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sábado, 1 de novembro de 2014

Davol - Truth (Radio Mix)

Bryan EL - Interstellar

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A Noite das Bruxas


Ilustração sobre o Mito das Bruxas Voadoras

"Que os Sinos das cidades toquem frequentemente, o que purificará o ar!" - Dr. Francis Hering, de sua obra, «Regras, Instruções ou Avisos para o Tempo do Contágio Pestífero».

Terá algum fundo de verdade que, certos Sinos eram lançados ao rio por 7 Bruxas, tocando estes depois debaixo de água durante tempestades violentas? Que temeridade era esta por parte das Bruxas no que se relacionava com esses mesmos Sinos? Que tradição pagã está por detrás de tudo isto? E, poderemos nós recear de facto as Bruxas?

O Tanger dos Sinos
(As Feiticeiras receavam-nos; os Fantasmas fugiam...)
Houve um tempo em que se acreditou que os Sinos das Igrejas que chamavam os fiéis à oração tinham poderes sobrenaturais. Em muitos países católicos, durante a Idade Média, no momento em que era benzido e instalado na Igreja o novo Sino, eram-lhe apresentadas oferendas e, o acontecimento celebrado com banquetes suculentos.
Quando a Inglaterra foi assolada pela Peste (ou Morte) Negra, no século XIV, era crença generalizada de que o vibrar dos Sinos da Igreja ajudava a afastar a praga. Quase três séculos depois, o doutor Francis Hering, na sua obra «Regras, Instruções ou Avisos para o Tempo do Contágio Pestífero», aconselhava: "Que os Sinos das cidades toquem frequentemente, o que purificará o ar!»
Também se chegou a pensar que o dobrar dos Sinos a finados, durante um funeral, afastaria o fantasma do defunto. Quando os antigos Romanos celebravam a festa em honra dos mortos da família, no mês de Maio, tocavam campainhas de bronze e entoavam: "Espíritos dos meus antepassados, afastai-vos!"
No Pontifical Romano recomenda-se o toque dos Sinos para «expulsar os espectros enlouquecidos dos mortos».
Numerosas lendas mencionam Sinos que tocavam sem a intervenção do Homem. Alexandre Dumas, na sua obra «Quadros de Viagens no Sul de França», refere que, em 1407 - momentos antes do desmoronamento da antiga ponte sobre o rio Ródano - se ouviram ruídos misteriosos, entre os quais o tocar de um Sino!
Até aos meados do século XVIII acreditava-se em Breslau, na Polónia, que, se o Sino da Catedral tocasse por influência sobrenatural, um dos cónegos morreria inevitavelmente!

O Papel das Bruxas
As Bruxas que, segundo crença geral, temiam os Sinos das Igrejas, eram frequentemente acusadas de - durante a noite - os retirarem dos campanários.
Em Canewdon, no Essex, contava-se que se ouvia um Sino, segundo se cria lançado ao rio por sete (7) Bruxas, tocar debaixo de água durante tempestades violentas.
Ainda em 1852 fizeram-se soar - em vão - os Sinos de todos os templos de Malta a fim de amainar uma borrasca violenta, ou seja, uma intempérie assaz agressiva; e no mesmo século tocaram-se os Sinos na Paróquia de Dawlish, situada no Devon, na esperança de que o seu Espírito vencesse «o Espírito do Relâmpago», pondo assim fim à tempestade.

A Véspera do Dia de Todo os Santos/A Noite das Bruxas
(A Noite em que Fantasmas, Bruxas e Demónios andam à solta...)
À semelhança do que acontece com o Natal e na Páscoa, também os festejos da véspera do «Dia de Todos os Santos» têm origem numa celebração pagã - apesar de o seu nome derivar de uma festa de Liturgia Cristã!
Esta festa, introduzida no século VII para comemorar todos os santos e mártires que não eram celebrados em nenhum dia particular, realizava-se no dia 13 de Maio.
No século VIII, porém, o  « Dia de Todos os Santos», passou a ser celebrado a 1 de Novembro, o que aboliu uma festividade pagã festejada nessa data.
O dia 31 de Outubro, véspera de 1 de Novembro - a última noite do ano no antigo Calendário Celta - era celebrado como o final do Verão e da sua fertilidade.
Era um festival que os Celtas do Norte da Europa celebravam acendendo grandes fogueiras para auxiliarem o Sol durante o Inverno.
O Inverno, que evocava também a frialdade e a escuridão da sepultura, era a altura em que os Fantasmas deambulavam e, os Espíritos sobrenaturais, Bruxos e Feiticeiras realizavam as suas festas.
Só a partir do final do século XVIII e começo do XIX, a véspera do Dia de Todos os Santos se transformou, em alguns países, num dia de diversão para as crianças - celebrado com trajes de fantasia, lanternas e jogos.
Anteriormente era considerada como uma «noite de medo», durante a qual os homens sensatos - respeitando os Duendes e os Demónios errantes - se conservavam em casa.
Nos séculos XVII e XVIII, no entanto, os mascarados - pessoas com máscaras misteriosas e trajes de fantasia andavam habitualmente de casa em casa, cantando e dançando para afastar o mal; ou, em representação desses mesmos Fantasmas e Demónios da noite.

