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quinta-feira, 20 de março de 2014

A Suprema Mensagem


Figura representando um elemento alienígena com mensagem em código binário no círculo alado a si em terreno agrícola e, território terrestre.

A Origem
Estarmos vinculados a uma teimosa reiteração que nos afirme como única população e civilização humana no planeta Terra, é o mesmo que sentirmos-nos no direito de ter uma verdade única, absolutista e por vezes obsoleta perante tamanho autismo e mesmo arrogância no ser humano que somos. Para além das óbvias razões de ainda não sabermos de toda a nossa proveniência, origem e seguimento após a chamada morte.
Estamos assim ante um dilema extraordinário de considerarmos ou não razoável as diversas teorias que nos colocam paralelamente - e inseridamente - dentro dessa mesma esfera de uma de entre milhares ou milhões de civilizações estelares que interagem e se correlacionam entre si.
Naves que circulam nos nossos céus em poder incomensurável e interestelar do que observamos na actualidade em velocidades extremas e de acção imediata em altitudes impensáveis para a nossa aeronáutica mesmo nos dias de hoje em avançadas técnicas que alguns remetem para o conhecimento após Roswell.

A Comunicação
Desde 1960 - no primeiro projecto de procura seres extraterrestres, o «Ozma» e mais tarde em 1974 - que se tenta estabelecer um contacto através do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) ou seja, em português «Procura de inteligência Extraterrestre», com as ditas civilizações estelares que nos podem já ter visitado, instruído ou mesmo organizado em hierarquias genéticas, a nossa essência como seres humanos na Terra. Por princípio. Em meados de Agosto de 1977 veio finalmente uma resposta muito original e pouco ortodoxa para o que se esperaria em pronúncia sugestiva: «UAU»!?...E que na gíria popular ou sonoridade vocálica quererá mais não dizer do que a expressão real de espanto ou mesmo estupefacção total. Esta sigla decifrada, descodificada ou como desejarem desencriptada em código binário - em uma vez mais as matemáticas como estradas alternativas (e únicas até agora) nessa massa comunicativa estelar - em números, vogais e consoantes estranhas num seu todo. «6 E Q U J 5», então o célebre: «UAU»!

A Mensagem
Mas haveria de ser só em 2001 que a surpresa viria desses tempos quase remotos de há décadas atrás e que parecia só agora lhes termos chamado à atenção pelo SETI. O radiotelescópio de Arecibo - instalado numa cratera natural das montanhas de Porto Rico - receberia ondas radioeléctricas do Espaço, após exaustivas mensagens terrestres em transmissão sobre a consistência planetária humana em toda a sua origem, modo de vida, aprendizagem e fluência nas diversas línguas e dialectos mundiais e enfim, toda a mundanidade respeitante ao ser humano assim como das suas apetências musicais, nas artes e outras.
A resposta alienígena não se fez mais esperar mas, para pasmo dos demais de entre cientistas e leigos na matéria, esta mensagem viria em espécie de desenho digitalizado por vias de computador ou alta técnica robotizada em solo terrestre, à semelhança de já muitos outros desenhos geométricos em campos agrícolas de extensas áreas. Não sendo novidade pelo empenho, foi-o sem dúvida pela coerente - e surpreendente - análise posterior que matemáticos, físicos e restante comunidade científica fez a este código encriptado, binário uma vez mais, em círculo adjacente à sua figura e semblante alienígena no terreno. Era então esta a suprema mensagem alienígena após exímia análise e descodificação:
- Cuidado com os portadores de falsos presentes e promessas vazias!
- Muita dor! Mas ainda há tempo!...
- Acreditem que há bem lá fora!
- Opomos-nos aos enganos!!!
- (0.0.7) - Escala musical (semelhante a uma campainha...)

A Consciência
Temos de ter a consciência plena de que apesar de poder parecer absurdo - uma vez que há tantas interrogações ainda por responder, objectivar e mesmo chegar a determinadas conclusões efectivas - mas, de um modo geral, estas mensagens há tanto tempo esperadas, registam-se agora de uma forma deveras eloquente e mesmo incisivas ou direccionadas para o nosso planeta Terra. Se não vejamos: do que mandámos em fisionomia encriptada do ser humano, esta nos ser devolvida igualmente mas da sua índole morfológica de cabeça enorme e corpo pequeno (à semelhança do que já suspeitávamos em origem ou espécie alienígena nas muitas descrições dos «cinzentos»). Quanto aos nucleótidos alienígenas estes nos serem revelados como totalmente diferentes dos do ser humano em maior potencialidade etária de vida, ou seja, viverão muitos mais anos do que a nossa existencial vida do berço à campa. Se a nossa média de vida fica por entre os oitenta a noventa anos de ciclo individual - oscilando entre o masculino (menos anos) e no feminino (mais) em estatística apresentada mundialmente, os seres alienígenas nos serem uma incógnita, apesar da efectiva prova científica de que provavelmente viverão então muito mais do que nós, humanos.
Quanto à parte genética: uma verdadeira surpresa! Terão revelado em seu ADN uma parte materna ampliada, a parte paterna extinta (ou inexistente à priori...) repondo-os na condição única talvez, de uma espécie de «clones» não se sabendo se será efectivamente assim em diferenças genéticas individuais ou não, sendo de facto todos iguais como uma cadeia de fabrico em série. Como se disse há pouco, há ainda muitas perguntas ás quais não se obtêm para já grandes e elucidativas respostas do que desejaríamos em prontidão e, exactidão, sobre esta mensagem alienígena no solo terrestre em disco espiral de códigos assentes.

