana, a sonda OSIRIS-REx chegou ao asteróide Bennu depois de dois longos anos de viagem. Vasculhando ainda por um lugar razoável à superfície em coabitação com este gigante rochoso, a sonda OSIRIS-REx irá recolher amostras de solo e rocha. No entanto, para grande surpresa dos cientistas (ou não...) ela acabou de lhes transmitir um dos seus mais poderosos sucessos: Há água no Bennu!

                                                     Sonda OSIRIS-REx (2018-2021)

"O que costumava ser Ficção Científica é agora uma realidade: o nosso trabalho em Bennu aproxima-nos da possibilidade de asteróides fornecerem a astronautas, em futuras missões, recursos como combustível e água." (A enfática afirmação de Robert C. Robbins, presidente da Universidade do Arizona, EUA)

Nada nos foge. Da exploração mineira à espacial; do petróleo à água, ou da longevidade e quase imortalidade com que encaramos a nossa própria infinitude (Humanidade) ainda maior do que a do Espaço ou dos corpos celestes que nele vagueiam. Somos exploradores por natureza!

Somos enfim, os grandes perseguidores e precursores - do início ao fim - do que nos faz ser e não ser em termos cósmicos; somos afinal, o subproduto dessa tão extensa e talvez extrema cosmogonia estelar que nos faz em objectivo superior, correr atrás do que impulsiona não só as estrelas do céu, mas todos nós, ou do que há em nós. Do pó ao pó - ou mais exactamente - da água à água...

E por esse elemento crucial de vida navegamos por mundos desconhecidos; dos mais distantes aos mais próximos, e, através deles, reconhecemo-nos na mais pura essência que nos fez nascer e evoluir, coalescer e usufruir de toda essa sapiente inteligência em favor e utilização na descoberta da vida.

E, se este fulgor e esta ambição nos não forem coarctados, ser-nos-à então (em resumo e ascensão) a mais bela história universal para se contar à nossa descendência sob o quente da braseira e a chama do espírito com que se enfatiza mais um feito até há pouco intransponível para o Homem.

De suma importância científica, a revelação agora projectada pela sonda OSIRIS-REx poder-nos-à dar - em futuro próximo - algumas das ainda desconhecidas respostas sobre a Origem do Sistema Solar e a Vida na Terra; por conseguinte, o mais doce néctar da génese do que nos criou - ou supostamente, do que nos fez emergir em célere e célebres processos moleculares procedentes do Cosmos. Depois, é toda uma viagem de encantado deslumbramento a que se seguirá, acreditamos...

(A sonda OSIRIS-REx encontra-se a estudar o asteróide Bennu desde o início de Dezembro de 2018, permanecendo até Março de 2021 neste rochedo espacial, estando o seu regresso à Terra previsto para 2023.)

Resultado de imagem para bennu, asteroid
Imagem do Asteróide Bennu (Foto generosamente concedida pela NASA/ Goddard/University of Arizona, USA). Uma imagem que não deixa margem para dúvidas: "A presença de minerais hidratados no asteróide, confirma que Bennu - um remanescente desde o início da formação do Sistema Solar - é um excelente espécime para a missão OSIRIS-REx estudar a composição de voláteis primitivos e orgânicos." (Amy Simon, reputada cientista da NASA)

                                                              «Água é Vida!»

A Descoberta!
Segunda-feira foi um dia muito especial para o mundo científico na área da Astronomia. Este dia 10 de Dezembro de 2018 veio impulsionar o que muitos de nós medianamente conhecemos como «Água é Vida!»

Os primeiros resultados apareceram e, a expectativa foi visível, uma vez que foi detectado no solo de Bennu (à sua superfície) a composição molecular semelhante àquela que deu origem à vida no planeta Terra, tendo sido encontrada água na argila, como adiantou a NASA.

E, assim sendo, em revelação quase bombástica sem que muitos de nós se tenham apercebido de imediato as consequências vitais dessa informação, adquirimos a quase tonta sensação de estarmos perante mais uma «Grande Descoberta» sobre um dos elementos mais essenciais à vida; mesmo que através de um calhau que se chama de asteróide e, muito possivelmente, nos perturbará (ou extinguirá?) na sua louca órbita espacial de vir contra nós, contra a Terra...

