Há almas eternas, outras imortais e talvez até mesmo outras confortavelmente emanentes sobre o Universo; cabe-nos a nós descobrir quais as que nós somos, por outras que andam por aí...
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quinta-feira, 31 de março de 2016
A História da Terra
Planeta Terra: as etapas de um planeta em vida e história geológicas.
Havendo uma multiplicidade de planetas, estrelas e provavelmente outros sistemas solares no Cosmos, será inevitável a questão se, por hipótese e sugestão, haverá a similitude de vida em história geológica nesses outros pontos do Universo. Mesmo que sob outras formas de vida ou mesmo sobre outros desenvolvimentos e, evolução, poder-se-à consistir que existam outras «Terras», outros planetas, onde este fantástico portento de vida se exiba, ainda que o não saibamos pelas óbvias limitações humanas de não ingressão em viagens interestelares?
Sabendo-se também do processo evolutivo da Terra em geo-estratégia planetária (criada, recriada ou fomentada por impulsão cosmológica, perpetrada ou não por seres inteligentes...) a Terra foi sendo sempre distendida em Sistemas, Eras e Períodos - ou épocas - nos quais, esta se repartiu em natural eclosão das espécies. Do Arcaico até ao recente Período Glaciar (Plistocénio e Holocénico) muito se expandiu no planeta, sabendo-se então da variação e adaptabilidade das espécies ao longo de todas estas épocas. Mesmo nos nossos dias, ainda há certos organismos, microrganismos ou vida bacteriana que se desenvolve sem que o saibamos (ou conheçamos) na sua totalidade.
Sendo tudo isto uma realidade, insurgir-se-à igualmente uma outra questão de índole interplanetária: Seremos nós, seres humanos - e todas as outras espécies na Terra - os únicos seres evolutivos de épocas e períodos diferenciados ou, na mais razoável das probabilidades, poderemos ser o que de mais primitivo se inferiu neste ou noutros iguais planetas, de vida geológica, ecológica e, por lógica e consequência, «naturalmente» a biodiversidade de vida biológica? E, sendo únicos (o que nos perfaz a simbólica condição de raros e específicos seres, como tantas vezes se apregoa de Jardim Zoológico planetário terrestre), que objectivos ou agenda estelares estes outros seres externos à Terra terão para nós, para tal se terem remetido a observar, a prospectar, a monitorizar, ou mesmo a continuar...???

Estromatólitos (vestígios de há 3500 milhões de anos, na Terra).
Histórias Geológicas
O tempo geológico foi repartido numa série de grandes divisões: Sistemas, Eras, Épocas e Períodos. O Sistema Na Terra mais antigo que se conhece é o denominado: Arcaico ou ou Arqueozóico, que engloba o período que começa no nascimento do nosso Sistema Solar, há cerca de 4600 milhões de anos, e termina há aproximadamente 2500 milhões de anos atrás.
Os vestígios da Formação de Montanhas deste período, encontram-se nas rochas da Terra, assim como no vulcanismo e na deposição de sedimentos marinhos. Tal como se vê na imagem acima referida, estes sedimentos são deste modo resultantes da deposição de carbonato de cálcio, implementados em comunidades de cianobactérias (ou da actividade destas cianobactérias filamentosas) originando assim antigos Estromatólitos.
Embora o Arcaico se definisse outrora como o período antes da existência da vida, sabe-se hoje que já existiam formas simples de vida no final deste período.
Ao Arcaico, seguiu-se então o Proterozóico (que significa período da primeira vida), que se estendeu até há cerca de 590 milhões de anos. De novo, períodos de formação de montanhas pontilharam períodos de menos actividade e, durante a última parte do Proterozóico, desenvolveram-se formas mais complexas de vida nos oceanos primordiais. No seu conjunto, estes dois sistemas compreendem o período de tempo chamado: Pré-Câmbrico. Ao longo deste lapso de tempo, a Crusta Continental da Terra nunca teve uma espessura superior a 40 quilómetros - consideravelmente menos que a crusta moderna, que pode inclusive chegar aos 70 quilómetros.
Planeta Marte: cratera Gale - Imagem gentilmente concedida pela NASA (sonda Curiosity Rover), onde se pode observar a referência geológica na provável existência de lagos, ou seja, de água líquida (antes dos bombardeamentos de meteoritos e asteróides).
A Guerra Cósmica
Durante o Arcaico, a crusta da Terra foi repetidamente bombardeada por Meteoritos e Asteróides. O mesmo sucedeu a outros planetas vizinhos, tais como Mercúrio, Lua ou Marte - mas também nos satélites dos planetas exteriores, que estão pejados de crateras.