Também não se sabe bem, o porquê de um maior conhecimento terrestre - e dado pelos cientistas - de que esta civilização do dito alienígena com o cilindro de código binário, assim ter feito revelar ao nosso mundo terrestre de que possuía (ele e o seu povo ou civilização) a conquista de dois planetas do seu sistema solar (supõe-se) e mais três Luas que, convenhamos, é muita coisa para o simples e primitivo raciocínio terrestre em que as ambições no Espaço ainda só afluem - e em sondas guiadas - por uma só Lua ( a nossa...) e o planeta vermelho de Marte. Sempre fomos muito humildes...
Só me resta então coadjuvar tudo isto em verdadeira e surpreendente realização de simples e comum cidadã que sou em poder afirmar que me sinto bem mais feliz em ver que «eles» existem, são extremamente inteligentes, desenvolvidos, superiores e...bem, bonitos não sei se poderei tal dizer - sabendo de antemão que deve ser recíproco, o acharem-nos feios que nem bodes (sem ofensa para os bodes...) na raça humana que somos. Mas acima de tudo, não nos serem hostis! Dizem que vêem por bem quando dizem: "Acreditem que há bem lá fora!" - Pois que assim seja afirmo eu - uma vez mais - pelo que reitero, respeito e fico expectante dessa e outras iguais homilias estelares do nosso ou doutros sistemas solares, destes  e de outros planetas ou galáxias deste Universo imenso. Que Deus ou o Uno do Universo assim o permita em paz estelar, em paz universal que nos abarca, abraça e toma a todos como seus filhos únicos em cada uma das suas inúmeras estrelas de um Céu incomensuravelmente grande e...bom, espera-se! Que assim seja!

A Terra do Ouro


Ruínas de «Ofir»?             Zimbabué - (antiga Rodésia)                África

«De três em três anos chegavam (...) os navios carregados de ouro (...)» - Primeiro Livro dos Reis 10, 22 - Bíblia.

Terá sido Ofir, a lendária terra do ouro, aqui prostrada em ruínas do sítio arqueológico do Grande Zimbabué ou pelo contrário, em expedição ordenada pelo Rei Salomão, esta ter alcançado o Amazonas e mesmo o Peru na América do Sul em vestígios deixados para além de África?

Ofir - A Lendária Terra do Ouro
"Hiram mandou os seus servos nesta frota, marinheiros peritos em náutica, com os homens de Salomão. Chegaram a Ofir, donde trouxeram quatrocentos e vinte talentos de ouro, que levaram ao Rei Salomão." (Primeiro Livro dos Reis 9, 27).
Desde há 3000 anos que aventureiros e académicos andam em busca de Ofir, onde se situavam as minas lendárias que forneciam o rei hebreu Salomão. Sob as suas ordens terá sido construído em Jerusalém, entre 972 e 932 a. C. um maravilhoso templo. Os metais preciosos utilizados na sua construção foram mandados vir de uma terra, cuja localização foi mantida em segredo. Haverá alguns vestígios que conduzam à riquíssima câmara do tesouro de Salomão?

Em Missão Secreta
Ao ler-se a Bíblia obtém-se importantes indícios acerca da possível localização deste reino lendário. Os Israelitas não eram navegadores, no entanto está historicamente provado que o Rei Salomão fundou na cidade de Ezeon-Geber, no golfo de Acaba, no nordeste do Mar Vermelho, um importante entreposto de comércio marítimo. Os seus súbditos, porém, nada sabiam da construção de navios e, de navegação, por isso Salomão virou-se para Hiram - Rei dos Fenícios - que possuía os melhores especialistas de então, para qualquer expedição que houvesse a realizar no mar. É interessante notar que também fontes fenícias referem a construção de um porto no Mar Vermelho. Daí a referência bíblica no início do texto de: «De três em três anos chegavam (...) os navios carregados de ouro (...)» (Primeiro Livro dos Reis 10, 22).
A avaliar pelo tempo que os navios estavam fora e, pelo facto de trazerem ouro, prata e também marfim, os investigadores foram levados a estimar que, o lendário reino de Ofir, se situasse na Etiópia ou no Iémen - mas também lugares como a Somália, a África Ocidental, a Pérsia e a Índia foram sugeridos.

Salomão em África
Já em 1507 se acreditava ter-se descoberto este misterioso reino do ouro. Num relato da missão comercial portuguesa de Sofala - no Sul do Continente Africano - descreve-se a cidade de Grande Zimbabué, da qual os comerciantes traziam ouro para Sofala. Nascera assim o mito de Zimbabué.
Depois de o historiador português João de Barros (1496-1570) fazer referência a uma impressionante fortificação de pedra - e de em 1609 uns anciãos negros assegurarem ao padre dominicano João dos Santos que em tempos dali haviam sido levadas grandes quantidades de ouro para a Rainha de Sabá - já não houve quem pudesse conter aqueles que buscavam o precioso metal.
Em 1871, o alemão Carl Mauch (1837-1875) alcançou as admiráveis ruínas de Grande Zimbabué, que identificou como sendo as minas do Rei Salomão. Muito embora o egiptólogo britânico David Randall já em 1906 tivesse demonstrado que na arquitectura desse local não havia qualquer influência oriental e, as datações apontassem claramente para o século XII - que por razões políticas eventualmente, os brancos da Rodésia se mantiveram fiéis ao mito de Ofir.
Achar a terra do ouro a que a Bíblia se refere, revelou-se assim um sonho que encantou gerações e gerações. E, enquanto a magia de Ofir se mantiver viva na imaginação humana, os investigadores e os aventureiros continuarão então em busca interminável desse reino lendário.

Expedição ao Amazonas
A teoria do investigador americano Gene Savoy (n. 1929) é no mínimo estranha. Este acredita que o reino bíblico de Ofir se situa na América do Sul. G. Savoy responsável pela descoberta de mais de 40 cidades da cultura Inca no Peru, teve esta ideia ao investigar as ruínas dos índios Chachapoya. Documentos e esqueletos encontrados - bem como os poucos descendentes que ainda sobrevivem - confirmam que o tom de pele deste povo era invulgarmente branco. Para além disso, também alguns dos seus símbolos poderão ser de origem fenícia. Já na década de 1940, o arqueólogo francês Marcel F. Homet (n. 1898) deparara com vestígios desta cultura na região amazónica.
Gene Savoy pretende provar que uma expedição ordenada então pelo Rei Salomão, terá assim alcançado o Amazonas e mesmo o Peru.

