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domingo, 15 de dezembro de 2013

A Taça de Deus



O Santo Graal - Terá ele alguma vez existido, este iridescente recipiente mágico? Terá ele possuído as maravilhosas qualidades mágicas de que os trovadores medievais nos dão conta?

O Mito do Santo Graal
Talvez nenhum outro mito do mundo ocidental tenha dado asas à imaginação de modo comparável ao conseguido pela lenda em redor do Santo Graal. Mas terá ele alguma vez existido? Teria este propriedades mágicas? Terá sido uma lenda contada através dos tempos, um mero mito em consagração de Deus?
Na literatura medieval, o Graal é referido como sendo um objecto misterioso, sagrado, capaz de proporcionar e garantir ao seu detentor, a felicidade - tanto na Terra como no Céu - tendo este porém de ser puro, de a isso estar predestinado.
Existem diversas lendas em redor da origem do Santo Graal. Na versão alemã (c. 1200-1210) adoptada por Wolfram von Eschenbach, o Graal está ligado à lenda de Parsifal: o jovem Parsifal parte pelo mundo fora para se tornar cavaleiro. Dotado de alguma ingenuidade, vai superando diversos perigos até por fim ser aceite na Távola Redonda do Rei Artur. Em busca de aventuras, acaba no misterioso castelo de Munsalvaesche, cujo Rei se encontra gravemente doente. Observa então, como um objecto - do qual se desprende um brilho quase sobrenatural - o Santo Graal, é levado para o interior dos aposentos do doente.
Parsifal, porém, esquece-se de perguntar qual a razão pela qual o Rei adoecera, pelo que tem de abandonar o castelo. Fez recair sobre si uma maldição: a sua pergunta teria podido libertar o senhor de Munsalvaesche dos seus padecimentos.

A Iluminação
O jovem cavaleiro volta a empreender a busca pelo castelo, que entretanto se tornou invisível, e agora também pelo Graal. Depois de muito errar e, perambular, encontra um eremita que lhe revela o segredo. Na Sexta-Feira Santa, uma pomba com uma hóstia no bico pousará sobre o Graal. Através deste milagre, ele receberia o poder de conceder a vida eterna aos outros seres humanos. Outrora fora protegido por anjos, ao passo que agora o era por um notável grupo de cavaleiros, cujo Rei fora ferido por um pecado e, poderia ser salvo por uma pergunta de Parsifal. Este último, torna-se então vítima dos remorsos, sendo perdoado e eleito o novo senhor do Graal. Desde aí, muitos foram os que se puseram na demanda do Santo Graal, propondo-se encontrar esse misterioso objecto.
Ser-nos -à hoje em dia possível penetrar nessa esfera mágica  e, religiosa, e desvendar o mistério do Santo Graal? Haverá a mínima hipótese de seguir alguma pista nesse sentido?

O Castelo do Graal
Wolfram von Eschenbach sustenta que, ele mesmo, teria sido o único a ter acesso à verdadeira versão desta história, por intermédio de um homem misterioso chamado Kyôt e que, por sua vez, a encontrara num livro antiquíssimo em Toledo. Essa versão haveria sido criada ainda no tempo do Rei Salomão por um pagão chamado Flégetânis. Kyôt encontrara também em manuscritos antigos, referências a um grupo de nobres homens, os «témpléisen», que haviam tomado conta do Graal até à Idade Média. Os cavaleiros do Graal eram por isso frequentemente tomados pelos cavaleiros da Ordem dos Templários, o mesmo acontecendo a Munsalvaesche, o castelo do Graal, em relação ao castelo de Montségur ( no Sul de França), uma fortaleza dos Cátaros. Esse castelo dos hereges Cátaros foi em 1244 conquistado pelas tropas do Papa, mas antes disso, deverá um tesouro aí guardado ter sido posto em segurança. Poderá ter-se tratado do Graal?

O Primeiro Livro sobre o Santo Graal
No fim do século XII, o trovador francês Chrétien de Troyes compôs aquela que é hoje a mais antiga versão da história do Santo Graal, «Parsifal» ou «O Conto do Graal».
Seguiram-se-lhe as versões de Robert de Boron e de Wolfram von Eschenbach. Também com Chrétien a lenda do Graal se vê associada à história de Parsifal, ao passo que para Boron, o Graal surge associado à lenda de José de Arimateia (c. 1200): aqui o Graal é referido como o cálice usado por Jesus na Última Ceia e com o qual José de Arimateia, recolhe o sangue de Jesus Cristo crucificado.
Robert de Boron inclui na sua narrativa outros elementos, tais como Merlim e Lançarote. Estudiosos da literatura conseguiram comprovar o facto de a narrativa em redor de Parsifal, constituir um aglomerado de histórias com diferentes fontes. Tradições Celtas - como a história de um rapaz pobre e simples chamado Peronik - e, de um misterioso castelo chamado «Ker Glas», os relatos sobre o Rei Artur, mitos egípcios, lendas sobre caldeirões mágicos e ainda escritos cristãos, foram elementos entretecidos até se formar uma brilhante mistura de misticismo e, realidade. Independentemente disso, permanece o cerne de todas estas lendas: o relato acerca de um misterioso objecto denominado Graal.