Mas, afastando receios infundados (pelo menos por agora), há que subjectivar o que este potencial nos poderá trazer de mais novidades. A missão da sonda OSIRIS-REx - liderada por uma excelente equipa de investigadores/cientistas da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos - apresentou-nos resultados esfuziantes. São eles:

A revelação da presença de Hidroxilas no asteróide Bennu - na mostra que os dois espectómetros da sonda realizaram (um que identifica luz visível e infravermelha e outro de emissões térmicas). Esta sinalização ou análise espectográfica veio assim detectar - e confirmar! - a presença de moléculas contendo oxigénio e hidrogénio com átomos ligados (hidroxilos).

Especificando: As Hidroxilas são moléculas que contêm oxigénio ligado a átomos de hidrogénio; ou seja, em química, uma hidroxila ou hidroxilo (também chamada de oxidrila),  é um grupo funcional presente nas bases dos Hidróxidos - representado pelo radical OH e formado por um átomo de hidrogénio e um de oxigénio.

Assim sendo (acrescentando-se de que as hidroxilas são obtidas geralmente através da dissociação de uma base, em que também determinam o carácter ácido-básico - pH - de uma solução), os cientistas disseram acreditar na existência das hidroxilas por todo o asteróide em minerais argilosos - o que significa então, que em certo momento da sua vida de asteróide, o material rochoso interagiu com a água. Ou seja, houve de facto este elemento em si!

Contudo, os especialistas também nos confirmam de que que será muito difícil o Bennu abrigar água no estado líquido - pela óbvia razão científica deste asteróide ser pequeno demais para tal. Ainda assim, a descoberta pressupõe que a Água Líquida já teve presente nalgum momento na história deste asteróide quando ele, provavelmente, era muito maior do que aquele que hoje observamos de si.

"Essa descoberta, pode fornecer uma ligação importante entre o que achamos que aconteceu no Espaço - com asteróides como o Bennu -  e o que vemos nos meteoritos que os cientistas estudam em laboratório. É muito emocionante ver esses minerais hidratados e distribuídos pela superfície de Bennu, porque isso sugere que eles são parte intrínseca da composição do asteróide, e não apenas borrifados na sua superfície por um «impactador» (algo que surge através do impacto invasivo).

Esta explicação foi-nos dada por Ellen Howell, investigadora/pesquisadora do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e também como membro da equipa de análise espectral da missão.

Imagem relacionada
Entre a Vida e a Morte/entre Bennu e a Terra: Ou talvez, entre o que Bennu nos poderá subsequente e, eventualmente trazer em vida ou em morte; se muito para além da suposta água em si tal como uma espécie de reservatório natural em abastecimento dos nossos astronautas, poder ser o nosso carrasco-mor, esventrando o planeta Terra sem dó nem piedade. Quem está preparado para tal?... Eu não. E penso que nenhum de nós o estará, acredito.

Que poderá a NASA, a JAXA, a Roscosmos, a ESA, e enfim todas as agências espaciais unidas fazer para tal travar...? Poderemos ficar confiantes sobre o que nos dizem de nada ir suceder nesse sentido...? Acreditaremos que existe a tecnologia terrestre suficiente para tal estancar...? É melhor nem saber; e sabendo, haver a consciência estrutural (que não natural) de que somos apenas o limite das coisas mas nunca o fim de algo, se é que ainda podemos acreditar nisso...

Antes e depois de Bennu...
Ainda em relação à sonda OSIRIS-REx, os cientistas perfilam que «Outro efeito da sonda  é que dados recentemente obtidos confirmam Observações de Radar anteriores, que mostraram que o formato de Bennu era similar ao de um diamante.»

Os dados também confirmam a sua taxa de rotação, inclinação e aparência geral, além de revelarem que o asteróide Bennu é uma mistura de regiões extremamente rochosas, cheias de pedregulhos, com algumas outras relativamente lisas, sendo que a quantidade de pedras na sua superfície é maior do que a esperada.

"Os nossos dados iniciais mostram que a equipa escolheu o asteróide correcto como alvo da missão OSIRIS-REx. A nave espacial (sonda) está saudável e, os instrumentos científicos, estão a funcionar melhor do que o necessário. Agora é a hora de começar a aventura!" (Diz-nos em entusiasta comemoração o cientista Dante Lauretta, o principal investigador da missão)

A sonda OSIRIS-REx vai fazer assim a sua primeira inserção orbital no dia 31 de Dezembro (ou seja, na véspera do novo ano que se avizinha) permanecendo em órbita até meados de Fevereiro de 2019.

Os cientistas admitem que, após a selecção do local final, a sonda atingirá levemente a superfície de Bennu para recolher amostras como já se referiu (em que o braço de amostragem entrará em contacto com a superfície por cerca de 5 segundos, durante os quais libertará uma explosão de gás nitrogénio).