Num fragmento de uma tabuinha de argila encontra-se uma inscrição em habraico que começa com as palavras: «Ouro de Ofir...». Perceber então qual a natureza do texto nesta inscrição, é algo que se tem revelado impossível mesmo para estudiosos e entendidos na matéria arqueológica e histórica.
Muito haverá ainda por pesquisar e averiguar sobre esta lendária terra do ouro em mítica amostragem do que ao longo dos tempos foi evocando nas gerações seguintes. Sendo ou não Ofir, situada na Grande Zimbabué, o certo é que a intrigante epopeia bíblica não ficará por aqui, tanto em achados como em possíveis e futuras descobertas das suas raízes, origens e opulenta história vivida então. Para já, o que se nos ocorre reafirmar é toda esta gloriosa investigação que dará os seus frutos a breve trecho, assim o queiram os homens e, toda a sua investida cultural de conhecimento e revelação ao mundo. Pois que assim seja em continuada busca e empenho nas gerações futuras também!

quarta-feira, 19 de março de 2014

A Grande Capital


Tikal  -  Guatemala                              América Central

Qual a razão pela qual, subitamente, os Maias terão deixado a sua grande cidade, a sua bela capital onde viveram mais de mil anos sem deixar rasto de si? Que enigma é este que ainda hoje não decifrámos e apenas insinuamos pelo que os seus deuses lhes terão remetido em sorte e destino, levando-os para as estrelas, para outros planetas, deixando para trás Tikal a sua Cidade-Estado incólume a tudo o resto?

Tikal - Cidade-Estado dos Maias
Um lugar de grande importância em termos de concentração de energias transcendentais foi Tikal. A primeira pedra para a construção desta metrópole bem no interior da selva guatemalteca foi lançada pelo rei-sacerdote Yax Moch Xok no século III d. C., num local dotado de propriedades mágicas calculadas com grande precisão. Os povos Maias veneravam uma grande quantidade de deuses, acreditando que estes residiam nas regiões exteriores do Universo ou do mundo inferior. A Via Láctea era então considerada o eixo central do cosmos. De acordo com a mundivisão destes povos indígenas, os deuses haviam já - aquando da criação do cosmos - fixado determinados pontos de intersecção com o Além. Por essa razão, os Maias guiavam-se por um padrão imaginário muito preciso, segundo o qual todas as suas casas, pirâmides em degraus e caminhos eram orientados e construídos. Finda a construção, ficavam então reflectidos nas metrópoles dos Maias os conceitos religiosos pelos quais estes se guiavam, sobretudo a noção de um espaço sagrado inserido num templo sagrado.

O Eixo do Mundo
Quando os Maias escolhiam os seus governantes, era imperioso que no decurso das coloridas festas de entronização fossem realizados terríveis sacrifícios humanos rituais. Com frequência tratava-se dos governantes de Cidades-Estados inimigas que haviam sido vencidas. Esta era, aos olhos do povo, a condição necessária para que no centro da sua cidade se materializasse o «Wacah Chan», (o eixo do mundo), para eles uma importante ligação entre o mundo dos humanos e, o Além. Só então o rei poderia através de cultos mágicos abrir o portal do templo que estabelecia a ligação com o mundo do Além.
No decurso dessas cerimónias rituais, as divindades materializavam-se em objectos de culto ou mesmo nos próprios reis-sacerdotes. Os Maias viveram mais de 1000 anos em Tikal. A razão pela qual abandonaram subitamente a cidade no final do século IX, permanece ainda hoje desconhecida, constituindo um verdadeiro enigma. Terá a população ficado amedrontada com a superioridade das forças do Além? Terão sido eles mesmos a sacrificar ritualmente a sua cidade capital ou terá esta Cidade-Estado sido vencida por estados inimigos mais poderosos? Não se sabe ao certo. A razão pela qual nos tempos que se seguiram não foi tentado um repovoamento da cidade, continuará igualmente e também a ser um imenso mistério, devido a não haver indícios disso nem sequer vestígios deixados em fósseis ou esqueletos dessa civilização.

Evocação do Reino dos Espíritos
Os Maias dos nossos dias dividem-se em 18 tribos e vivem sobretudo na Guatemala e no México. O seu dia-a-dia é ocupado sobretudo na agricultura, porém aquilo que realmente os enche de orgulho é a sua tradição: os curandeiros das aldeias da península do Iucatão celebram ainda hoje, tal como em tempos os seus antepassados, as suas práticas xamanísticas. Em altares naturais, situados diante da entrada para misteriosas grutas que dão acesso ao mundo inferior de Xibalba, acendem velas e salpicam o chão com o sangue de um animal sacrificado de propósito para este ritual. Deste modo, tal como desde há milénios, activam-se forças sagradas e, é estabelecida a comunicação com os antepassados já falecidos.
Os Maias ainda hoje acreditam que as forças do Além continuam a fazer-se sentir nos seus antiquíssimos lugares de culto. Nas suas actividades cerimoniais poder-se-à encontrar a chave para a compreensão da mundivisão dos antigos Maias. No decurso da cerimónia do início do Inverno, celebrada pelos Maias de etnia Chorti, por exemplo, os Xamãs evocam os deuses com palavras mágicas. Diversos instrumentos mágicos, bem como uma bebida feita a partir de milho, cacau e água, são distribuídos por toda a gente e, densas nuvens de incenso, envolvem as figuras imaginárias que alegadamente os sacerdotes conseguem distinguir.