Continuaremos em busca desta quimera sagrada em cálice divino ou taça de Deus que, a ter existido e estar bem guardado, esse mágico Santo Graal, nos dará a convicta e abençoada compleição de que Deus vela por nós em alquimia maior, sobre um poder que ainda não exercemos e nos não é facultado. Contudo, continuaremos essa busca e, a acreditar, que vale de facto mesmo essa persecutória ambição de um dia o encontrarmos em nossa absolvição. Se Deus quiser...assim seja então!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A Criação do Éden



A Idade de Ouro de uma civilização em que tudo era perfeito em paraíso ou «jardim do Éden», mas ter-se-à tudo perdido depois na perca da inocência?

O Princípio do Mundo
O princípio do mundo, a criação do Homem, o Paraíso e o pecado original: os teólogos defendem que estas representações da Bíblia não devem ser consideradas verdadeiros testemunhos mas sim, parábolas do Bem e do Mal e do Reino de Deus no mundo. Assim, a descrição do Paraíso, seria mais uma história com conteúdo simbólico do que uma descrição factual. No entanto, houve sempre homens que partiram em busca do jardim do Éden, esse paraíso da Humanidade na Terra.
O jardim do Éden inspira-se nas representações mesopotâmicas do Paraíso. Adão e Eva, perderam aqui a sua inocência ao comerem o fruto da árvore do conhecimento, um motivo que inspirou inúmeros pintores ao longo dos séculos. De resto, a expressão «pecado original» não é mencionada na Bíblia, onde também em lado nenhum se refere a maçã que Eva teria colhido. No Antigo Testamento fala-se apenas em «fruto».
O motivo «Eva, a serpente e a maçã» foi introduzido por fabricantes pré-bíblicos de vasos gregos, que se basearam na lenda das Hespérides, as guardiãs mitológicas das maçãs de ouro que, prometiam a juventude eterna.

O Jardim de Éden
Para alguns historiadores, as descrições do jardim de Éden são a indicação de uma «Idade de Ouro», de um ponto alto da civilização em que tudo era perfeito mas, corria ao mesmo tempo o risco de perder a inocência. Na China, tanto os Confucianistas (seguidores de Confúcio), como os seguidores de Lao-Tsé, acreditavam num estado de perfeição há muito perdido no passado. De resto, o «Jardim do Paraíso» poderia ser o lendário continente afundado da Atlântida, Mu ou Lemúria.

O Paraíso
A palavra «paraíso» vem do persa e significa «jardim». No entanto, não é mencionada no Antigo Testamento e só foi incluída num título intermédio na tradução unificada do século XX.
Na redacção original, falava-se sempre e apenas de um »Jardim do Éden», sendo Éden de origem Suméria e designando uma estepe. O Paraíso dos Sumérios chamava-se «Tilmun». Segundo o que pode ler-se nas placas Assírias, era «uma terra pura, limpa e clara, onde o leão não mata e o lobo não rouba a ovelha».

O Trabalho como Castigo
O Paraíso já existia na ideia da Humanidade muito antes das narrações do Antigo Testamento, compiladas nos séculos V-II a. C. Era uma noção já incluída nas descrições Assírias (séculos IV-I a. C.) e, nas lendas da antiga Índia, que falavam de uma árvore do conhecimento no «Jardim Jinna».
Por muito diferentes que sejam os paraísos dos mitos dos vários povos, uma coisa têm em comum: o trabalho é sempre considerado um castigo!

Em Busca do Paraíso
O Antigo Testamento fala de quatro rios como ponto de referência do jardim do Éden, mencionando claramente um deles, o Eufrates. Quanto ao Hiddekel, os arqueólogos da Bíblia pensam que é o Tigre. Mas onde correm o Pichon e o Guion?...Uns defendem que o Pichon seria o rio Indo; outros afirmam que se trataria do Ganges, sendo o Guion o Nilo.
Não admira então, o número de conquistadores e aventureiros que partiram em busca do antigo jardim do Éden, o Paraíso perdido da Humanidade. Até ao século XIII, um dos objectivos das cruzadas foi reconquistar a ferro e fogo, a terra da paz para a Cristandade.
O reformador Martinho Lutero (1483-1546), no entanto, mostrou-se céptico quanto à existência de um jardim do Éden: "É possível que Deus tenha feito um jardim ou delimitado uma região mas, na minha opinião, talvez possa pensar-se que se tratava da terra inteira."

A Árvore do Conhecimento
«O Senhor Deus preparou um jardim no Éden, lá para o Oriente, e colocou nele o homem que tinha modelado. Da terra, fez nascer toda a espécie de árvores que eram agradáveis à vista e, davam bons frutos para comer. No meio do jardim estava a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento, do Bem e do Mal. No Éden nasce um rio que rega o jardim e depois, se divide em quatro rios diferentes. O nome do primeiro é Pichon...O segundo rio chama-se Guion...O terceiro Tigre (Hiddekel)...O quarto rio é o Eufrates.
O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para nele trabalhar e, para o guardar.» (Génesis 2, 8-15.)