Amostras de Rochas Lunares trazidas para a Terra (pelos astronautas das missões Apolo) mostram que a actividade lunar, incluindo o revestimento vulcânico dos mares da Lua, tinha terminado no final dos tempos arcaicos; pode-se então distinguir e, incidir que, o mesmo será - provavelmente e igualmente verdadeiro - no caso do planeta Mercúrio.
Marte e Vénus, em contrapartida, permaneceram geologicamente activos até tempos mais recentes. E, tal como se observa na imagem acima referida sobre Marte (e o robô Curiosity nos revela e os cientistas nos aferem), a sua geologia é extraordinária, reportando que, teoricamente, poderá ter havido a existência de um lago albergando potencial vida biológica. Vida essa, ostensiva de micróbios do tipo «Quimiolitoautotrófico» em habitabilidade e, reprodução, nas suas águas.
Imagem da NASA - «Sirenum Fossae» - cratera em Marte, que revela o impacte recente em termos de escala geológica.
As Revelações de Marte...
Em 2012, o Robô Curiosity (sempre magistral desde aí) mostrou-se revelador numa profusão de conhecimentos geológicos fantásticos. Referente a esta imagem e sobre a cratera Gale, o robô Curiosity dizer-nos-ia que a formação desta cratera tem aproximadamente 150 quilómetros de diâmetro e que, surgiu logo após o impacto de um asteróide, há pelo menos 3,5 biliões de anos...
Segundo a NASA,este extraordinário robô encontrou assim amostras de Rochas Sedimentares que indicam que o lago existiu na cratera por dezenas ou centenas de milhares de anos até ao trágico impacto. Ainda segundo os cientistas que estudaram este registo em Marte, este lago possuiria uma biodiversidade inesgotável de vida microbiológica, ou seja, uma variada gama de Microrganismos Procariontes (organismos maioritariamente unicelulares e que não têm material genético delimitado por membrana).
Micróbios do tipo «Quimiolitoautotrófico» são capazes de desintegrar rochas e outros minerais para obter energia, segundo os cientistas. Aferem ainda que, na Terra, são comummente encontrados em cavernas, por exemplo. O que nos levanta então outras questões: Seremos todos provenientes das mesmas matérias orgânicas, das mesmas essências energéticas cósmicas...? Seria bom que nos debruçássemos sobre isto, pois talvez, em breve, tenhamos essa resposta...
Em 2014 , o Robô/Sonda Curiosity revelava-nos então a existência de Metano, ou seja, detectaria Emissões de Metano no planeta vermelho. Sabe-se desde já que, este gás, pode ser usado para alimentar várias formas de vida orgânica, por muito simples que sejam. Foram encontradas, igualmente, rochas ricas em Sílica (similares às que existem na Terra, em crosta continental mais antiga do nosso planeta).
Imagem da NASA em Marte: a visibilidade de linhas de escorrência, na probabilidade de existência de água em Marte.
Existência de Água: existência de vida...?
A Revista «Science» (2015) refere ainda sobre esta análise geológica sobre Marte de que, foram também identificadas partículas orgânicas que contêm carbono e hidrogénio (numa rocha perfurada pelo robô Curiosity). Essas moléculas são então consideradas a base da vida - tal como a conhecemos - embora também possam existir em ambientes inabitados. Sabendo-se o oxigénio ser essencial para a vida humana, acrescenta-se neste artigo, pode não ser um ingrediente fundamental para a vida alienígena, segundo a afirmação convicta do Astrónomo e Professor, Enos Picazzio, docente do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo, Brasil). Há elementos que nos dizem, segundo ainda este mesmo professor de São Paulo, que revelam a existência de organismos subterrâneos (debaixo da terra ou em lugares dominados pela amónia) em sobrevivência e reprodução, o que insta a uma outra ou outras formas de vida que não a terrestre, possivelmente.
Segundo Enos Picazzio, Marte revela-nos que já possuiu em si muita água, retendo ainda actualmente parte dela no subsolo, como o comprovam as evidências relatadas pelas diversas sondas até hoje enviadas a Marte para estudar o planeta. Picazzio afirma:
«A Água, é o solvente orgânico, por isso é importante, ou mesmo fundamental, para a maioria das formas de vida!» Acrescenta ainda: »Mas, por si só, o líquido não é capaz de criar um ambiente propício para a vida. No entanto, a água, é um elemento abundante no Universo e no Sistema Solar».