A Realidade ou Virtualidade?
É possível que a combinação dos fumos narcotizantes do incenso, de bebidas alcoólicas e de drogas ligeiras exerça um determinado efeito sobre a percepção sensorial. Por outro lado, não deixa de ser surpreendente que muitas vezes o mesmo fenómeno seja presenciado por diversas pessoas ao mesmo tempo. Decisiva parece ser em todo o caso a atitude de expectativa de qualquer dos intervenientes.
Poder-se-à também encontrar uma explicação racional num êxtase motivado por uma religiosidade exacerbada. Uma outra explicação poderá ser uma alteração do estado de plena consciência, motivada por um jejum prolongado ou pela privação de ingestão de líquidos, como no âmbito da medicina pode ser frequentemente observado na sequência de uma operação cirúrgica. Através dos seus sentidos, os pacientes experimentam situações que nada têm a ver com a realidade, mas que se lhes afiguram absolutamente reais.
Enquanto os estudiosos debatem as visões dos antigos Maias e dos actuais descendentes deste povo e, no comportamento destes últimos tentam encontrar a chave para a compreensão dos primeiros, cada um de nós terá a oportunidade de formar uma ideia própria acerca desta antiga civilização ao visitar as famosas ruínas Maias de Tikal, Palenque, Chichén, Itzá ou Copán.

O Mundo do Deus da Chuva
O deus da Chuva, chamado Chac, era para os Maias um agente da Morte mas também da Fertilidade. Podia oferecer a chuva aos humanos, mas também devastar a terra.
Chac desempenhava um papel preponderante nas festividades rituais da época mais tardia, no decurso das quais lhe eram oferecidas em sacrifício crianças no cimo dos montes. Quando estas choravam, tal era interpretado como um bom sinal, uma vez que as lágrimas estavam associadas à chuva. O mesmo se aplicava às jovens virgens sacrificadas que, juntamente com esculturas e recipientes dourados, eram lançadas nos «cenotes», a tal espécie de grandes poços na rocha, onde acabavam por morrer afogadas.

Jogos de Bola Sagrados
Os jogos tinham para os Maias um significado religioso muito grande. Exemplo disso são o campo de jogo em forma de T, que simbolizava o mundo, e a bola - que jamais poderia cair ao chão - representava o Sol e a Lua. As competições disputadas simbolizavam a luta entre a escuridão e a luz - nelas se representava o ciclo de morte e renascimento do Sol.
Do mesmo modo que os heróicos gémeos míticos Hunahpú e Ixbalanqué haviam tido de sujeitar-se aos senhores do mundo inferior, para quem o jogo dos rapazes estava a ser demasiado ruidoso, o sangue de alguns jogadores era derramado após a realização da competição, com vista a realizar uma oferenda destinada a alimentar os deuses. Só assim poderia - de acordo com os dogmas religiosos dos indígenas da América Central - ser assegurado o percurso diário do Sol através do firmamento. Depois de tentarem enganar os deuses irados, de acordo com a mitologia Maia, os gémeso foram transformados no Sol e na Lua que vemos no Céu.

Pouco resta actualmente do esplendor dos Maias de outrora. O quotidiano dos seus descendentes é hoje somente marcado pela prática de artesanato, pelo trabalho agrícola e pelo turismo mas ainda assim, dignos de uma certa reverência do que foi deixado pelos seus antecessores. Para visitantes e estudiosos, as energias subsequentes destes lugares não deixa contudo de passar indiferente em todos eles que, sentem no ar uma mítica atmosfera de espíritos grandiosos ou quiçá, deuses velozes que por ali ainda se fazem sentir. Respeitando crenças, tradições e vestígios deixados no terreno, impele-se a deixar também em si próprios uma certa atitude de compleição e mesmo veneração a tão antiga civilização em desaparecimento deveras estranho, enigmático. Nessa investida de maior conhecimento e abertura ou conclusão da extinção desta cultura e civilização Maia, só nos resta acrescentar de que seremos expectantes e ávidos dessa outra verdade que nos relegue para um outro plano, uma outra dimensão, em povos das estrelas os terem possivelmente levado, arcando com as suas crenças, as suas tradições e, as suas verdades!
A bem da cultura e do conhecimento, assim e um dia tudo nos possa ser dito em verdade também!  

A Porta do Inferno


Caverna de Naj Tunich - Poptún - Sul de Petén               Guatemala               América Central

Teriam os Maias razão e, de acordo com a sua mundivisão, de mesmo em locais sagrados as energias perigosas poderem fazer-se sentir, irrompendo assim sem compleição? E que porta para o Inferno era esta - que pertencia ao Reino dos Mortos - e na qual a civilização Maia detinha um cumprimento sacrificial sobre as forças obscuras aí retidas?

Ruínas Maias - México e Guatemala
O povo indígena dos Maias possuiu em tempos pré-colombianos uma cultura com alto grau de desenvolvimento, ainda hoje capaz de fascinar todos aqueles que visitam as ruínas e estudam os seus mitos. O mundo deste povo encontrava-se impregnado pelas forças do sobrenatural. Toda a matéria - as plantas, as pedras, os utensílios de cerâmica, até mesmo o próprio firmamento - era animada e poderia transformar-se numa força ameaçadora. Apenas com base em rituais bizarros e, cultos sacrificiais sangrentos, é que o cosmos dos Maias podia existir. O objectivo das suas cerimónias, hoje em dia frequentemente vistas como cruéis, era a manutenção do delicado equilíbrio entre o Céu, o mundo intermédio terreno e, o funesto mundo inferior. Através de oferendas sacrificiais esperava-se evitar a descida dos deuses do cosmos ou, o regresso dos antepassados do Além. Os rituais importantes eram levados a cabo pelos «Ahauob», os príncipes sacerdotes dos índios, que perante o povo eram simultaneamente os governantes e os Xamãs.