Partida ou Tratamento/ Travessura ou Doçura (na actualidade)
Este hábito sobrevive ainda em muitas partes do mundo como uma mascarada para crianças. Na América do Norte, estas andam de porta em porta, em traje de fantasia, num ritual conhecido como «Trick or Treat» (Partida ou Tratamento).
Levam habitualmente um saco ou uma fronha de almofada e ameaçam pregar uma partida aos donos da casa se não receberem um «tratamento» na forma de doces ou bolachas.
A lanterna da véspera de Todos os Santos, é feita de uma abóbora-menina ou nabo, a que é retirado o miolo, sendo assim uma reminiscência dos dias em que eram realizadas ofertas de alimentos aos espíritos dos mortos.

Do tempo dos Celtas à actualidade pontua-se uma grande distância efectivamente mas, que, se tem vindo a fazer representar cada vez mais nesta liturgia pagã. A nível particular e, em solo lusitano, só há pouco se deixou esventrar esta festividade infantil que se designa por «Halloween» e enche todas as superfícies comerciais de bruxas, vassouras, chapéus, caveiras, aranhas monstruosas e tudo o mais que compõe o imaginário infantil (e não só...) de toda uma população ávida de importar hábitos e costumes que não os seus. A título individual, não me recordo - mas houve quem o tivesse feito por mim - de me contar de que em solo português ( e por vias de uma acintosa ou quiçá acérrima prestação católico-romana no país) se comemorava o célebre «Pão por Deus», que era, como se visualiza hoje à distância do que lhe é próprio, assim uma espécie de esmola ao Santo, esmola ao Senhor, ou simplesmente uma gratificação (geralmente em tostões, vivificando a pobre moeda da época...que nem dava para chegar ao escudo e é melhor nem falar dos mil-réis de que a minha avó falava, por estes serem ainda do tempo dos reis, em vassalagem de Monarquia...) e, assim andarem descalças e andrajosas, as pobres crianças do meu país na pedinchice alheia de encherem uma rota cesta ou de pães ou de tostões...que por vezes, nem uns nem outros se lhes avizinhava. E quanto a máscaras, já lhes bastava a da fuligem do carvão que tinham de ir buscar de madrugada aos pais, com as calças esburacadas, um dedo ou outro do pé deitado a baixo (por vias de um cimeiro futebol que se jogava lá no bairro com uma bola feita de trapos) e estava o Dia das Bruxas composto!
A era actual que hoje se vive em consumo imediatista e vago, não ofusca a de um passado que se traduz nas muitas tradições populares e de cariz pagã. Mas também religiosa. O Dia de Todos os Santos serve para prestar homenagem aos que já partiram, aos que nos deixaram física e, lamentavelmente em saudade e dor, por muito que se afirme que apenas sofreram uma transição corpórea ou de uma outra dimensão. Seja como for, terá de se respeitar tal a quem é crente e disso beneficie, em acalmia de maior sofrimento. Às crianças, na véspera desse dia, apenas a alegria comum e muito sua de querem fazer desse dia, apenas mais um de suas vidas em festividade e bonomia. Quanto às Bruxas propriamente ditas, que vivam o seu dia em felicidade assumida - as que já saíram do armário e mesmo as que ainda se negam a entrever um melhor futuro fora deste - que seja um belo e feliz dia e, se possível, sem muitas maldades...pois sempre é preferível a «doçura» à travessura...acredito eu! E toda a Humanidade, creio. Pois sem mais assunto de momento: vivam esse dia, ou melhor, essa sua Noite das Bruxas em noctívaga certeza de, para o ano sempre voltarem...! Mas pelo bem, que também há Bruxas do Bem...acho eu. Pois que assim seja!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A Verdade das Estrelas III