Em jeito de conclusão, o professor Enos Picazzio comenta que talvez a vida em Marte não tenha sido tão diversificada e, evoluída, como a da Terra; contudo, existirão provavelmente em Marte algumas formas primitivas de vida, sobreviventes a baixas temperaturas e não dependentes de luz.
Em Setembro de 2015, cientistas da NASA anunciaram a descoberta de córregos, ou seja, Linhas de Escorrência Recorrentes (dados recolhidos pela Mars Reconnaissence Orbiter, que orbita Marte desde 2006) onde foram encontrados sais hidratados que têm moléculas de água na sua composição. Há então a possibilidade de se confirmar a existência de água em estado líquido na superfície do planeta vermelho!
Planetas do nosso Sistema Solar
Multiplicação/Diversificação
A Vida na Terra começou então a multiplicar-se e, a diversificar-se, no começo do Câmbrico (há 590-505 milhões de anos) - o primeiro de uma série de períodos geológicos que fazem parte do Fanerozóico (Era da Vida).
Nos Tempos Câmbricos, parece que o vulcanismo em Marte tinha já passado o seu ponto máximo; no entanto, a renovação da superfície de Vénus pela actividade vulcânica parece ter então continuado para lá desse ponto e, possivelmente, continuou até ao presente, como já até foi referido.
Embora o Universo seja tão grande (sem contudo se acrescentar ainda mais outros tantos, na teorização da existência de outros Universos, segundo o estimam alguns cientistas), o número elevado de estrelas semelhantes ao nosso Sol, ser de facto uma realidade (no que muitos cientistas consideram também elevada a probabilidade de as condições para a vida terem surgido noutros planetas, noutros locais do Universo). E que, tendo sido descobertos outros planetas idênticos à Terra, não se descobriram contudo, sinais de vida nestes, uma vez que a nossa tecnologia terrestre nos não permite tal. O que não quer dizer que não existam.
Para já, existem dúvidas na existência de vida dentro do nosso sistema solar mas, nada sendo tão taxativo ou objectivo assim, uma vez que se especula essa mesma realidade (por evidências de fenómenos ocorridos em observação nos céus de naves estelares e objectos voadores que parecem edificar diversas ou inúmeras viagens interestelares) se denote haver, efectivamente, muito mais do que à priori nos é dado a conhecer. Mesmo dentro do nosso sistema solar...
Ilustração ou Concepção artística fornecida pelo Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, comparando a Terra ao planeta recém-descoberto Kepler 78b.
Retornando à Terra...
Há que registar que, os Primeiros Mamíferos surgiram há mais de 200 milhões de anos, mas para o seu domínio da Terra, pode ter contribuído uma uma colisão entre um Asteróide e o nosso planeta há cerca de 65 milhões de anos, segundo o afirmam alguns dos mais eminentes investigadores, historiadores e demais cientistas nestas áreas na procura da nossa verdade planetária.
Há 65 milhões de anos que a vida pululava na Terra mas, como se insta agora, esta se exterminou na sua grande parte devido então a um ou mais factores externos ao planeta de carisma catastrófico em fenómeno devastador, provocando a extinção dos Dinossauros; e que até aí, dominavam com imenso êxito, supõe-se. Se nada disto tivesse ocorrido, a Humanidade poderia não se encontrar na sua posição privilegiada: os antepassados mais antigos da espécie/civilização humana só surgiram, provavelmente, na África Oriental, no Plicocénico, há não mais do que 4 ou 5 milhões de anos!
Os Continentes formaram-se em diferentes regiões do globo durante as Eras Pré-Câmbrica e Câmbrica, andando assim à deriva até se reunirem na forma do «Supercontinente» da Pangeia há 250 milhões de anos. Este dividiu-se entre a Gonduana e a Laurásia há cerca de 200 milhões de anos e depois na sua forma actual.
Visão ou imagem via satélite (NASA) sobre a Terra.
A Escala Geológica
Por conclusão final, regista-se então que, A Escala Geológica de Tempo baseia-se em mudanças óbvias no tipo de rochas - ou grupos de fósseis - de um período para o seguinte. As divisões maiores são os Sistemas, que se dividem em Eras, e estes subdividem-se em Períodos e, na Era mais recente, que cobre os últimos 65 milhões de anos, em Épocas. A Era Pré-Câmbrica engloba então quatro quintos da totalidade da História da Terra.