Rei e Xamã
Um destes rituais incluía um jejum de vários dias, no qual o rei-sacerdote se deixava entrar num estado semelhante ao transe. Nessa ocasião encontrava-se na plataforma superior de uma daquelas pirâmides lendárias dos Maias. Perfurava o próprio pénis com o espigão de uma raia, passando depois um pedaço de corda através da ferida. O sangue ia pingando ao longo de tiras de papel compridas que eram presas ao pénis enquanto o governante se entregava e, redopiava, numa dança em êxtase.
Os seus ajudantes apressavam-se a queimar esta oferenda sagrada numa taça sacrificial. O fumo ascendente simbolizava para os Maias uma cobra, através da qual o rei recebia as suas visões e estabelecia uma ligação aos antepassados e, aos deuses. Este povo acreditava de que, apenas através dos actos rituais destes xamãs quase divinos, haveria possibilidade de manter o necessário equilíbrio entre o Aquém e o Além, pois de acordo com a mundivisão Maia, até em locais sagrados as energias perigosas podiam irromper e, fazer-se sentir!
As estelas - uma espécie de quadros de pedra escritos - que os Maias consideravam equivalentes a árvores vivas, eram então de imediato enterradas para que as forças destrutivas não se abatessem sobre a cidade.

Portas para o Além
Em Tabasquena, no estado mexicano de Campeche, existia uma «garganta» que comunicava com o mundo inferior. Nos seus centros religiosos, os Maias criavam uma espécie de portas de comunicação com o mundo do Além: foram feitas esculturas medonhas de monstros com colmilhos afiados e, enormes bocas, que serviam para advertir quem por ali quisesse entrar. Por detrás de cada uma destas sombrias entradas escondiam-se forças terríveis, simultaneamente perigosas e mágicas. Uma vez que, a cada sacrifício que era realizado, a linha de demarcação entre um mundo e o outro - o Aquém e o Além - se tornava cada vez mais ténue e permeável, as forças obscuras só poderiam voltar a ser reenviadas e, devolvidas ao outro mundo, mediante a realização de um culto especial de consagração.

Pirâmides Sepulcrais
No Calendário Maia, a cada conjunto de 52 anos, vivia-se um ano sagrado. Por esta ocasião, uma legião de trabalhadores recuperava a cobertura das pirâmides, dotando-as de uma nova camada exterior de pedras. Bem no interior destas construções apontadas para o Céu, situava-se os sepulcros dos reis: até mesmo os altares sobre os quais praticavam os rituais eram conservados junto deles.
De acordo com as crenças Maias, proporcionava-se assim aos habitantes daquele lugar a proximidade de um enorme depósito de energia. Estes montes artificiais deverão ter constituído para os Maias centros energéticos, locais de concentração de forças e energias.

O Mundo Inferior
O brilho da lanterna de bolso perdeu-se nas profundezas escuras e, no silêncio da gigantesca caverna de Naj Tunich, na Guatemala. Diante dos olhos de George E, Stuart, investigador da civilização Maia, revelou-se uma fantástica galeria de inscrições e desenhos de diversas cores. Espalhados pelo chão estavam maravilhosos recipientes de cerâmica brilhante que ninguém havia tocado desde há 1200 anos.
Os hieróglifos secretos que ele encontrou continuam por decifrar, porém, a caverna poderá ter com toda a certeza desempenhado uma função importante na transição para uma nova época da civilização Maia.
O investigador George E. Stuart suspeitaria então que este lugar sinistro teria pertencido ao «Reino dos Mortos» e que, para os Maias, terá sido algo semelhante a uma porta para o Inferno.

Tulum é outro exemplo, situada na península do Iucatão, trata-se da única povoação Maia junto ao mar e, é caracterizada pela existência de muitas grutas e cavernas - conhecidas como «cenotes» - nas quais se pode mergulhar. Um destes reservatórios de água encontra-se sob o templo do «deus caído». O que perfaz assim a idêntica amostragem de portas subterrâneas tanto do Aquém como do Além para os Maias em diversos locais de efectivas portas temíveis do que se sobrepunha a estas em escuras e profundas cavernas. E que, ainda no tempo corrente, nos fará temer ou sequer respeitar em obrigação sucessória dos nossos antepassados ou desses povos da civilização Maia. Só nos resta dizer então que, a bem dessa continuação, assim possa ser de futuro!

terça-feira, 18 de março de 2014

A Cultura Demoníaca


Estela 162 - Figura de Pedra Megalítica - San Agustín                     Colômbia - América do Sul

Seriam estas estátuas de pedra representações sacrificiais, deuses estelares ou ainda em maior introspecção e teorias de psicólogos a representação do «segundo eu»? Seriam divindades solares ou simplesmente a afirmação de uma cultura demoníaca em ritos e convénios seus de protecção e veneração?

San Agustín - Cultos Demoníacos
Muitos arqueólogos questionaram-se já sobre aquilo que os membros de uma civilização perdida como a de San Agustín terão querido representar. Novamente, as muitas interrogações que todos eles fazem de entre si sobre estas questões não resolvidas ou tangíveis de uma só verdade: Seriam divindades solares? Ter-se-ia feito em tempos sacrifícios humanos em sua honra?
Alguns destes ídolos estão representados segurando nas mãos seres mais pequenos de pernas para o ar e, parecem querer comê-los. Ou seria o contrário? Quereriam os artistas que os esculpiram demonstrar que, acreditavam num nascimento místico do ser humano a partir de um jaguar, à semelhança dos Olmecas no México e, da civilização de Chavín de Huántar no Peru? O investigador columbiano Pablo Gamboa Hinestrosa, da Universidade Nacional da Colômbia, propõe uma datação das estátuas mais antigas para pelo menos 800 a. C.
A cultura de San Agustín teria coexistido com a dos dois povos que também veneravam o jaguar. Embora estivessem separados por milhares de quilómetros, é possível que a mesma ideia religiosa se tivesse espalhado e ganho raízes no Continente Centro e Sul-Americano.