Universo - Céu Estelar

Texto - 3
Deslindando a Verdade das Estrelas

O Quadro Alarga-se
O Observatório Real de Greewich foi fundado em 1675 por ordem de Carlos II, interessado na elaboração de um novo catálogo de estrelas para uso dos seus navegantes.
Embora o edifício, projectado por Sir Christopher Wren constituísse um verdadeiro êxito, lamentavelmente o homem escolhido como astrónomo oficial, o Reverendo John Flamsteed, embora um observador experiente e um perfeccionista pertinaz, era extremamente lento na elaboração dos cálculos. Tinha apenas um assistente - totalmente incompetente - e, ao fim de quase 29 anos de trabalho, os dois não haviam completado ainda o catálogo.
Não obstante, e contra a vontade de Flamsteed, foram publicadas 400 cópias, na sua forma incompleta. Como sinal de protesto, o astrónomo conseguiu apoderar-se de 300 e queimá-las publicamente.
Quando morreu em 1719, o trabalho não estava ainda completo - nessa altura, porém, todo o esquema estava ultrapassado, pois haviam sido desenvolvidas técnicas de navegação mais avançadas.
Em 1781, um astrónomo amador, o jovem William herschel, de naturalidade alemã, realizou uma descoberta notável quando, na sua casa em Inglaterra - observando o Firmamento com o seu telescópio - detectou um pequeno disco vermelho; comunicou o facto à real Sociedade, num relatório intitulado: «Comunicação Sobre um Cometa».
Após terem estudado a órbita do corpo celeste, os especialistas concluíram que Herschel descobrira, na realidade, algo mais invulgar ainda que um Cometa!
O astrónomo, que pelo facto recebeu o grau de Cavaleiro, foi o primeiro - desde os tempos dos Gregos - a descobrir um novo planeta - um astro gigantesco que foi denominado Úrano, o qual levava 84 anos a descrever a sua órbita em torno do Sol.

O Dia Sideral
Quando em 1931, um jovem engenheiro radiotécnico de nome Karl Jansky terminou a montagem das peças do instrumento a que chamou o seu carrossel - uma estranha série de antenas ligadas a velhas rodas de automóveis - estava construído o primeiro radiotelescópio do Mundo!
Jansky chegara à conclusão de que, por mais potente que fosse um Telescópio Óptico, as imagens das estrelas captadas pelas lentes seriam distorcidas pela camada atmosférica que rodeia a Terra.
Construiu o seu telescópio com o objectivo de estudar a electricidade atmosférica e, investigar os ruídos radiofónicos causados pelas perturbações eléctricas que afectam as comunicações radiofónicas a longa distância.
Entre muitos destes ruídos que captou, detectou um silvo que atingia o seu nível mais elevado - exactamente quatro minutos mais cedo em cada dia, o que correspondia ao tempo de rotação da Terra em relação às estrelas, em oposição ao Sol - 23 horas e e 56 minutos. Os Astrónomos chamaram a este período de tempo: O Dia Sideral.
Jansky concluiu, correctamente, que estava a receber sinais da Via Láctea!
Um astrónomo amador, o americano Grote Reber, construiu no jardim da sua casa em Ilinóis, uma antena orientável em forma de prato e de 9 metros de diâmetro. Amplificando e registando os sinais estrelares, elaborou o primeiro «Mapa de Rádio» do Céu.
Reber captava os sinais de rádio alterando o ângulo do seu prato receptor. Interpretando estas transmissões recebidas de ângulos diversos, calculava com precisão a forma e as dimensões de uma estrela. Os estudos de Reber revelaram que a forma de algumas estrelas diferia bastante daquela que as mesmas assumiam, quando observadas através de Telescópios Ópticos.

O Disco de 3000 Toneladas
Entre os cientistas interessados pelos estudos de Reber, contava-se um inglês de nome Bernard Lovell, que equipou dois atrelados com aparelhagem de radar num campo perto de Lower Withington, no Cheshire, a fim de seguir a trajectória de Meteoros.
O dispositivo de Lovell desenvolveu-se gradualmente, até se transformar no grande Observatório Radioastronómico de Jodrell Bank, que contém um gigantesco radiotelescópio orientável, de 3000 toneladas, com a forma de disco, e que gira sobre um trilho, numa plataforma circular.