O Final da Era Pré-Câmbrica foi marcada pelo aparecimento dos primeiros fósseis. Formas principais de vida desenvolveram-se ao longo dos períodos principais, começando no Câmbrico; os Peixes sem mandíbulas surgiram assim no Ordovício (há 505-438 milhões de anos); as primeiras Plantas encontraram-se no Silúrico há 439-408 milhões de anos) e os primeiros Anfíbios durante o Devónico (há 408-360 milhões de anos). Os Primeiros Mamíferos apareceram no Triássico (há 248-213 milhões de anos). O recente Período Glaciar ocorreu então no Plistocénio e no Holocénico.
Escala Geológica:
1 - Organismos com Concha (há 590 milhões de anos). Período/Época Pré-Câmbrico.
2 - Primeiros Peixes sem Mandíbulas (há 590-505 milhões de anos). Período Câmbrico.
3 - Fetos Arbóreos; Cavalinhas (há 505-438 milhões de anos). Período Ordovício.
4 - Peixes que Respiram Ar (há 438-408 milhões de anos). Período Silúrico.
5 - Grandes Anfíbios (há 408-360 milhões de anos). Período Devónico.
6 - Primeiros Répteis (há 360-286 milhões de anos). Período Carbónico (Pensilvaniano/Mississipiano).
7 - «Ginkgos»; Coníferas (há 286-248 milhões de anos). Período Pérmico.
8 - Primeiros Mamíferos (há 248-213 milhões de anos). Período Triássico.
9 - Primeiras Aves (há 213-144 milhões de anos). Período Jurássico.
10 - Plantas Floríferas (há 144-65 milhões de anos). Período Cretácico.
11 - Últimos Dinossauros (há 65-55 milhões de anos). Período Paleocénico.
12 - Primeiros Primatas (há 55-38 milhões de anos). Período Eocénico.
13 - Primeiros Cavalos (há 38-25/5 milhões de anos). Períodos Oligocénico/Miocénico.
14 - Humanidade Moderna (há 5 milhões de anos).

Imagem da Terra sob a sua estrela maior (anã amarela): o Sol. Um dia depois do outro...
A Evolução da Humanidade
A pergunta para um milhão de dólares como é por hábito referir-se à sempre eterna e grande questão de qual o caminho evolutivo ou recessivo (em ascendente progressão ou inversamente em regressão, o que se não deseja, como é evidente...) que a Humanidade se reproduzirá em vias de novos entendimentos, raciocínios, conhecimentos e inteligências alcançadas - dentro ou fora dos seus limites planetários - é sempre dúbia. Para não dizer mais.
Sabe-se que tudo explodiu em matéria e energia numa gigantesca produção de intensa ou coesa sopa cósmica através do tal suposto Big Bang e que, por imposta subsequência - ou advertência de um Deus qualquer em sumidade e supra-omnipotência - tudo originou em nascimento, crescimento e evolução/adaptação de algo; ou de todas as coisas. Aparte as questões filosóficas, teológicas ou outras ainda de cariz dogmático mas não profiláctico, pois que nestas coisas o que não cura também mal não fará, acrescenta-se, há que sublevar a ideia de se estar mais consciente do que nos rodeia hoje, além a Terra, além os Astros.
A História da Terra não pára aqui; nem pode parar nunca! Há que encimar que, desde há 4500 milhões de anos em que este planeta se formou, tudo tem evoluído constante e normalmente, sem que haja a deficiência ou iniquidade de se pensar que tudo estará para breve em terrífico desfecho e não, como o deverá ser, em homilia de se acreditar que a Terra, nosso planeta-berço, é um dos muitos que contribuem para essa grande massa cosmológica que faz e compõe todo um Universo. Ou outros.
A Humanidade, não sendo eventualmente a única civilização que se fez vencer num pequeno planeta como o é, incontestavelmente esta nossa Terra, também não será de somenos importância se adquirirmos a lucidez e a confrontação necessárias para enfrentar novos desafios, novas ideias, novas fronteiras e quiçá até novos ideais, pois que há mundos que esperam por nós, como houveram povos e terras deste mesmo mundo que fomos descobrindo amiudada mas ousadamente há quinhentos anos atrás. Há que ter a noção de se estar perante a iminência de novos saberes, de novos seres e mesmo até de novas vidas em tributo quântico de novas dimensões.
Nada é mais apenas e só um mundo de ficção; abrem-se-nos hoje novas portas, novas janelas para o mundo: a Internet é prova disso mesmo. Agora, só há que o receber de braços abertos e sentir que mais virá; e nós, seres humanos, cá estaremos para o receber. Oxalá nos não hostilizem ou quebrem esses nossos tão idílicos sonhos, pois que é tudo o que nos resta, confinados que estamos a apenas este ou a poucos outros planetas do nosso sistema solar. Miragem não será, o acreditar-se que o futuro é já hoje e, melhor, é feito por todos nós, homens e mulheres deste planeta Terra. O dia virá em que outra história nos será contada, a Verdadeira História da Terra, mas isso será para um outro dia... naquele alumiado ou iluminado dia em que tudo se abrirá...
sexta-feira, 25 de março de 2016
A Minha Páscoa!