A Árvore da Vida e do Conhecimento simbolizando em simultâneo, uma ligação entre o Céu e a Terra e que, desde os primórdios da criação da Humanidade nos cinge na mera condição de seus discípulos.
Tendo havido ou não essa fantástica criação de um jardim do Éden ou Paraíso à beira-rio plantado, o certo é que de facto algo terá existido ou coexistido mais exactamente, pelo que hoje reconhecemos nas fantásticas analogias bíblicas do princípio do mundo, da criação do Homem no seu todo e, indubitavelmente também, de toda a envolvente mecânica entre o Bem e o Mal em Paraíso anunciado e depois fechado ao Homem. Lamenta-se que tal tenha surgido ou corrido para mal dos nossos «pecados» em liturgia catolicizante que desde o berço até à cova nos apregoam impiedosamente...mas assim é de facto. Tentando ser pessoas melhores - com Paraíso ou sem ele - lá vamos ramificando o nosso ser em juncos de Bem e de Mal por entre nós, ainda que o não desejemos muitas vezes em plena inconsciência da maldade que fazemos e aprumamos nos outros. Mesmo que, não atinjamos a perfeição - pois essa só é visível e notável nuns quantos iluminados e tangenciais santidades que por vezes povoam a Terra - vamos tentando orquestrar as nossas vidas com as dos outros em composta sintonia ou apenas mera cumplicidade do que nos autentica nessa mesma vida. Não temos de ser perfeitos mas temos de o tentar ser...pelo menos. Ou então, seremos todos uma desilusão terrífica para os que nos criaram em descendência Homo Sapiens trágica! Mas como ainda acredito na Humanidade com Paraíso, Inferno e tudo o mais...basta então acreditar. E eu acredito!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A Ascensão do Demónio


 

Lúcifer, Satanás, Satã, Belzebu, Azazel e tantos mais num só anjo caído do Céu da queda no tempo e, na matéria, para se vangloriar depois na sua iníqua ascensão na inversa evolução do Homem.

Lúcifer e o Santo Graal
Na tradição esotérica, o nome de Lúcifer está associado a uma mitologia própria. Vénus é a estrela vermelha para muitas culturas. Os Maias do México chamaram-lhe Chak Ek, «grande estrela vermelha». A este astro vermelho e brilhante corresponde na Terra uma pedra preciosa vermelha: quando Lúcifer caiu da abóbada celeste, soltou-se-lhe da testa uma pedra preciosas vermelha. Para os alquimistas, trata-se da pedra da sabedoria, com a qual foi feita a taça da comunhão que José de Arimateia usou para recolher o sangue de Jesus, pregado na cruz. Esta taça ou cálice seria o Santo Graal, esse objecto enigmático e com poderes misteriosos que, desde a Idade Média, povoa a imaginação dos esoteristas e ocultistas.

Queda e Ascensão
Na mitologia esotérica, o significado de Lúcifer tem sempre um aspecto negativo e um positivo. Ser a serpente do Paraíso é a sua primeira função na Terra. Sem ela, o pecado original não existiria, mas também não teria havido nenhuma evolução espiritual, pois o ser humano só iniciou o caminho para se redescobrir a si próprio e, à sua prática espiritual, depois do despertar da consciência - narrado de forma mítica - na História de Adão e Eva no Paraíso.
Se virmos as narrativas bíblicas do ponto de vista da mitologia, reconheceremos as suas variantes típicas no tema da queda: a queda do anjo, a queda de Adão e Eva e até a queda de Deus no mundo, na medida em que assumiu a forma do seu próprio filho, Jesus.
Em todo o caso, trata-se da descida do Reino do Espírito Puro às sombrias regiões da matéria. Os anjos caem na Terra e tornam-se tenebrosos e maus; os primeiros seres humanos cometem o pecado original e conhecem as suas limitações terrenas com a sexualidade, a doença e a morte; de certa forma, o próprio Deus aliena-se ao assumir a forma humana na figura de Jesus.
A «Queda do Anjo» é uma História do tempo antes do tempo, que pretende explicar-nos como o Espírito desceu à Matéria. O Pecado Original foi o pressuposto para o ser humano alcançar a consciência e, a autoconsciência, e poder começar a entender que existe nele um espírito.
Jesus é a recordação directa do Reino de Deus e a lembrança de que a missão da evolução espiritual é fazer regressar a involução - ou espécie de regressão no ser humano no chamado processo evolutivo - na designada queda no tempo e, na matéria, inversamente à subida à nossa pátria espiritual em Deus.

A Pedra do Céu
Em Wolfram von Eschenbach, existe uma relação entre a jóia da testa de Lúcifer e a expressão «lapsit exillis», que já deu muitas dores de cabeça aos filólogos e que, tem muitas variantes, como «iaspis e lapis» para a primeira palavra e «exillix, erillis e exilis» para a segunda.
Em 1880, Ernst Martin sugeriu que este conceito de Wolfram era uma alteração de «lapis es coelis», (a pedra daquele que cai do Céu), e em 1901, Samuel Singer opinou que a frase original devia ser «lapis ex coelis», (a pedra vinda/ caída do Céu). Em todo o caso, Wolfram referia-se, sem dúvida, a uma pedra vinda do Céu (asteróide...?) trazida para a Terra por um grupo de anjos que permaneceu neutral na luta da Trindade contra Lúcifer. No entanto, se favorecermos a expressão «lapis ex coelis» (caído do Céu) a lenda adquire uma relação ainda mais estreita com a história de Lúcifer.
O termo foi também associado à «schechinah» da tradição hebraica, que é a manifestação visível da glória de Deus na forma da luz brilhante que simboliza a presença divina. Assim, são possíveis outras leituras: «lapis exilii», (a pedra do exílio), a diáspora ou «lapis exulis» (a pedra do desterro), ou seja, a pedra que se desterrou voluntariamente do Céu para manifestar a presença de Deus no mundo.
Estas poucas observações mostram-nos como a figura de Lúcifer se apresenta ambígua: enquanto, para o Catolicismo, ele é o chefe dos anjos revoltosos e, portanto, designação do Demónio. Uma outra tradição vê nele uma espécie de mensageiro de Deus, um ser celestial que anuncia a luz de Deus na Terra e de cujo espírito (testa!) se fez o recipiente onde foi recolhido o sangue de Cristo, esse grande símbolo da transformação e, da libertação.