Muito se avançou desde então, no que Astrónomos, Astrofísicos e demais cientistas nos comprovam hoje, de toda a sua complementaridade, empenho e estudo sequenciais dessa persistente investigação e aprumo. Kepler sentir-se ia hoje plenamente feliz, por se saber designado em honra e homenagem  - de seu nome e glória - a muitas missões da sonda com este mesmo nome. Galileu também. E tantos outros. Há que fazer justiça e honras a quem as merece por nunca se ter arrogado a admitir que estava errado, persistindo nos estudos e nas conclusões a que se determinaram. Poderosíssimos telescópios existentes pelo mundo inteiro corroboram disso mesmo, sobre os avanços desta nossa Era Espacial que ainda muitas glórias e honras nos mostrará, certamente, ainda que, com alguns recuos ou mesmo mal sucedidas missões mas sempre com a intenta e intensa percussão que os assiste. Assim sendo e, a bem da Humanidade em futuro a cumprir, novas tecnologias se imponham, se executam e se estabeleçam no desenvolvimento e ascensão desta mesma Humanidade! Que assim seja!

A Verdade das Estrelas II


Universo - Céu Estelar

"Tycho e eu fomos unidos por um destino inexorável!" - Johannes Kepler

Texto - 2
Deslindando a Verdade das Estrelas

O Génio Enganado
A Igreja encontrou um influente apoio dos seus pontos de vista no notável nobre dinamarquês Tycho Brahe, nascido em 1546, o qual, nunca aceitando a ideia de a Terra se mover em torno do Sol, destinou o seu trabalho especificamente a provar a correcção da Teoria Ptolemaica.
Apesar de laborar num erro, Tycho Brahe tornou-se o maior astrónomo observador depois de Aristarco. Com a idade de 30 anos, Tycho foi tornado proprietário da ilha de Hven, no Báltico, pelo rei da Dinamarca, que pôs à sua disposição o capital suficiente para permitir ao astrónomo construir uma casa e um observatório.
Da sua base solitária, e apenas usando um quadrante gigantesco, Tycho realizou durante 20 anos, o Estudo dos Céus e, elaborou um magnífico e complexo catálogo de estrelas, incluindo tabelas que forneciam a localização de milhares de «pontos fixos» calculados com extrema precisão de entre as posições mutáveis dos planetas em relação às estrelas.
Tycho não permitiu que interferências de qualquer ordem prejudicassem os seus estudos - particularmente dificuldades económicas. Para garantir o pagamento dos tributos, mandou construir uma prisão no interior do observatório, onde encarcerava os ilhéus em dívida.
Hven tornou-se um famoso centro científico, visitado por personagens ilustres, entre as quais James VI da Escócia, que mais tarde subiu ao trono de Inglaterra como Jaime I. Mas o clamor dos protestos dos ilhéus irados - constantemente ameaçados de prisão - acabou por levar o rei Dinamarquês a retirar o seu apoio a Brahe.

Um Destino Inexorável
Tycho estabeleceu residência em Praga, onde contratou como seu assistente o génio astrónomo Johannes Kepler, que anos mais tarde afirmaria: "Tycho e eu fomos unidos por um destino inexorável!"
Quando estudou os vários volumes de tabelas compiladas por Tycho, Kepler descobriu que o astrónomo da ilha dedicara uma atenção particular e, meticulosa, ao movimento de Marte. Kepler em breve compreendeu que as observações realizadas demoliam a noção (longamente acalentada), segundo a qual Marte se deslocava numa órbita circular.
Foi talvez providencial a morte de Tycho, em 1601, enquanto Kepler ainda trabalhava nos complexos cálculos que elaborara sobre Marte - cada um dos quais chegou a repetir 40 vezes, de forma a garantir uma precisão absoluta. Gastou 5 anos na tarefa até confirmar as suspeitas que já anteriormente alimentava: Marte, a Terra e todos os outros planetas conhecidos descreviam trajectórias elípticas e, a despeito das convicções inabaláveis de Tycho, deslocavam-se em torno do Sol.
Kepler, que Einstein descreveu como «um homem incomparável», pôde então, a partir dos estudos que realizara, enunciar as suas «Leis do Movimento Interplanetário», nas quais ainda hoje se baseiam os cálculos astronómicos.
Nos últimos anos da sua vida, Kepler foi colocado sob vigilância como suspeito herético, sendo mesmo alvo, na rua, de injúrias de transeuntes - que chegavam a cuspir-lhe. Mas quando morreu, no ano de 1630, a Ciência progredia, determinada e irrevogavelmente, apesar da acção repressiva por parte da Igreja.
Entre os admiradores de Kepler, contava-se um dos caracteres mais curiosos da História da Astronomia - Galileu, Galilei - o primeiro astrónomo de facto a usar um telescópio e, o último a ser perseguido, por proclamar que a Terra se movia em torno do Sol.
Galileu construiu o seu próprio telescópio quando ensinava Matemática na Universidade de Pádua. Soube servir-se convenientemente do instrumento, que lhe permitiu descobrir, nomeadamente, as crateras da Lua, alguns dos satélites de Júpiter, manchas solares e as estrelas da Via Láctea.