Este procedimento vai fazer com que as pedras e o material da superfície sejam remexidos e, por conseguinte capturados/mantidos na cabeça do mostrador. Depois, é confiar que tudo resulte como planeado e projectado à lupa pela NASA, infere-se.

No total, a missão durará cerca de 7 anos, em que a sonda irá recolher aproximadamente 2 quilos de materiais por meio deste referido «braço» que sairá da sonda e encostará na superfície do asteróide. Em Março de 2021 a sonda OSIRIS-REx iniciará a sua viagem de regresso à Terra, estimando-se a data de Setembro de 2023 para a sua triunfal chegada.

(Oxalá tudo se processe de modo eficaz para que haja a continuação do sucesso desta missão, é o meu desejo; e supostamente o de todos nós, não se confirmando outras suspeitas de maior monta e maiores receios sobre a real ameaça do Bennu sobre nós, no planeta Terra)

Há muito que se sabe que o asteróide Bennu está muito próximo da Terra; mais do que o desejado e menos do que o esperado. Quem o diz são os muitos cientistas que o estudam, analisam, e sobre ele emitem conclusões por vezes inesperadas - ou até enquistadas - de outros argumentos, outras razões, que jamais pensáramos possível existirem em face ao que mais tememos deste e de outros iguais corpos celestes nos virem a ser uma mortalha planetária.

Há muito (também) que os cientistas sabem que o Bennu está a vir na direcção do nosso planeta Terra, após ter sido desalojado de uma força gravitacional que pode efectivamente nos atingir e causar uma destruição maciça. Uma tragédia!

Todavia, de acordo com os especialistas, nada de grandes sustos, pois que o Bennu tem «apenas» a oportunidade de se esparramar sobre nós numa probabilidade estatística de 1 para 2700 hipóteses de tal vir a suceder. Ou seja, quase nenhuma, ainda que este «quase» nos não deixe de modo algum sossegados... (talvez que lá para o ano 2135 algo venha a suceder, mas aí as expectativas tecnológicas já nos serão mais avançadas, supõe-se).

Este pequeno «gigante» de 500 metros de diâmetro e o tamanho aproximado de uma pequena ou razoável montanha terrestre, relembra-nos de algum modo a nossa pequenez planetária mas por certo não mesquinhez, de qualquer negligência sobre qualquer outro asteróide que por nós passe, ainda que de longe.

Os tesouros podem ser muitos, mas a meticulosidade ou a preciosidade com que os vemos também. Assim pensa e sente Amy Simon (a cientista da NASA) que nos diz em jeito de desafio:

"Quando as amostras desta missão chegarem à Terra, em 2023, os cientistas receberão um tesouro oculto de novas informações sobre a História e a evolução do nosso Sistema Solar."

Ou, como corrobora o principal investigador da OSIRIS-REx e eminente professor do Laboratório Planetário e Lunar da Universidade do Arizona, Dante Lauretta:

"Estamos a falar de um asteróide que nos pode revelar uma Importante Informação sobre a formação antecipada do Sistema Solar; ou inclusive, o Princípio de Vida na Terra!"

Bennu pode não ser um reservatório de água imenso, mas são imensas as expectativas que recaem sobre ele na dimensão do que já se referiu em abastecimento e logística espaciais em face ao que os nossos astronautas do futuro terão de enfrentar.

Se mais houver, mais esperanças suscitarão na Humanidade de tudo o que este (e provavelmente muitos outros corpos estelares) nos proporcionarão em riquezas minerais e outros recursos essenciais à vida na Terra. Pode ser um assunto polémico, pois pode, mas está sempre em cima da mesa essa atitude comportamental do Homem em busca, exploração e extracção de recursos - ou dividendos - mesmo fora do planeta Terra.

Não sendo uma excepção, Bennu pode vir a ser-nos um natural reforço espacial que, auspiciosamente no cosmos, nos servirá de apoio e de sustentação de um porvir sobre a exploração espacial (e quiçá interestelar um dia...) do Homem.

Como reservatório de vida ou não, Bennu é já hoje um exemplo (e não a excepção) que confirma a regra: antes de nos ser a foice da morte que nos seja a força da vida, no elemento-água, ou numa outra idêntica sustentabilidade espacial, pois que quando um Homem sonha o Futuro avança e tudo acontece! Afinal, tudo teve (e tem sempre) um princípio. E um fim. Pois que o Bennu seja apenas o princípio, o início de todas as coisas, que do fim trataremos depois...

Sem comentários:

Enviar um comentário