O Cálice do Paraíso
Wolfram von Eschenbach (por volta de 1170-1220), o importante autor do poema narrativo «Parsifal», escreveu que teria caído uma pedra preciosa da coroa de Lúcifer, quando o arcanjo Gabriel o expulsou para a Terra. Nas Lendas Arturianas de Thomas Malory (século XV), podemos ler que, com a ajuda dos seus poderes mágicos, Salomão esculpiu um cálice numa pedra que Lúcifer deixou cair no momento da sua queda. Segundo versões mais antigas, a pedra que se desprendeu da cabeça de Lúcifer era uma esmeralda, da qual um anjo bom fez o Graal, que foi confiado a Adão até este ser expulso do paraíso terrestre. Set, filho de Adão, encontrou o cálice no Paraíso e levou-o consigo quando teve de o abandonar.

O Bem e o Mal, eternamente a luta endémica e extenuante no ser humano que a capta, absorve e institui como praga sanguínea de formação endógena ao longo da sua vida. Quebrar esse ciclo, seria voltar a nascer ou, a renascer em novas e multifacetadas origens morfológicas e anímicas no Homem. A haver uma transformação real no ser humano - nesse tal processo evolutivo e não regressivo ou mesmo recessivo em si - há que ponderar bem as virtudes e, as maledicências que fizermos na nossa vida e, na dos outros pois estamos todos conectados com a mesma realidade divina e de formatação genética, cromossómica e espiritual. Ainda que por vezes reconheçamos que a alma essa é muito especial em nós e nem todos a possamos exibir, ainda que todos a possuamos e nem sempre em benefício do próximo. Deus é justo. Deus não castiga. Já Lúcifer não sei...mas adivinho. Sejamos coerentes, prestimosos, benevolentes e altruístas e então veremos chegada a hora de nos anunciarmos também nós, seres divinos, seres de luz, seres que, mesmo caindo por vezes como anjos decadentes e sem brilho, nos conseguimos soerguer e dar luz e iluminação interior aos que mais desta necessitam. É por isso que finalizo sempre com uma frase de esperança e bonomia em prol e afecto de toda a Humanidade, porque penso e acredito de que ainda merecemos a compaixão e, a benemerência de Deus em fazer-nos seguir e continuar no nosso caminho. Assim seja, por todos nós!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A Lenda de Lúcifer











"Como pudeste cair do Céu, astro brilhante da manhã! Foste precipitado por terra, tu, o Vencedor das Nações!"                                                         Bíblia Sagrada       (Isaías 14,12)

Lúcifer - A Lenda da Queda do Anjo
Chamaram-lhe Satã, Belzebu, Azazel, Asmodeu, Belfegor, Belial e muitos outros nomes, mas o ser é sempre o mesmo: o Demónio no Cristianismo. São nomes que encerram histórias, lendas e características.
A sua origem histórica e etimologia permitem-nos um olhar sobre o leque de significados do Demónio. Mas há um nome que envolve um mistério especial: Lúcifer.

Azazel - «O Bode Expiatório»
Um dos demónios mais antigos chama-se Azazel. Os Israelitas carregavam-no com os seus pecados na forma de um bode. No dia do «yom kippur», ofereciam-se dois bodes em sacrifício. Era o acaso que determinava qual seria sacrificado a Deus e qual a Azazel. Só o que se destinava a Deus era de facto sacrificado. O outro «coloca-o vivo diante do Senhor, para servir no ritual do perdão dos pecados, e depois manda-o para Azazel, para o deserto» (Lv 16, 10). É daqui que vem o nosso conceito de «bode expiatório». Sabemos por textos Sírios e Orígenes que, Azazel, era um ser sobrenatural que vivia no solo estéril do deserto.
A origem etimológica da palavra parece significar «poder de Deus». É um significado que também podemos atribuir àquele que usou o seu poder contra Deus. Ou seja, a um anjo que já foi bom e poderoso e, que se virou contra Deus. Estudos recentes mostram que o seu nome pode estar associado ao culto da divindade Azizos, muito difundido na antiga Síria, em Nabateus e em Palmira, e estreitamente relacionado com a adoração do Sol. Azizos era o «acompanhante do Sol», designação que os Sírios também davam à estrela da manhã, Vénus. Devido a esta característica, os Gregos chamaram-lhe Fósforo e os Latinos, Lúcifer. Ambos os conceitos significam «portador de luz». Foi deste modo que os Hebreus converteram a divindade pagã Azizos, que odiavam, no anjo caído Azazel, mais tarde Lúcifer, um outro aspecto do Demónio Cristão.