"Amaldiçoar, Abjurar e Odiar..."
Galileu em todas as observações que realizou, ficou sempre convencido de que Aristarco, Copérnico e Kepler estavam dentro da razão ao sugerirem que a Terra se movia em torno do Sol.
Em 1616, porém, a Igreja de Roma impôs a Galileu que deixasse de defender o que se tornara conhecido como «Sistema de Copérnico».
Galileu retractou-se publicamente, começando imediatamente a trabalhar num livro intitulado «Diálogos dos Dois Principais Sistemas do Mundo», no qual toda a questão era abertamente discutida e perspectivada, segundo os dois pontos de vista opostos. Antes de mandar publicar o livro, porém, o astrónomo tomou a precaução sensata de obter autorização de Roma.
Quando, porém, a obra surgiu, a Igreja acusou-o de heresia, apesar de os seus próprios censores a terem previamente aprovado. Durante o julgamento, foi-lhe ordenado que fizesse outra retractação pública. Ajoelhado, Galileu leu uma declaração afirmando estar pronto a «amaldiçoar, abjurar e odiar» a teoria segundo a qual a Terra, se movia em torno do Sol. A alternativa era, indubitavelmente, a decapitação.
Como precaução, Galileu foi enviado para a sua vivenda em Arcetri e, isolado do mundo. Foram-lhe canceladas as visitas, podendo apenas ver as pessoas que o serviam. Para cúmulo da tragédia que o atingiu, cegou completamente durante os últimos anos de vida.
Quando em 1642 Galileu morreu, o Papa proibiu a construção de um monumento sobre o seu túmulo. E, no entanto, no espaço de 50 anos, a teoria de que era a Terra o centro do Universo ruíra completa e, definitivamente!

A Verdade das Estrelas I


Universo - Céu Estelar

Que magia é esta que desde tempos ancestrais se repercute em homens da Ciência e mesmo da Religião em saber dos segredos e dos mistérios de todo um Universo?
Existirá ainda hoje nas sagradas catacumbas do Vaticano - no seu Index de obras proibidas - «As Revoluções dos Corpos Celestes» de Copérnico? Porque sempre se incompatibilizava a Igreja com o saber de uns sobre a ignorância de outros, que tudo queriam manter inalterado sobre a verdadeira existência de astros, estrelas e mesmo o planeta Terra - num centro único do Universo?

Texto - 1
Deslindando a Verdade das Estrelas
(Um longo combate para colocar a Terra no seu lugar!)
O primeiro homem a sugerir que o nosso mundo não era o centro do Universo, mas se deslocava em torno do Sol com os outros planetas, foi um grego, Aristarco de Samos, que viveu entre 310 e 230 a. C. A sua teoria era tão revolucionária que foi rejeitada e considerada absurda pelos mais destacados filósofos da época.
Os homens observaram, evidentemente, os céus desde os primórdios dos tempos - facto atestado pela disposição e orientação deliberadas dos monumentos antigos - como as pirâmides e os monumentos megalíticos de Stonehenge, que indicam a precisão das observações astronómicas realizadas por engenheiros e sacerdotes há, pelo menos 5000 anos!
Mas os antigos não não enunciaram qualquer teoria que explicasse o comportamento desses corpos celestes, cujos movimentos tinham representado graficamente com tanta correcção. Limitaram-se a concluir - aprioristicamente - que a Terra era o ponto central do Universo e, que os seus movimentos condicionavam os dos outros corpos espaciais, sem no entanto, os determinarem ou lhes atribuírem qualquer causa ou princípio - problemas que consideravam insolúveis.
Os métodos de Aristarco para calcular as distâncias relativas a que o Sol e a Lua se encontravam da Terra, estavam essencialmente correctos - embora os seus conhecimentos matemáticos fossem tão deficientes que, segundo os seus cálculos, a distância entre o Sol e a Terra era 1/19 do valor verdadeiro.