O Duplo «Eu»
Algumas das estátuas de pedra são designadas por «El doble yo» ( o duplo «eu»), já que nelas se reconhece a presença de duas figuras, uma sobre a a outra (representadas no texto «a Terra dos Espíritos»).
Debaixo de um nariz largo, as figuras principais arreganham ameaçadoramente os seus 4 dentes caninos. As cabeças estão protegidas por um capacete. Ás suas cavalitas, está um segundo demónio mais pequeno. Estas representações terão levado o investigador alemão Karl Theodor Preub, a pensar que estes artistas desconhecidos teriam querido tornar patentes as visões e os ritos xamanísticos. Outros, por seu turno, viam nestes seres entre o humano e o animal, uma certa semelhança com um vampiro, julgando tratar-se de ídolos que representavam a eterna luta entre as forças do Céu e as da Terra.
Também criaturas como o condor - considerado o mensageiro da luz e da força - surgem aqui representadas. O jaguar, por seu lado, poderia ser um símbolo de energia sexual e, personificar a natureza agressiva.

Divindades em forma de Serpente
Os numerosos motivos de serpentes que indicam a origem mítica do ser humano a partir do mundo inferior, combinam assim com esta interpretação dualista do Céu e da Terra.
Em 1985, próximo do centro de San Agustín, em El Purutal, foi feita uma descoberta que poderá confirmar esta noção. Sob uma colina encontrava-se uma câmara subterrânea, onde estavam reunidos enormes monólitos. Diante deles estava uma figura de pedra, um guardião - pintada a vermelho, amarelo, preto e branco - com um padrão semelhante à pele da cobra-coral.
Os arqueólogos depreenderam de que este recinto fora dedicado a uma divindade relacionada com essa cobra. Talvez nunca sejam esclarecidas as motivações que animavam assim esta cultura sul-americana.
Os habitantes primitivos da Colômbia não possuíam uma escrita que relatasse a crença em demónios capazes de inspirar medo ou, em divindades criadoras entre o humano e o animal - por eles veneradas em virtude de terem criado os seres humanos.

Xamãs e Visões
Em 1914, Karl Theodor Preub investigou nas margens do rio Orteguasa - um dos afluentes do Amazonas - a tribo indígena dos Uitoto. Observou então como estes preparavam uma droga a partir de uma liana que coziam, capaz de proporcionar ao Xamã da tribo, visões de pequenos homens, tidas como as almas de pessoas já falecidas ou como espíritos protectores.
No decurso dessa cerimónia, o Xamã envergava a pele de um jaguar, para assim transmitir a força deste animal para si próprio. Karl Theodor Preub concluiu que, também os criadores dos monstros de San Agustín, poderiam ter experimentado visões semelhantes, representando-as de seguida naquelas estátuas monumentais.

Algumas destas figuras monumentais apresentam dentes bem afiados, como já foi referido. A da Estela 162 representada na imagem do texto, segura nas mãos uma cabeça humana e uma faca - um indício claro de rituais de sacrifícios humanos. Em todo o caso, a Ciência ainda aqui não foi capaz de fornecer uma explicação cabal, dando lugar por isso a grandes especulações.
Divindades solares ou hipotéticos estandartes de uma cultura demoníaca - ou meramente de índole espiritual - estas estátuas megalíticas serão por si só uma referência abissal de tudo o que estará ainda secreto e escondido, reverenciado nestes povos antigos. Contudo, existirá no futuro em próximas gerações de estudiosos e entendidos na História contemporânea, quem o consiga desvendar em maiores e mais aprofundadas pesquisas arqueológicas e outras. A bem do conhecimento, a bem da cultura global, assim seja então! A bem de todos nós!

A Terra dos Espíritos


Estátuas de Pedra - San Agustín                                 Colômbia - América do Sul

Quem terão sido os autores destas estátuas de monstros? Que cultos bizarros eram aqui celebrados? E que pronunciariam perante estes povos antigos? Que origens ancestrais e de civilizações quiçá exteriores ao planeta Terra, estes terão surgido em magnificência, temor ou sequer aprendizagem como divindades solares que seriam?

San Agustín - A Cultura Megalítica da Colômbia
Esculturas de ídolos demoníacos com dentes afiados e maliciosos e um olhar quase hipnótico, irradiam desde há séculos, uma aura de medo e espanto bem no meio da selva Sul-Americana.
É com um misto de surpresa e de respeito que tanto cientistas como turistas dos nossos dias enfrentam as bestiais figuras de pedra, que se encontram a quinhentos quilómetros de Bogotá, a capital da Colômbia, próximo de uma pequena aldeia indígena chamada San Agustín. Daí as muitas interrogações sobre quem teriam sido os autores destas estátuas de monstros e que cultos bizarros seriam aí realizados?

Os Ídolos Sinistros
O primeiro relato acerca dos monstros de pedra data de 1758 e, é da autoria do monge espanhol Juan de Santa, a quem foi dito que no vale de San Agustín havia índios que veneravam estátuas bastante misteriosas. Contudo, só no início do século XIX é que o italiano Agustín Codazzi conseguiu encontrar este local misterioso, tendo desenhado esboços de algumas das estátuas, sem porém conseguir desvendar o seu segredo e, explicá-las.

Sepulturas Misteriosas
Foi o etnólogo alemão Karl Theodor Preub, de Berlim que em 1912 organizou uma expedição a San Agustín, quem finalmente realizou numerosas descobertas dignas de relevo, entre as quais as estátuas de divindades demoníacas e, umas quantas sepulturas.
No entanto, os sarcófagos com quase três metros de comprimento no interior de câmaras subterrâneas não parecem ter sido criados para seres humanos, pois, para grande espanto seu, o doutor Karl Preub não encontrou um único esqueleto nas redondezas. Ao invés disso, havia enormes figuras de pedra no interior dos sarcófagos. As colinas funerárias eram vigiadas por guardiães de pedra munidos de maças, protegidos por capacetes  e, sobre cujas cabeças, pairam rostos que parecem vir das nuvens em redor.