A Queda da Estrela da Manhã
Nos apócrifos de Henoch, Azazel é um dos principais anjos caídos. Quando ele e os seus foram expulsos do Céu para a Terra, uniram-se com mulheres das quais nasceram gigantes.
Lúcifer não aparece no Antigo Testamento na qualidade de anjo caído, mas existe na Bíblia (Isaías 14, 12) uma passagem que diz: "Como pudeste cair do Céu, astro brilhante da manhã! Foste precipitado por terra, tu, o Vencedor das Nações!"
Em consequência, a versão latina da Bíblia traduz estrela da manhã por «Lúcifer, filho da madrugada». Este trecho trata dos presságios do profeta sobre o declínio da Babilónia e anuncia a queda do seu Rei, metaforicamente designado pela estrela da manhã que cai do Céu. Pensa-se que Lúcifer pode ter-se convertido num dos anjos caídos por causa desta interpretação alegórica da Bíblia. A dificuldade de se considerar este nome uma designação do Demónio, é que ele também é aplicado a Jesus Cristo.
Na visão apocalíptica de João, Jesus designa-se a si próprio por «estrela brilhante da manhã» (Ap 22, 16). Na segunda carta de Pedro (2 Ped 1, 19), também se diz: «que a estrela da manhã alumie os vossos corações». O nome Lúcifer é usado na versão latina da Bíblia para designar a «aurora» (Job 38, 12), as «constelações» (Job 38, 32) e o «orvalho da manhã» (Sl 109, 3).
Lúcifer só tomou o seu lugar nas profundezas mais escuras do Inferno, depois da geografia do Inferno de Dante. Expulso do alto trono que ocupava, foi enviado para o centro da Terra, onde reina com os seus três rostos e as três bocas que, continuamente, devoram os grandes traidores Cássio, Bruto e Judas.

A Queda dos Anjos
O Apocalipse (Ap 12) descreve a guerra entre os anjos do Céu: Miguel e os seus apoiantes vencem Lúcifer e os seus partidários, que se tornaram muito orgulhosos, e expulsam-nos para a Terra. Ou seja, é uma discórdia celestial que traz o Inferno à Terra.
Para São Jerónimo, o principal anjo caído é Lúcifer, que chora a perda da sua luz, tão brilhante como a estrela da manhã. Esta interpretação impôs-se no Cristianismo, mas existem várias tradições esotéricas ligadas ao significado do nome Lúcifer, nas quais, a sua história é tratada como uma complexa alegoria.
Sob uma visão cósmica, poder-se-à acrescentar também o facto de estarmos perante uma determinada batalha de poderes extraestelares que, a ter ocorrido, se veio anunciar na Terra como prenúncio entre o bem e o mal na legitimidade suprema de um Deus universal que lhe terá retirado poderes, a Lúcifer, por má ingerência certamente nos destinos a cumprir. Mas isto, são apenas meras divagações de mentes humanas que num maniqueísmo acentuado e por vezes desequilibrado, se deixam seduzir e mesmo anular por poderes ditos maiores mas que nos fazem penar e perecer na Terra também. Tal como a Lúcifer.
No entanto, há que ter esperança que o bem vença o mal, pois só assim cresceremos na divina graça e condão do que nos assiste como seres humanos com todos os nossos defeitos e virtudes. Assim seja!










































































































































































A Liquefacção



Será milagre ou somente um efeito circunstancial de cariz científico ou natural, a liquefacção do sangue de São Januário?

São Januário - A Liquefacção do Sangue
Januário, bispo de Benevento, no Sul de Itália, foi decapitado cerca de 305 em Pozzuoli, em Nápoles, por altura da perseguição aos cristãos levada a cabo pelo imperador Diocleciano. Uma mulher teria recolhido o sangue em dois frascos, logo a seguir ao suplício. O sangue ter-se-ia liquefeito pela primeira vez em 313, quando foi transladado para Nápoles, juntamente com as ossadas.

O Sangue do Mártir
Todos os anos a 19 de Setembro, suposto aniversário de São Januário (San Gennaro), tem lugar um espectáculo extraordinário na Catedral de Nápoles. É neste primeiro dia de uma semana de festividades religiosas que se tira a famosa relíquia do seu relicário.
Numa vitrina encontram-se encerrados numa custódia dois frascos ligeiramente achatados, tapados com uma espécie de betume escuro. O mais pequeno contém apenas uns salpicos, mas vê-se no maior (teca) uma massa compacta e negra que o enche até cerca de dois terços. Trata-se, ao que se diz, do sangue do mártir. No aniversário de São Januário e, em determinados feriados religiosos, o sangue da «teca» liquefaz-se: um «milagre», cujo não cumprimento é considerado um mau presságio pelos Napolitanos.

O «Milagre»
Depois de retirar a custódia com o sangue de São Januário do relicário de prata, o padre aproxima-a da cabeça do Santo e mostra-a várias vezes aos fiéis reunidos na igreja. A emoção religiosa cresce, os cânticos intensificam-se e, as litanias, transformam-se em súplicas, acompanhadas de comportamentos dramáticos e fervorosos. Diz-se que, ás vezes, quando o milagre demora mais tempo do que o previsto, as orações se transformam em imprecações de um momento para o outro em verdadeira fleuma carismática de uma religiosidade ímpar. Quando a massa do frasquinho começa a liquefazer-se, o padre levanta-o bem alto e agita um lenço branco para indicar que se deu o milagre.