Aeroporto Internacional de Bruxelas-Zaventem
22 de Março de 2016: hora local: 7 horas e 50 minutos (Aeroporto-Zaventem)
«Estou à tua espera. Aqui, no aeroporto (nas partidas, como combinado) Não demores. Amo-te muito».
Eu e os meus pensamentos... (onde raios te meteste, homem...?)
Será que vens...? Será que à última da hora te dá uma valente dor de barriga como desculpa para não vires, para ficares com ela, com a tua mulher...? Nem penses! Percorro meio mundo e dou cabo de ti! Estou a avisar-te meu grande cretino, ouviste...? É claro que não me podes ouvir ou nem virias. Ser a outra, é ser pior do que peste, malária ou febre amarela em África, eu sei. Mas que fazer...? Ouvir os conselhos árduos mas fartos em exaustão - e desperdício - de meus pais sobre mim e, sobre o que me suspeitam eu andar a fazer com um homem casado e sem esperança de tal mudar...?! Ou, ouvir-me a mim, ao sentir que nada neste mundo me fará parar, me fará voltar atrás, só para te sentir o cheiro da pele, o doce e intenso cheiro do teu perfume («Tsar») de homem macho que me és, e até o teu sorriso matreiro de quando me queres levar para a cama e eu finjo dizer que não... ?! Que fazer perante isso...? Amo-te mais do que a mim, e isso é estúpido, eu sei. Tão estúpido como o ter dito aos meus pais que vinha assistir a uma palestra sobre os fósseis encontrados na África do Sul sobre um dos primeiros homens na Terra. Será que acreditaram...? Penso que não. Não são estúpidos; só eu sou, por tanta insegurança me enveredar. Mas ele vem, sei que vem. Raios o partam, por que razão ainda não chegou...? Está atrasado, o idiota. Meu Deus, e e se ele não vem...? Parto-lhe o focinho! Arrebento-lhe com a boca toda (será que ele pensa que eu sou dessas que engolem tudo com pão...?) Não. Eu não! Ou parto mesmo para a agressão mais lusitana que conheço, e dou-lhe uma cabeçada à Mouraria que ele vai ver. Quem ele pensa que é, ah...? Deus, diz-me que ele vem... diz-me...»
A Realidade... 3 dias depois...
O Mundo é composto de bestas; bestas humanas: Ente elas estás tu. Ao lado dos que se fizeram explodir. Ao lado dos que sem alma se desencarnaram nesta vida. E tu, meu amado, que tudo me eras e serias até que te espelhasses para mim, até que te despisses na totalidade para que eu te visse - finalmente desnudo de tudo - na tua verdadeira essência de coração e sentidos, acabaste por te deixares morrer em mim, não nesta vida, mas nessa outra em que vivendo de fora de mim, eu te olho, te observo agora, vendo-te e sentindo-te como o mais facínora tributário de parte da minha vida. Quase morri e tu, assististe a tudo, sem me tocares, sem me visitares, sem no fundo, me tocares na alma, dizendo que era tudo verdade e não uma desavergonhada mentira, daquelas que só tu sabes dizer; a mim e ao mundo. Pelo menos, os que morreram do meu lado partiram em paz, e tu, ficaste em guerra - comigo e com o mundo. Ser-se deputado europeu tem benesses, da imunidade diplomática à mais alta instância abonatória de um certo tráfico de influências que todos dizem não o ser, mas será...? Não o sei. Quanto a mim, benefícios zero. Não te concedo imunidade!
Dos lagos suíços, do romance prometido e do dulcífero aroma dos chocolates, apenas a dor de saber que, um dia, talvez te vá encontrar... só para te dizer que não valeu a pena, que não foi bom, e pior, que até foi tempo perdido, como aquelas más horas em que vi corpos estilhaçados, estropiados e jogados borda fora, de uns e de outros, sobre mim e sobre todos; os vivos e os não vivos. Foste embora, talvez porque nem chegaste a vir e eu não me apercebi disso. Só mais tarde o vi - ou disso tive a subreptícia percepção (nestes três precedentes dias) - aqui, neste flamengo hospital belga que agora é do mundo, pelas más notícias e pelas horrendas achegas de um Daesh mais impulsionado e, liderado, que esse Al Qaeda em tempos da Guerra do Golfo.