Esfera Rotativa
Os cálculos de Aristarco foram baseados nos do matemático grego  Pitágoras, que sem anos antes afirmara ser a Terra uma esfera rodando em torno do seu próprio eixo.
Esta ideia fora desprezivelmente acolhida por contemporâneos letrados, segundo cujas opiniões o Mundo...era plano. Não causa, portanto, qualquer admiração que Aristarco - que não conseguiu provar a sua teoria - fosse completamente ignorado.
Só decorridos 400 anos após a morte de Aristarco, Claudius Ptolemaeus, conhecido por Ptolemeu, divulgou outra teoria do Universo - esta mais aceitável.
Ptolomeu deduziu que a Terra era o corpo supremo, que se mantinha estacionário no centro do Universo e, em torno do qual o Sol e a Lua descreviam órbitas circulares, juntamente com os 5 planetas visíveis - Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno. Esta noção, mais tranquilizante que a de Aristarco, imediatamente recebeu a aprovação das autoridades na matéria.
Para explorar o facto de os planetas se não moverem em círculos perfeitos, Ptolemeu desenhou um complexo sistema de círculos individuais menores - ou epiciclos - que, segundo a sua opinião, aqueles astros deviam percorrer, enquanto simultaneamente se deslocavam em torno da Terra, que ocupava uma posição central.
Embora recorresse a muitos fundamentos apriorísticos e, incorrectos, a Teoria Ptolemaica constituiu a base indiscutível de Astronomia durante 1700 anos - até à divulgação das teorias de Copérnico, no século XVI.

Um Simples Planeta
Nicolau Copérnico, nascido na Polónia em 1473, era um religioso extremamente devoto mas, igualmente, fascinado pela Astronomia. Ao atingir os 60 anos, e depois de uma vida dedicada ao estudo dos céus, não alimentava dúvidas sobre a consistência da Teoria de Ptolemeu.
Divulgou então uma teoria completamente inédita, segundo a qual a Terra era um simples planeta que se movia em torno do Sol. Mas, embora Copérnico tivesse negado a crença (até então generalizada) de que a Terra constituía o centro do Universo; mas, uma verdade básica lhe escapou: os Planetas movem-se em elipses e não em círculos!
Copérnico teve ainda de enfrentar um grave problema. Como cónego, sabia que os seus superiores resistiriam à ideia de a Terra perder o seu papel fulcral. Bastou então um rumor sobre a sua nova teoria, para induzir o reformador religioso Martinho Lutero a denunciar Copérnico como um louco que queria destruir a Ciência da Astronomia.
Tal como Aristarco, Copérnico não possuía um telescópio ou qualquer outro meio mecânico que lhe permitisse provar aos cépticos a sua teoria, pelo que se mostrou relutante em publicar a sua importante obra sobre Teorias Astronómicas, «Sobre Revoluções dos Corpos Celestes».
Quando, finalmente, alguns amigos o persuadiram a mandar imprimir o livro, em 1542, os seus receios provaram ser justificados. Sem seu conhecimento e autorização, o editor acrescentou um prefácio de 400 páginas de textos, mapas e diagramas, insistindo em que as teorias expostas no livro constituíam meros auxiliares para cálculos, não necessitando de ser tomadas à letra.
felizmente, é pouco provável que tenha sido dado a Copérnico ver o livro impresso, pois quando um exemplar chegou até ele, em Maio de 1543, o astrónomo encontrava-se moribundo.
Por estranho que pareça, a Igreja Católica não se apercebeu das implicações da obra de Copérnico senão 73 anos após a sua morte, quando o astrónomo herético Galileu, para ela (obra) involuntariamente chamou a atenção.
O Vaticano incluiu então as «Revoluções» no seu Index de obras proibidas, onde as mesmas permaneceram até 1822.