História das Investigações
De uma perspectiva cultural e histórica, a liquefacção do sangue de São Januário é muito interessante, tanto mais que representa o fenómeno insólito melhor documentado em termos históricos.
Existem textos sistemáticos sobre a liquefacção do sangue desde 1659, mas há registos do milagre de muitos séculos anteriores a esta data.
Investigações científicas, pelo contrário, existem muito poucas. Em 1902, registaram-se alterações da temperatura e do peso e fez-se então, uma análise espectral da substância com os métodos de que na altura se dispunha. A análise espectral revelou que, a substância contém mesmo sangue.
No seu trabalho «Prodiges Sanguins après la Mort» (Prodígios Sanguíneos depois da Morte), o médico francês Hubert Larcher, antigo director do Instituto Metapsíquico de Paris, dá a entender que o líquido contém apenas a quantidade de sangue necessária, para que as suas características apareçam no espectroscópio. Não ficou assim provado que o frasco só contém sangue, mas a investigação mostrou que, pelo menos, existe nele uma quantidade considerável. Não se pode no entanto saber se, como se diz, o frasco não é aberto desde o século XIV.

Uma das Primeiras Experiências
Desde muito cedo que surgiram dúvidas sobre a autenticidade do sangue do frasco. Um texto datado de 1734, relata uma demonstração feita pelo médico e químico Neumann que, perante uma assembleia de membros da Real Sociedade das Ciências de Berlim, tirou de uma caixa um frasco contendo uma substância seca e escura. Para dar emoção ao acontecimento, mandou vir um crânio e segurou-lhe o frasco por cima. A substãncia começou a liquefazer-se e, o seu volume a aumentar.
Neumann misturara uma substância que o químico italiano Luigi Garlaschelli pensa ser semelhante à que se encontra no frasco. Segundo ele, encheram-no na Alta Idade Média com uma solução à base de cloreto de ferro, cal e sal de cozinha e que, em condições estáveis, parece sangue coagulado. Uma tal substância, chamada «tixotrope», permanece no estado sólido quando está em repouso, mas liquefaz-se logo, assim que é agitada.

Verdade ou não, o certo é que se fazem verdadeiras romarias em honra e homenagem a este infeliz bispo secular na memória e, na eternidade de uma crença popular jamais vista. A Catedral de Nápoles chega a ser pequena, exígua mesmo, para a enorme multidão que assim acompanha estes festejos litúrgicos em devoção extrema a São Januário no dia 19 de Setembro de cada ano. Agitam-se numa estranha ousadia de curiosidade e sublimação, ante o especial ou particular líquido milagroso do Santo mártir que o padre subleva com admiração e rigorosa encenação espiritual. Todos o seguem expectantes, vendo em observações individuais se este sangue - em frasco apresentado - lhes reverte o milagre tão desejado. Cumprida a missão, todos se vangloriam ante a felicidade suprema de uma homilia abençoada e, concretizada. Se o sangue é mesmo de São Januário e este por si, é uma obra milagreira perante todos, então é porque deve assim mesmo ser preservado, sendo inexpugnável esse sentimento e acção ao longo dos tempos. Quebrar emoções ou simplesmente recolher na verdade dos factos, todo este potencial religioso nos crentes, é algo muito difícil de dissociar mas, como em tudo na vida, haverá sempre mas sempre, que respeitar e cobrar a verdade, só a verdade, ainda que esta nos doa pela circunstancial actuação científica em nos ditar essa outra verdade. Confuso? Nem tanto...basta acreditar! Pela crença, pela verdade científica ou religiosa, o importante é acreditar, só isso, independentemente do que nos rege na vida em ideologias ou simpatias, por umas e por outras vertentes paralelas nesta nossa vida. A Crença tem de andar de mãos dadas com a Ciência, apesar de todos sabermos, quão difícil e mesmo inatingível isso possa ser. Mas, a bem de toda a Humanidade, assim possa ser!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A Relíquia



Quem terá razão? Os vários investigadores que o consideram autêntico e julgam ter sido feito há dois milénios ou, a datação por radiocarbono?

Datação por Radiocarbono
Caso a mortalha seja verdadeira, Jesus Cristo teria de estar ainda vivo quando o baixaram da cruz. Em 1988, o Vaticano mandou datar a relíquia pelo método de radiocarbono. Ao fim e ao cabo, estavam em jogo os principais dogmas da Igreja: a morte na cruz e, a ressurreição. O resultado porém, foi que o tecido fora fabricado na primeira metade do século XIV. Quem tinha razão então? Os vários investigadores que o consideravam autêntico e julgavam ter sido feito há dois milénios ou, a datação por radiocarbono?
Ao cabo de uma minuciosa investigação, os investigadores alemães Holger Kersten e Elmar R. Gruber conseguiram demonstrar que durante a datação houvera manipulações e que, os vestígios de aloé e mirra encontrados na mortalha, não intervêm nos ritos fúnebres judaicos, já que apenas era praticada a unção com óleo. Estas substâncias também não eram utilizadas para embalsamar, um costume considerado sumamente repugnante entre os Judeus. As duas plantas - aloé e mirra - eram sobretudo empregues para tratar feridas extensas, pois são óptimas para confeccionar pomadas e unguentos.
Alguns cientistas defendem que os Judeus costumavam preparar emplastros e ligaduras misturando mirra com a resina de estevas. Ao que parece - com o tecido e as ervas - ter-se-à preparado um emplastro, pelo que o tecido não seria uma mortalha, mas antes uma ligadura. Esta hipótese é reforçada pelo facto de os Judeus costumarem envolver os mortos em tiras de pano largas e estreitas, como as múmias, não os envolvendo em panos largos, como ocorreu com o suposto Santo Sudário de Turim.
Nas suas análises, Gruber e Kersten demonstraram que os unguentos apenas puderam criar a imagem no tecido ao misturarem-se com suor e fluidos corporais: tal demonstra que a imagem só pode corresponder a uma pessoa que ainda estava viva.