Do sonho ao pesadelo...
São duas da manhã. Ou lá perto, não sei. Acabaram-se-me as horas; acabaram-se-me as ideias, os tempos, ou as honras de me virem dizer a que horas, a que dia, ou em que ano eu estou. Aqui tudo é movido num tempo que não é tempo e num espaço que não se cumpre, por outros em que se vegeta. Ou por outros ainda em que se só se ouvem gemidos surdos, calados de uma dor aguda, acutilante e, ensurdecedora, se realizarmos o quanto estas dores, estas calamidades, se fazem sobre corpos que se não conhecem, sobre almas que se não separam da sua outra condição de mortos-vivos - ou moribundos - sobre as macas frias, gélidas, de qualquer conforto humano. Até porque, não há tempo para isso. É tudo um enorme grito, como o grito de Munch. Calado, sofrido, agrilhoado de todas as dores e de todas as sortes - desditas e mal-paridas - que todos, aqui, no hospital militar de Bruxelas emparedamos. E sofremos. Que ironia: a capital da Europa, a capital do mundo em sede da NATO e da União Europeia e, onde tudo agora acontece...
Da Portela para Zaventem, e tudo parecia perfeito: do embarque à espera, até ao refúgio final da sempre angustiante demora que tarda em se fazer imperar. Ou, ressuscitar. Da noite que se não dormiu em insónia permanente e não penitente, por tudo o que se envida vir a acontecer, vir a viver, ante todas as expectativas de um romance a dois, envolto em sexo, chocolates e... se Deus permitisse, a promessa maior (na maior de todas as outras!) de um compromisso a longo prazo.
Foi esta a minha mais sublime condição na veleidade assumida de mulher adulta, que vai atrás de um grande sonho, de um grande amor - ou de uma grande e platónica ilusão - e tudo para trás ficaria (pensava eu...), na mais displicente e perdulária consignação humana de para trás se deixar o cão, o gato, o periquito, e até os amigos - ou colegas de trabalho - que quase sempre apetece estrangular mas acariciamos com olhares subtis e até voluptuosos, só porque nos chegou o dia, o primeiro dia de toda uma vida - a nossa vida - em que vamos ser felizes e nada mais importa.
Esperei hordas de dias e noites por este dia; dia e noite em que não dormi ou preguei olho uma só hora que fosse, só para te ter nos meus braços e não nos da tua mulher. Pois. És casado. Coisa breve ou... para ser breve, pois dizes (ou dizias sempre) que era chegada a hora, a hora desse término, dessa separação conjugal e de um possível e não litigioso divórcio, só para me teres, só para me possuíres como tua única e endeusada ninfa destes novos tempos; tempos modernos. Tempos estes, que se não compadecem com rugas, filhos, e contas bancárias conjuntas num envelhecimento não compacto de um com outro, de um que já foi tudo e agora não é nada, por outros ou outras que na vida se encontram e desencontram, afastam, e perdem para sempre.
Mas, desta vez, estando eu do outro lado, do lado das sevícias, da concupiscência, da leviandade, e quem saberá... da promiscuidade, sendo eu a tua amante prometida - desinibida e não assumida - que um dia, um destes dias, tu vais fazer primeira dama, tua primeira tudo, como se a outra te tivesse morrido longe e não nos braços, nesses mesmos braços que na véspera abraçaste, beijaste e amaste, como tua legítima, como tua única mulher e mãe dos teus três belos filhos. Eu, sou a outra; e isso bastava-me. Achava eu. Não bastou. Quando se vê a morte de frente, ela fala-nos. E, a mim, ela disse-me que era tempo de parar, que era tempo de olhar para mim e acreditar que valho mais, muito mais do que tu! Só me bastou acreditar nela!
Mas esperei por ti. No terminal das partidas no aeroporto de Zanventem. Quase adormeci. De Lisboa para Bruxelas, para dali partir para Zurique, a cidade dos amantes: para a nossa cidade! E tão belo era, como a coisa mais fantástica que eu já fizera, se não fosse o ter-te confiado os meus segredos, os meus encantos em esbulho completo de toda a minha alma. Que tu exauriste, que tu amassaste, que tu deploraste. Sabes o que te digo agora: Vai-te Foder!