Terra de Espíritos e Sepulturas
Estes gigantes de pedra não constituem o único enigma deste lugar misterioso. Este antigo lugar de culto indígena ocupa uma área total de 500 quilómetros quadrados! E toda esta terra foi em tempos primitivos completamente transformada por seres humanos que viviam na Idade da Pedra. Um povo que actualmente nos é perfeitamente desconhecido - desfez e deslocou colinas inteiras - encheu depressões no terreno com cascalho e pedregulhos, construiu socalcos artificiais nas encostas dos montes, criando por fim vastos espaços onde milhares de pessoas podiam juntar-se e, ficar a olhar olhos nos olhos - frente a frente - aquelas extraordinárias figuras grotescas, cujas estátuas em pedra foram transportadas ao longo de muitos quilómetros até àquele lugar. Que instrumentos esta cultura indígena primitiva terá tido à sua disposição é, ainda hoje, uma intrigante questão a que muitos arqueólogos ainda não souberam responder.
Fascinado e, impressionado, com as suas exuberantes descobertas, o investigador alemão Karl Theodor Preub escreve em 1912 a seguinte nota: "Sentimos-nos tocados por algo inquietante, por algo inexplicável, como se a Humanidade nos quisesse mostrar aqui, uma página nova até agora desconhecida e, da sua história!"

Os Curiosos Canais - esculpidos na Rocha
Um dos mistérios de San Agustín continua a ser chamado de «Lavapatas». Numa área de 300 metros quadrados estende-se sobre um rochedo plano uma complicada rede de canais, de estreitas calhas que serpenteiam pelo chão, de depressões no terreno, bacias grandes e pequenas, entre os quais se encontram gravuras. A finalidade deste labirinto por onde a água corria, permanece ainda hoje, perfeitamente desconhecida. Talvez houvesse então nesse lugar uma nascente sagrada, onde peregrinos cansados poderiam aproveitar para lavar os pés.
É possível também que, este estranho rochedo, tenha eventualmente sido uma pedra sacrificial sobre a qual o sangue de animais - e de seres humanos - sacrificados, teria fluído. Para os povos indígenas pré-colombianos, este rochedo ter-se-à com certeza revestido de grande importância, sendo efectivamente um lugar de aprumo que estes povos arranjavam com grande esmero e dedicação.

Alude-se então a uma corrente de certa forma venial em que estes povos terão cingido as suas preces, as suas «orações« ou pedidos clementes aos céus, dignificando na terra, estes símbolos de pedra que muito mais do que isso terão sido. A forma de construção, edificação e transporte é algo que ainda hoje nos transcende, daí nos cumularmos de razões em enaltecer estes povos na interacção possivelmente havida entre eles e os outros de proveniências estelares. Tudo é suposto, tudo é questionável mas ainda assim assente nessa mesma plataforma de dúvida e suspeição em que nos encontramos sobre estas muitas questões em aberto e, por responder. Terão sido auxiliados por criaturas externas à Terra nesses envolvimentos terrestres? Terão assim beneficiado de ensinamentos, aprendizagens e processos até aí - e ainda hoje - desconhecidos por nós? Só poderemos acrescentar que, a assim ter sido, para a História nos ficará estes «belos» exemplares de pedra em rigorosa anunciação de factos por nós não esquecidos. Assim seja então, a bem dessa cultura perdida nos tempos mas não esquecida por nós!

segunda-feira, 17 de março de 2014

A Cultura dos Talaiotes


Construção Megalítica - Sul de Artá            Baleares/Maiorca            Espanha

Que finalidade teriam tido estas edificações, unindo o Céu, a Terra e o mundo inferior? Revelariam motivações míticas e religiosas em processos rituais de iniciação ou muito mais do que isso em confluência do cosmos aí imbuído no «útero da Mãe-Terra»?

O Enigma dos Talaiotes
Quando os turistas que se deslocam a Maiorca vão e vêm para o aeroporto de Palma, poucos são aqueles que se dão conta de que estão a passar junto a alguns dos mais importantes lugares sagrados da chamada cultura dos Talaiotes. Mesmo ao lado da auto-estrada de acesso ao aeroporto, encontra-se o que resta da torre sepulcral de Son Oms e, um santuário rectangular. Pertencem todos a um grande complexo religioso, um templo que hoje em dia já só existe nos livros de arqueologia, pois sucumbiu assim, vítima das máquinas que construíram uma das pistas do aeroporto.

Monumentos Desaparecidos
Inicialmente, o templo era constituído por dois muros circulares com um núcleo de pedra e uma sala sepulcral ao centro. Um corredor conduz a um terraço sobre o telhado, onde se encontrava o local de culto. Presume-se que este espaço era destinado à observação das estrelas, uma actividade bastante importante para os povos megalíticos. Son Oms surgiu em meados do segundo milénio antes ainda da Era Cristã, constituindo assim um dos mais antigos complexos megalíticos de todo o mundo.
Esta construção imponente realizada com enormes blocos de pedra parece ter sido palco de ritos de iniciação.

A Cultura dos Talaiotes
A palavra Talaiote é proveniente do árabe «atalayi» («estar de atalaia») e designa construções semelhantes a torres - circulares ou rectangulares - compostas por grandes blocos de pedra. Os Talaiotes encontram-se isolados ou em grupos, no interior de fortificações ou em locais elevados. Os «son», isto é, quintas, estão distribuídos por toda a ilha. Trata-se pois, de designações de locais que indicam exactamente onde podem encontrar-se os Talaiotes. Estas instalações possuem dimensões que variam de caso para caso, existindo desde Talaiotes redondos e, isolados, com um diâmetro de poucos metros até grandiosos complexos que podem abarcar uma aldeia inteira com os seus diversos edifícios.
O significado destas construções permanece até hoje um verdadeiro enigma. A cultura dos Talaiotes floresceu desde cerca de 1300 até ao século I a. C. Presume-se que estes Talaiotes redondos constituíam a transposição em pedra da forma das cabanas circulares da Idade da Pedra. Não restam quaisquer duvidas de que os Talaiotes circulares se prestavam à realização de hábitos de culto.
Os Talaiotes posteriores de formato rectangular deverão provavelmente ter sido construídos com fins defensivos ou como locais de sepultura.