Outros Indícios: As Feridas
A distribuição das feridas pela cabeça demonstra que, a coroa de espinhos não formava um aro, mas uma espécie de capuz que cobria todo o crânio, ao estilo das coroas ocidentais da época. Nos ombros e costas contam-se mais de 90 feridas pequenas, cujas características apontam para um determinado «látego romano» (o flagrum), que possui três tiras de couro com esferas de chumbo presas nas extremidades.
Na região dos ombros, também se vê o sangue resultante das feridas que coincidem com o antigo costume de obrigar o condenado que iria morrer na cruz, a carregar até ao local da execução e, sobre os ombros, a trave de madeira a que iria ser pregado.

A Experiência
Holger Kersten e Elmar R. Gruber untaram um voluntário com uma mistura de aloé e mirra e envolveram-no numa tela de linho. Aumentaram a temperatura ambiente para que a «cobaia» suasse e no tecido formou-se uma imagem em negativo, resistente à lavagem, e muito semelhante à da mortalha de Turim. É óbvio que não é exactamente igual ao original, já que não foi possível reproduzir as alterações sofridas por este, durante o processo de envelhecimento.

Reconstrução do Crucificado
A tonalidade das manchas da tela é mais intensa nos locais em que estava em contacto directo com o corpo, sendo mais clara nos pontos que ficaram mais afastados da pele. Um grupo de cientistas analisou as tonalidades de cinzento de uma fotografia a preto e branco da mortalha: os pontos mais escuros eram interpretados pelo computador como protuberâncias e, os mais claros, como zonas menos pronunciadas.
A partir desta relação entre a distância do tecido  e a intensidade da cor, um programa informático reconstruiu a forma de um corpo envolto na mortalha e, projectou um gráfico tridimensional com a imagem do «homem do sudário».

Datação Duvidosa
Entretanto, surgiram várias vozes - como a do microbiólogo Leoncio Garza-Valdéz, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade de San Antonio, no Texas - que discordavam da datação, realizada através do método do radiocarbono. Garza-Valdéz descobriu que o Santo Sudário de Turim, tal como muitas relíquias antigas, está coberto por uma camada de bactérias e fungos que em parte ainda estão vivos. Deste modo, ao efectuar-se a datação com o radiocarbono, o que se datou foi uma mistura de linho com o revestimento biológico que o acompanha. O resultado tinha de ser uma data muito diferente. Para além do mais, Garza-Valdéz argumenta que, ao examinar uma mancha de sangue, constatou a presença de minúsculos restos de madeira. Na sua opinião, trata-se de uma espécie de azinheira que até agora não foi possível classificar com plena certeza. Pensa que poderia tratar-se de pequenos fragmentos da madeira da cruz. Visto que a maioria das relíquias conhecidas da «verdadeira cruz de Cristo» é de madeira de pinho, este resultado pode revelar-se uma nova fonte de inquietação para os crentes.

Particularidade nas Hemorragias
Nos quadros e pinturas da História da Arte é costume Jesus Cristo ser representado, crucificado com os pregos a atravessarem-lhe as palmas das mãos. As manchas de sangue da mortalha revelam no entanto, que na verdade, os pregos penetraram pela base da mão, pois esta era a única forma de assegurar que as mãos não se rasgariam com o peso do corpo. Dos três fios de sangue visíveis no tecido, apenas um poderia ter sido provocado ao serem retirados os pregos mas, visto que o sangue se espalhou em extensão, só pôde fluir quando o corpo repousava no chão.

O Códice de Pray
Uma miniatura do chamado Códice de Pray, reforça a ideia da incorrecta datação obtida pelo método do radiocarbono. Este manuscrito foi elaborado entre 1150 e 1195 e por isso, é pelo menos um século mais velho que a data atribuída ao sudário. Sem dúvida, o artista teria de conhecer a existência do Santo Sudário de Turim, já que a imagem desnuda de Jesus Cristo com as mãos cruzadas é única.
Enquanto isso, na actualidade, o pano de linho no qual o suposto corpo de Jesus Cristo terá sido envolto após a crucificação, é considerado a relíquia mais valiosa e também a mais controversa da cristandade.
Ao mesmo tempo que os crentes veneram a profundamente a mortalha, os cientistas vão discutindo no tempo - e nas experiências que vão continuamente fazendo, acredita-se - a autenticidade e origem da dita mortalha em eterna relíquia, para crentes e não crentes, supõe-se.
Que a verdade seja uma só e nos seja revelada a breve trecho e, a na consistência devida do muito que ainda há por descobrir e modificar na História das Religiões. A bem de todos, assim seja!


A Mortalha




Terá Jesus Cristo sobrevivido à crucificação, não passando portanto a ressurreição de uma lenda bíblica?



O Santo Sudário de Turim
Uma tela de linho com 4,36 metros de comprimento e 1,10 metros de largura, cuja origem e lugar de custódia são objecto de forte controvérsia desde o seu aparecimento, revela a parte da frente e a de trás do corpo de um homem nu e ferido como se de um negativo fotográfico se tratasse. A delicada imagem apresenta uma coloração sépia e cinzenta em algumas partes e, observam-se também claramente, restos de sangue. O pano é um dos objectos mais estudados pelos cientistas e é conhecido como o Santo Sudário de Turim. Não se trata de uma pintura, pois os vestígios de sangue encontrados são humanos; conseguiu-se também determinar o grupo sanguíneo a que pertencem.
Não restam dúvidas de que alguém de que alguém esteve envolto nele e, de que o seu corpo, terá deixado uma marca indelével no tecido. Mas quem será e quando aconteceu tudo isto?