Acreditar que te separavas dela, da tua mulher; que parva fui! Quando tantas vezes o disseste, tantas vezes mo replicaste, por debaixo dos lençóis, por debaixo dessa tua outra vida em que eu continuava fielmente a creditar (como se tal fosse possível, tu, e todos os outros homens que o dizem, que o prolongam e adormecem no tempo, e que, mesmo chegando quase à quinta geração em que filhos, sobrinhos, netos ou sobrinhos-netos, já todos mortos, se fazem ressentir) e tu, e todos os outros, ainda continuam a dizer que a deixam, à legítima, para virem para nós, para nossos braços; e nós, mulheres, acreditamos. E tanto, que ainda de bengala na mão, dentadura postiça e cabelos brancos (mais os que não existem do que os que ficam) continuamos a esperar que tal se verifique. E, depois então, sobre a vossa tumba ou sobre o vaso das cinzas, escarramos, choramos, ou lastimamos a tão má-sorte de nos ter calhado um valentíssimo aldrabão, um desordeiro de camas e mentes sãs - ou nem tanto, pois que nem todas somos assim tão inocentes...
E nesta tão amarfanhada situação de pensamento e, contradição, eu, sentada e desesperada por te ver chegar, fui arremessada de sopetão para o inferno; para o pior deles: o inferno de todas as dores, de todos os males, em fumo, ardor, e desmembramento: de corpo e de alma. Meus, e dos outros.
Aeroporto de Bruxelas-Zaventem: hora local 7 horas e 57 minutos
Um trovão. Um rebentamento. Um não sei quê que, de tão forte e tão precipitado, me fez deslaçar de pensamentos, membros, ou qualquer outra condição de comando ou ordem sobre o meu corpo e sobre o meu cérebro em raciocínio toldado. Ficou tudo negro de repente. E, com um cheiro ocre, a enxofre, a demónio. Deixei de ouvir. Deixei de ver. Perdi os sentidos.
Mas recuperei. Quando abri os olhos, tornei a fechá-los. Não queria ver. Corpos, muitos corpos. Sangue, muito sangue; postas e postas de sangue em cima de mim. Um pé. Uma pasta de qualquer coisa que não pensei logo poder tratar-se de massa encefálica, mas era-o efectivamente. Ou seja, os miolos de alguém que já fora um ser vivo, um ser humano e, ali, se despojara sobre mim, sem licença alguma, sem referência sua de ser ou ter sido simplesmente alguém que já vivera, amara - e sentira.
Estava tudo negro. Poeira. Silêncio estranho. Vozes recortadas que não eram vozes. Sons que não eram sons; pensei ter morrido ou estar prestes a isso, a embarcar na minha última fronteira do nada para o tudo ou vice-versa, sabia lá eu...
A realidade não o era e se esta se vestia de negro, eu era a viúva mais maldita da Terra sem nunca o ter sido. E tudo continuava negro, tão negro como o fumo que me entupia as narinas, o olfacto, e até a dignidade de me ver esparramada nos solos da Flandres, vendo que nada mais me restaria, do que a indigência nua e crua de me sentir um corpo sem alma e, talvez, uma alma sem corpo...
Um zumbido atravessou-me as meninges e sei que, de repente, fiquei sem ouvir. Na totalidade. A visão não sendo perfeita, esboroava-se de mim num não deleite ou talvez semi-consciência de me sonegar - ou quiçá proteger - o que poderia não aceitar em horrendo cataclismo de corpos e cabeças decepadas, como se um qualquer Henrique VIII por ali tivesse andado em fantasma do presente, em alma penada de um seu eterno limbo, sentindo que tantas almas lhe seriam pertença. Mas não eram. Nem dele nem dos terroristas que se fizeram explodir, levando com eles tantos mártires, não de Alá, mas de um Deus desconhecido que não teve tempo de tal parar, de tal estancar. Foi pena. Elevaram-se os melhores, com excepção dos do Oriente (ainda que muitos deles nascidos em chão europeu) que tão de mal com a vida sempre estão e em nome de um deus menor e, de ninguém, levam tantos com eles. E com eles partem. Só não se sabe é se para as tais tantas virgens, se para demónios transvestidos de anjos ou de outra coisa qualquer sem retorno e sem piedade - ou mesmo sem perdão...
Só hoje pude escrever. Só hoje pude ter a sensação de estar de facto viva e isso, é-me penoso. Muito. Talvez não tenha o direito de estar viva, não sei. Perdi a totalidade da audição, parte da visão e não sinto sequer os membros inferiores, ou seja, as minhas duas pernas que mais parecem dois tições ardidos ou fumegantes, como diz na Bíblia. E mortos, se já não me servirem de nada.