O Santuário de Son Mas
Uma construção particularmente impressionante e, característica, é o templo de Son Mas. A planta deste edifício apresenta a forma de uma ferradura, possuindo uma fachada côncava. Esta estrutura é única nas Baleares, não sendo comparável à dos Talaiotes circulares. No seu interior podem ver-se restos de colunas que em tempos terão suportado um telhado de altura relativamente reduzida. Sem dúvida que deverá ter-se tratado de um templo muito importante, no qual provavelmente se realizavam banquetes rituais.
O templo, bem como a povoação de grandes dimensões em que este se inseria, esteve em uso durante dois milénios, de 2100 a. C. até 200 d. C.
Trata-se assim da maior povoação em toda a Europa a ter sobrevivido durante um período de tempo tão grande e sem interrupções. Ao longo de todo esse tempo, deverá ter sido visitada por um número incrivelmente grande de povos e culturas, os quais se viram assim confrontados com os enigmáticos sistemas espirituais da cultura dos Talaiotes.

Enigma Arqueológico
Com o seu diâmetro de 17 metros, o Talaiote circular de Son Fornés é um dos maiores da ilha. Ter-se acesso a ele através de um portal baixo, composto por três grandes blocos monolíticos. O corredor da entrada - com os seus 5 metros de comprimento - começa logo por dar uma boa impressão da magnitude dessas paredes, erigidas com blocos que chegam a pesar 10 toneladas. No interior podem encontrar-se paredes curvas, bem como um pequeno espaço característico, ao qual se tem acesso através de uma passagem estreita aberta na parede. Ambas as estruturas continuam a suscitar aos arqueólogos dúvidas acerca da finalidade deste complexo.

Centro do Mundo
A coluna central maciça deverá ter tido apenas a função de suportar o peso do tecto. Existem outras construções da cultura talaiótica, de maiores dimensões até, que não foram dotadas destas colunas. As dimensões das colunas centrais costumam ser de tal modo descomunais que, o espaço envolvente, passa a funcionar como uma espécie de estreito corredor circular. Aparentemente a coluna central nestes edifícios circulares representa o mítico eixo do mundo, tal como este nos surge não só em construções circulares semelhantes da autoria de culturas antigas, mas também nas tendas tradicionais siberianas.
Esta coluna marca o centro do cosmos, unindo o Céu, a Terra e o mundo inferior. Este tipo de construção revela que, a finalidade destas edificações, teria assim tido por certo motivações míticas e, religiosas.

Ritos de Iniciação
Nestas construções que se situavam simbolicamente no centro do mundo, tinham com certeza lugar, ritos de iniciação. Apenas acessíveis através de pequenas e estreitas paragens, as câmaras de reduzidas dimensões que fazem parte de muitos Talaiotes, poderão assim constituir a prova de que esses mesmos ritos de iniciação, chegaram até então transmitidos de épocas anteriores, quando as iniciações se realizavam no interior de cavernas. O «iniciando» era assim levado através de uma passagem estreita até ao «útero da Mãe-Terra», onde tinha a oportunidade de renascer para uma nova vida.

Barcos de Pedra
Singulares são sem dúvida as edificações pré-talaióticas que apresentam a forma de um barco virado ao contrário, com a quilha para cima. Por vezes estas construções com a forma de uma embarcação serviam também como sepulturas colectivas, como em Son Real, na zona Norte da ilha. Trata-se aí possivelmente de uma Necrópole Fenícia. As chamadas «Nuraghas» da Sardenha apresentam estruturas construtivas muito semelhantes. Mas também, muito mais a Norte - mais precisamente na Escandinávia - os mortos eram enviados em barcos de pedra na sua longa viagem para o Além.

As Cabeças de Touro de Costitx
Foi em Costitx que os arqueólogos realizaram a mais importante descoberta de toda a ilha de Maiorca: trata-se de três cabeças de touro de bronze, de grande elegância e perfeição formal, que datam de entre os séculos VI e V a C. Constituem o testemunho mais expressivo das relações que terão ligado a cultura dos Talaiotes ao espaço cultural asiático. As figuras apresentam semelhanças admiráveis não só com outras cabeças de touros desenterradas em Susa, no Irão, mas também com os leões de mármore de Delos, do espaço cultural helénico.

Toda esta cultura dos Talaiotes é assim revestida de uma enigmática envoltura pelo que, ainda hoje arqueólogos e historiadores, se debatem sobre a verdadeira finalidade dessas suas edificações. Contudo, há que suscitar alguma reverência sobre o que estes povos - mesmo em período pré-talaiótico -  se estabeleceram em confluência cósmica do Céu, da Terra e do mundo inferior.
Apesar de poucos vestígios existir já desta insinuante cultura dos Talaiotes, será com evidente prazer e admiração que se visitará a ilha de Maiorca em observação pormenorizada sobre estas construções megalíticas de outrora que, sabe-se, se tem tentado preservar ao longo dos tempos (ainda que a construção do actual aeroporto de Palma de Maiorca tenha feito perecer alguns destes blocos monolíticos...o que se lamenta) mas, ainda assim poderem ser visíveis a olho nu.
Remete-nos então afirmar, que assim continue em preservação e contínua observação em cultura, conhecimento e verdade! A bem dessa cultura e desse conhecimento para as gerações futuras, assim possa continuar a ser! A bem de todos!