Imagem de Jesus Cristo
As feridas fazem crer que o homem terá sido crucificado e são exactamente as mesmas que foram infligidas a Jesus Cristo na cruz. A coincidência com os relatos evangélicos da Paixão de Cristo e outros dados históricos sobre a sua crucificação é tão assombrosa que o historiador jesuíta Herbert Thurston escreveu: "Quanto à identidade do corpo cuja imagem aparece no sudário, não resta a menor dúvida. As cinco chagas, a cruel flagelação e as feridas em redor da cabeça são claramente visíveis. Em nenhuma outra pessoa (excepto em Jesus), se verificaram tais ferimentos, desde que o mundo existe." - Eis a mortalha de Jesus Cristo! Os cientistas, porém, discutem até hoje a sua autenticidade.

Argumentos a Favor da Autenticidade
O professor Gilbert Raes, do Instituto de Tecnologia Têxtil de Gante, na Bélgica, descobriu no tecido várias fibras de uma espécie de algodão que na época de Jesus Cristo era plantada na Síria. Naquele tempo, o algodão ainda não era cultivado na Europa. Ao que parece, o linho terá sido tecido num tear sírio no qual previamente, se havia trabalhado com algodão. O criminólogo suíço Max Frei conseguiu identificar as espécies vegetais, cujos pólenes foram encontrados no sudário. Muitas delas são plantas típicas do deserto, mais concretamente da zona que circunda o Mar Morto. Algumas encontram-se exclusivamente nos arredores de Jerusalém. O tamanho do pano corresponde ainda, a uma unidade de medida habitual na Palestina nos tempos de Jesus Cristo. Os vestígios de plantas como a mirra e o aloé - mencionados no Evangelho de São João - e achados também na mortalha, reforçam a tese da sua autenticidade.
Numerosos estudos trouxeram um sem-número de provas a favor da suspeita de que se trata da verdadeira imagem de um ser humano vivo.

Imagem de alguém Vivo
A análise efectuada por um grupo de patologistas provocou grande comoção: na imagem não detectaram nenhum indício de «rigor mortis» e, com base nos fluxos de sangue visíveis no tecido, concluíram que o homem envolto na mortalha teria de estar vivo. De diversos pontos que num corpo jacente ficam em posições mais elevadas - como a parte da frente do tronco e as mãos - brotou muito sangue, coisa que seria de todo impossível num cadáver. De especial interesse, revelou-se a hemorragia da ferida das costas: é possível observar uma grande mancha de sangue que se estende de forma transversal sobre toda a extensão das costas. O sangue espalha-se pela mortalha até aos lados do corpo. Isto tem apenas uma explicação: quando o homem foi envolto na mortalha e deitado de costas no chão, a ferida começou a sangrar de novo. Esta hemorragia não poderia ter-se verificado na vertical sobre a cruz. As diversas feridas apenas poderiam sangrar se, o sistema circulatório do homem, se mantivesse funcional. Contaram-se 28 feridas que, continuavam a sangrar mesmo depois de o homem ter sido despregado da cruz. O crucificado não poderia portanto, estar morto.

Genética Divina
Impõe-se então a seguinte questão: terá assim Jesus Cristo sobrevivido à crucificação, não passando portanto a ressurreição de uma lenda bíblica?
A igreja depara-se com outras revelações extraordinárias relacionadas com a mortalha de Turim: o doutor Victor V. Tryon, director do Centro de Tecnologias Genéticas Avançadas da Universidade do Texas, em San Antonio, analisou o ADN de uma das manchas de sangue da mortalha. Constatou que o sangue contém os cromossomas X e Y, pelo que pertence indubitavelmente a um homem. Todavia, Tryon realça que há outras análises possíveis: "Se se verificar que este ADN provém apenas da mãe, sem intervenção do pai, tal teria consequências religiosas que qualquer pessoa pode imaginar."
A informação genética respeitante ao homem - que na opinião de um quarto da Humanidade, foi o filho de Deus - pode confirmar ou deitar por terra assim, certos dogmas da fé.

Por ocasião da última apresentação em público da mortalha na Catedral de Turim, em 2000, preparou-se uma reprodução em alumínio da relíquia em tamanho original para que, o retrato de Jesus Cristo, fosse também palpável. Desta forma, os invisuais puderam tocar pela primeira vez na «imagem» de Cristo, ao passo que aos restantes visitantes, era dada a oportunidade de observar por breves instantes, o precioso tesouro da catedral protegido por um vidro à prova de bala.
Defensores ou opositores sobre esta questiúncula da mortalha pertencer ou não a Jesus Cristo, ainda levará o seu tempo em reposição de toda a verdade, contudo (tenham razão uns ou outros) aguardaremos com expectativa as novidades de investigação e análises científicas que a moderna tecnologia se nos apresenta. Assim sendo, vamos esperar que algo possa surgir em anúncio plausível e consensual com todas as hostes religiosas e não só. Especular, só deforma o verdadeiro sentido do que ambicionamos conhecer em autenticidade e veracidade dos factos registados então. A bem de todos, assim seja!