Fico para aqui a roer-me em mil pensamentos maus, tortuosos e macabros, e sem viço de esperança ou de me ver ter outras alegrias, pois que quem eu pensava amar-me tanto, fugiu a sete pés, fugindo de mim, fugindo de outras explicações que eu lhe pudesse invocar. Foi cobarde; foi traidor, como o são todos nestas circunstâncias. E, enquanto vou observando na televisão do quarto hospitalar esta feira de vaidades de presidentes a dançarem o tango e outros a lançarem árvores à terra e outros ainda a acobertarem gente que não é gente de bem, em gestos de traiçoeiras vontades ou conjugalidades políticas coesas de inverdades, o meu corpo arde-se-me todo como fogueira acesa, tal sarça ardente de Moisés, em que só fico eu em restolho de nada, em rasura de tudo o que podia ter sido, se não tivesse havido esta explosão dos amigos e eternos fiéis de Alá, num Deus que eu não conheço nem tenho honras de tal.
Estou ligada a tubos, a fios, e a sons que não distingo mas me dão a certeza e a contingência absoluta, segundo os médicos, de ainda estar viva. Não sei se o quero. Não sei se o mereço. Enganei-me sobre ti. Enganei-me sobre a vida. E isso, dói-me, muito, ainda mais do que o estar presa a esta cama, a este féretro maldito da burrice e da estouvada maluqueira de um dia te ter amado - ou simplesmente de ter sido tão idiota quanto o podem ser todas essas outras mulheres, tal como eu, que se deixam enganar por um breve sorriso, por uma breve troca de corpos que não de almas, suponho. E, a minha, está destroçada. Pior do que o meu corpo, aquele corpo que amavas e dizias ser-te pertença, ser-te teu, só teu; agora, nem meu é...
Não sei se quero viver. Eu sei que é estúpido, pensar assim, quando tantos inocentes morreram ao meu lado, eu sei. Mas Deus tem de me dar tempo, tempo que eu não sei se tenho ou, se quero ter, para voltar a acreditar que ainda é possível voar, amar, e tornar a voar e a amar, sem ser pelos céus mas por esses outros voos de alma que só os bons amantes sabem haver.
Cortaram-me as asas; cortaram-me as esperanças - e até, muito possivelmente (ou literalmente), o andar. Mas voltar a acreditar, não sei se me será possível, de novo. Agora, vou ter de desligar o computador e descansar, pois fi-lo à revelia de uma enfermeira que aqui anota tudo e me deixou neste desabafar. Ouvi um sussurro que andam ainda por ali, pelos lados do bairro de Schaerbeek (em que se alvitra terem detido dois suspeitos de terrorismo, com evidentes alianças cúmplices sobre este atentado, em Bruxelas), sendo que a missão ainda não está completa para a polícia belga. Oxalá. A bem dos inocentes. A bem de todos os que não têm culpa alguma de terem um outro Deus ou, ainda acreditarem que é possível os homens serem bons e não assassinos de si próprios. Como na minha terra se diz, haverão mais salamaleques do que breves certezas ou carismáticas investidas que bom fim tenham, fazendo parar, fazendo anular todas estas células terroristas mas, neoplásicas, que dão pelo nome de Daesh; e, se assim for, que Deus nos proteja, pois já não há mais por que acreditar ou, esperar, que um dia tudo possa mudar...
Em nome de todos os que pereceram, no metro e no aeroporto de Bruxelas, na Bélgica, a minha sincera homenagem, pois que Deus é Grande, sim senhor! (Allah Akbar!) Mas, há que afirmá-lo, para todos, sem se recorrer ao horror e, terror, de radicalismos - ou fundamentalismos - pronunciados de dor, sangue e morte. Deus é só Um, e não é cruel, crucificador ou matador!
Deus é vida e não morte; Deus é amor e não ódio. Deus, é tudo o que de contrário o terrorismo semeia, apregoa ou ceifa no nosso planeta.
A Humanidade, merece-nos mais do que isso em facções opostas ao que lhe foi transmitido ao longo dos séculos por sábios, profetas ou simples homens de boa vontade. O corolário da Terra não pode nem deve ser de estrutura bélica e sanguinária, pois, ao continuar-se assim, nada sobrará do que os nossos próprios despojos sobre leis que não cumprimos. De facto, Deus é Grande, na sua misericórdia, placitude - e omnipotente benevolência - ou já teríamos todos partido há muito deste enorme hangar de partidas e chegadas que se chama Terra. Fiquem em paz, então. Pela Paz, sempre!
segunda-feira, 21 de março de 2016
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